Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Cultura

Conexão perdida entre temas: confira crítica do B sobre o filme 'Uma casa à beira mar'

Jornal do Brasil FRANK CARBONE*, especial para o JB

O diretor Robert Guediguian traz uma delicadeza no olhar para a passagem do tempo. Há um molho agridoce no tratamento dos personagens, ao lado de um ataque às instituições vigentes e à política. O cinismo intercalado com a melancolia de seus anti-heróis são seus fortes. 

Pouco mudou neste filme que mostra o reencontro de um grupo de amigos separados pela vida. Três irmãos se reúnem por causa do avanço na decrepitude da saúde do pai. Não é só o patriarca que adoeceu, a economia também e com ela toda uma bela região da Marselha, onde os poucos personagens do filme parecem abandonados em busca de sentido emocional no cenário paradisíaco, propositalmente pouco explorado. È como se a juventude tivesse sido tragada pelo lugar, que devolveu formas diferentes de lidar com a dor e a amargura. O clima naturalista não é novidade, e o diretor de ‘“As neves do Kilimanjaro” mais uma vez dispõe seus peões em um anti-jogo, sem acerto de contas, apenas um reencontro com materiais humanos já perdidos: a juventude, o amor, a alegria de viver.

Ariane vive uma atriz que namora homem mais jovem

Ainda que não construa roteiros intrincados, os longas anteriores eram calcados em relações interpessoais menos distanciadas. A ausência disso impede um mergulho maior e a frieza afasta o espectador, que fica a mercê de injustificadas situações clichês do roteiro. Isso felizmente não abate o elenco, formado pela trupe tradicional de Guediguian (incluindo Ariane Ascaride e Jean-Pierre Darroussin). Lá pelas tantas, novas fragilidades são evidenciadas, como questões sobre imigração ilegal que embaçam ainda mais os anseios dessa família em resgate afetivo. 

*Membro da ACCRJ

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UMA CASA À BEIRA MAR : ** (Regular)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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Tags: caderno b, cinema, crítica, filme, marselha

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