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Cultura

Com 'samba doido', Azymuth se apresenta no Blue Note

Jornal do Brasil ANDRE DUCHIADE, andre.duchiade@jb.com.br

Quarenta e três anos se passaram desde o lançamento do disco de estreia do Azymuth. O álbum fundia funk, jazz, psicodelia e bossa nova, em um estilo que os integrantes chamaram de “samba doido”. 

Depois de mais de 30 álbuns (boa parte lançada apenas no exterior), de apresentações em palcos dos cinco continentes e de deter honras como ser a primeira banda brasileira a se apresentar no prestigiado Festival de Montreux, o grupo vai sábado ao Blue Note, na Lagoa, mostrar como se reinventou e resistiu ao tempo. 

O show traz a nova formação do trio, após a morte do tecladista José Roberto Bertrami em 2012. Kiko Continentino, que há muitos anos toca com Milton Nascimento, substituiu o fundador do grupo e se uniu ao baixista Alex Malheiros e ao baterista e percussionista Ivan Conti. A nova formação gravou um álbum, “Fenix”, em 2016.

O Azymuth hoje é formado por Kiko Continentino, Alex Malheiros e Ivan Conti

Alex diz que Kiko mudou o som do Azymuth. “Ele toca as músicas como são no original. Na parte da improvisação, no entanto, faz no estilo dele. Deu salpicada, instigou o som da gente”, conta.

O baixista acrescenta que a diferença geracional —quase três décadas separam os já septuagenários membros originais do novo tecladista — também interferiu no som do Azymuth. “Nós somos músicos que viemos de trabalhos em bandas de baile, fizemos todo tipo de coisa. Isso já não existe mais. O Kiko representa um novo estilo, mais moderno e muito informado em termos de música internacional e brasileira”, diz.

No show, a banda toca clássicos, como “Linha do horizonte” (da estreia), “Jazz carnival” e “Partido alto” (de “Light as a feather”, de 1979), e também canções do álbum mais recente. 

Neste século, muitos DJs e produtores de música eletrônica,  como Roni Size, 4 Hero, Jazzanova, Theo Parish e Kenny Dope, usaram versos e trechos de música do Azymuth para produzir as próprias canções, em releases e remixes. Sobre essas versões, Alex diz que elas acontecem porque a “música do Azymuth é muito simples, o que combina com o trabalho desses DJs”.

Além de transformar a música da banda, as versões também levaram a banda a um novo circuito: os festivais de música eletrônica. Em setembro, eles vão à Croácia para um desses eventos, onde se apresentam com Marcos Valle.



Tags: azymuth, caderno b, cultura, música, show

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