Jornal do Brasil

Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Cultura

Vidas secas, obra plural

Jornal do Brasil RODRIGO FONSECA *

Uma das maiores lacunas do patrimônio digital audiovisual do cinema brasileiro acaba de ser preenchida: “Memórias do cárcere” e demais cults da prolífica fase de maturidade de Nelson Pereira dos Santos (1928-2018), nos anos 1980, acabam de ganhar uma edição de luxo em DVD. É uma chance única para estudantes e jovens cinéfilos entenderem as razões estéticas que levaram o Festival de Cannes de 1984 a ovacionar o cineasta – morto no dia 21 de abril – por sua releitura do romance em quatro volumes de Graciliano Ramos (1892-1953). Carlos Vereza interpreta o autor no longa-metragem, épico de 185 minutos coroado com o prêmio Fipresci, dado pela Federação Internacional de Críticos de Cinema na Croisette. 

“Eu continuo gostando do Graciliano da mesma forma. Outro dia estava relendo um de seus livros, ‘Angústia’. Taí uma adaptação para o cinema que gostaria de ter feito”, disse Nelson ao JB, meses antes de sua morte, ao ser homenageado pelo Festival de Brasília de 2017 por seu legado. Aliás, essa caixa de DVDs em que está “Memórias do cárcere”, ilustra o quão diversa foi sua filmografia. 

O pacote resgatou “Tenda dos milagres” (1977), pelo qual ele concorreu ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. Nele, está ainda o musical sertanejo “Estrada da vida” (1980), com a dupla Milionário e José Rico, que vendeu 1. 276. 979 ingressos. Fecham o box “Jubiabá” (1986), baseado em Jorge Amado (1912-2001), e “A terceira margem do rio” (1993), derivado de Guimarães Rosa (1908-1967) e indicado ao Urso dourado berlinense. Falta agora um pacote de DVDs com os experimentos documentais do diretor dos anos 2000 e 2010 e o thriller político “Brasília 18%” (2006).  



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