Jornal do Brasil

Terça-feira, 14 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Cultura

'Periferia implacável', destaca crítica sobre 'Baronesa'

Jornal do Brasil FRANK CARBONE*, especial para o JB

encedor da Mostra Tiradentes em 2017, “Baronesa” é mais uma prova do vigor e diversidade do cinema brasileiro na atualidade. Ainda que a realidade inserida em contexto fílmico já seja relativamente reconhecível em outros trabalhos (“A vizinhança do Tigre”, ‘Corpo delito’, pra citar dois), a estreante Juliana Antunes soube agarrar o feminismo e estampar na tela de maneira muito atual e orgânica.

O filme já abre com um plano inesperado e poderoso: ao som de “Que grave é esse”, de MC Delano, a tela é ocupada por enormes nádegas em close, requebrando ao som da batida. O filme acompanha duas amigas na espera da saída da penitenciária de seus companheiros e, aos poucos, o longa vai desconstruindo essa imagem das mulheres pretas e faveladas para chegar a um denominador comum. Detalhe para a montagem e a fotografia do longa, que amplia espaços exíguos e dá ritmo invejável ao longa. 

Filme de Juliana Antunes é um retrato de uma realidade periférica

Sem precisar explicitar nada, Juliana fez um retrato de uma realidade periférica talvez ainda sendo pior por contar com atrizes amadoras em locações reais em cenas de forte peso, como a polêmica envolvendo as crianças do elenco, submetidas a um diálogo tão inacreditável quanto real, mas também passando pela crueldade do todo. Um longa que mais uma vez constrói uma verdade a partir da junção entre documentário e ficção, usa e abusa de local e situações já mostradas antes, mas que respira com liberdade em um ambiente de reafirmação da voz feminista. 

*Membro da ACCRJ

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SAFÁRI: *** (Bom)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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Tags: baronesa, cinema, crítica, cultura, filme

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