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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Cultura

Fã de futebol, Robbie Williams vai cantar na abertura da Copa

Jornal do Brasil JOÃO PEQUENO (joao.pequeno@jb.com.br)

Apenas meia-hora antes da anfitriã Rússia e a adversária Arábia Saudita abrirem a disputa da Copa do Mundo, um grande fã de futebol abre o gogó para cantar na cerimônia de abertura, ao lado de um ídolo aposentado dos gramados. “É um sonho de infância”, declarou o cantor Robbie Williams, 44, ao ser convidado pela Fifa para cantar no gramado do estádio Lujniki, em Moscou, às 17h30 locais (11h30 de Brasília), com a soprano russa Aida Garifullina, 30.

Ao lado dele, dois anos mais jovem, estará o brasileiro Ronaldo, atacante pentacampeão em 2002 e segundo maior artilheiro da história das copas, com 15 gols somados entre 1998 e 2006. Torçamos para que ele não cante.

O cantor inglês Robbie Williams é a grande atração internacional

Se a voz de nosso ex-centroavante não indica boa musicalidade, o cantor inglês é considerado bom de bola, para um amador. Peladeiro desde a infância, Robbie Williams liderou, no último domingo, o time da Inglaterra no Soccer Aid, um amistoso beneficente bienal, com times formados por celebridades e ex-jogadores, a fim de arrecadar dinheiro para a Unicef – braço da Organização das Nações Unidas voltado para a infância. 

Williams foi técnico e um dos jogadores da equipe inglesa, que empatou em 3 a 3 com o selecionado do resto do mundo, no estádio Old Trafford, do Manchester United. O time visitante reuniu estrelas, como o chefe de cozinha escocês Gordon Ramsay e o velocista jamaicano Usain Bolt. 

O cantor comandou o time inglês na partida Soccer Aid, em prol da Unicef, no último domingo

Xará do cantor, o ex-jogador irlandês Robbie Williams marcou para os estrangeiros, como o argentino Verón e o holandês Clarence Seedorf, que passou pelo Botafogo. Já os ingleses tiveram entre seus artilheiros Michael Owen, autor, em 2002, do gol que abriu o placar da quarta-de-final contra o Brasil – que acabaria vencendo por 2 a 1, de virada, e sendo campeão posteriormente. 

“Estou tão feliz e animado em retornar à Rússia para uma performance única. Já fiz muitas coisas em minha carreira, e abrir a Copa do Mundo para 80 mil pessoas no estádio e muitos milhões em todo o mundo é um sonho de infância. Gostaríamos de convidar os fãs do futebol e da música para uma festa conosco na Rússia, no estádio, ou para sintonizar suas TVs um pouco mais cedo para um show inesquecível”, afirmou o cantor, que não vai cantar sua música “Party like a russian”, que desagradou o governo russo e causou polêmica no país-sede da Copa, ao ser lançada há dois anos. 

A soprano russa Aida Garifullina também fará parte da festa

O motivo foi a letra que “é preciso um certo tipo de homem com certa reputação para ‘aliviar’ o dinheiro de toda a nação”. Williams negou que a letra se referisse ao presidente russo Vladimir Putin. “Infelizmente pediram para eu não cantá-la”, lamentou.

O repertório, segundo ele, terá “uma mistura, um banquete com meus maiores sucessos”, afirmou, dando a entender que hits como “Angles” e “Feel” podem entrar no repertório.

Torcedor do Port Vale, time de futebol que atualmente disputa a quarta divisão inglesa, Robbie Williams já cogitou comprar o pequeno clube, que fica em sua cidade natal, Staffordshire. Na capa de “Sing when you’re winning”, seu terceiro disco solo, ele aparece em um estádio, como se estivesse comemorando um gol, com os companheiros de seu time. 

Cerimônia será reduzida e discreta

Poucos líderes estrangeiros no palco das autoridades e a tradicional cerimônia de abertura reduzida: o início da Copa do Mundo da Rússia de 2018, hoje em Moscou, será discreta, em contraste com as edições anteriores. As várias crises entre a Rússia e o Ocidente e o pouco apelo esportivo do jogo de abertura - entre a Rússia (70ª no ranking da Fifa) e Arábia Saudita (67º) - pesaram para que se optasse pela simplicidade e modéstia. 

Entre eles, muitos líderes de ex-repúblicas soviéticas, como os presidentes do Cazaquistão (Nursultan Nazarbayev), Quirguistão (Sooronbay Jeenbekov) e Azerbaijão (Ilham Aliyev), ou o novo primeiro-ministro armênio (Nikol Pachinian), que chegou ao poder no mês passado. O primeiro-ministro libanês Saad Hariri e o presidente ruandês Paul Kagame também estarão presentes.

Mais significativa será a presença, anunciada pelo Kremlin, do presidente da Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte, Kim Yong Nam, dois dias depois da cúpula histórica em Singapura entre Donald Trump e Kim Jong Un. Também se espera a presença na abertura da Copa o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed Bin Salman.

No gramado, o show pré-jogo terá um formato reduzido. “A cerimônia de abertura terá um formato ligeiramente diferente das edições anteriores. Este ano, a cerimônia será organizada em torno de performances musicais e será mais perto do início do jogo, apenas meia hora antes”, indicou a Fifa em comunicado.

A Fifa não fez nenhum anúncio sobre a presença de Will Smith, autor, ao lado do porto-riquenho Nicky Jam e da cantora albanesa Era Istrefi, do hino oficial da Copa do Mundo, “Live it up”.

“Ao mesmo tempo, a ação vai se estender fora do estádio, envolvendo a cidade e a área em torno do local”, disse Felix Mikhailov, diretor artístico do sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo em 2015 e da cerimônia da Copa das Confederações em 2017.

A abertura não oficial aconteceu ontem, na forma de um concerto na emblemática Praça Vermelha, com grandes vozes de música clássica e ópera.



Tags: abertura, copa, futebol, robbie williams, rússia

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