Jornal do Brasil

Sábado, 18 de Agosto de 2018 Fundado em 1891

Cultura

CCBB apresenta parte do acervo do incrível Museu de Futebol de São Paulo, que completa dez anos

Jornal do Brasil Mônica Loureiro, monica.loureiro@jb.com.br

A superstição de Zagallo pelo número 13, um dos folclores do futebol brasileiro, parece ter dado certo para o Velho Lobo. Afinal, ele é o único a ter participado de quatro títulos mundiais da seleção brasileira: 1958, 62, 70 e 94. Então, não poderia haver data melhor do que um dia 13 do mês em que começa mais uma Copa do Mundo para a abertura de um evento sobre o esporte. A exposição itinerante “Museu do Futebol na Área”, que trouxe para os cariocas parte do acervo do Museu do Futebol de São Paulo, começa hoje no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

“É um minimuseu, que não necessariamente conta a história dos clubes. Fala da paixão brasileira pelo esporte. Aliás, nossa ideia é ser menos um museu para guardar as coisas, e mais para as pessoas guardarem em sentimento”, define Daniela Alfonsi, diretora de Conteúdo do Museu do Futebol e curadora da exposição. 

Um dos itens raros da exposição e que foi trazido exclusivamente para a edição carioca é o agasalho da Seleção do Brasil que o craque botafoguense Garrincha vestiu

A itinerância já passou pelo Recife, fica no Rio até 30 de julho e segue para Belo Horizonte e Porto Alegre. “Fizemos questão que ela estivesse no Rio durante a Copa”, ressalta Daniela. O acervo ocupa oito salas do segundo andar do CCBB, iniciando com um vídeo que faz uma apresentação do museu paulista que fica embaixo das arquibancadas do Pacaembu. Em seguida, na Sala das Origens, fotos e vídeos mostram o período em que o esporte chegou ao Brasil e se profissionalizou, entre o final do século XIX e início do XX. “As imagens marcadas com um ‘pin’ são exclusivas para a exposição no Rio, como a de um anúncio da Casa Sportman, uma loja que ficava na Avenida Rio Branco, sobre as bolas que foram enviadas aos soldados ingleses durante a Segunda Guerra”, cita. 

O espaço destaca também a difícil conquista das mulheres no esporte. “Um decreto de 1941 as proibia de praticar vários esportes, entre eles futebol e lutas. O terrível é saber que a lei foi revogada apenas em 1979, sendo que a CBF só criou a primeira seleção feminina em 1988”, conta a curadora.  

A vitrine com camisas da década de 1970 usadas por craques dos quatro principais times cariocas

Na Sala Números e Curiosidades, placas coloridas trazem frases famosas, como “Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado”, de João Saldanha; a maior goleada (Botafogo 24 x 0 Mangueira, em 1909); e números do Campeonato Carioca (Flamengo com 24 títulos na frente). “No lugar da camisa amarela, que todo mundo conhece, trouxemos uma peça rara, o agasalho da Seleção usado por Garrincha em 1966. Instalamos também uma vitrine com camisas 10 usadas pelos craques Zico (1979), Jairzinho (1971), Rivelino (1976) e Roberto Dinamite (1972)”, diz Daniela. 

Imagens de todas as copas do mundo são apresentadas em vídeo num grande painel luminoso com fotos de acontecimentos sociais, políticos e culturais relevantes de cada ano. No espaço dos Gols e Rádio, as pessoas podem ouvir narrações de gols históricos por comentaristas como Waldir Amaral, José Carlos Araújo e Osmar Santos. Há depoimentos também de momentos inesquecíveis vividos por Armando Nogueira, José Trajano e Lima Duarte. “Aqui o gol cria uma narrativa. Na maioria das vezes, o que fica é o que você lembra do lance e não como ele aconteceu realmente”, diz a diretora. 

O final da exposição é uma carinhosa homenagem a quem costuma ser chamada de 12º jogador: a torcida. Na sala “Versus”, de Tadeu Jungle, dois telões, um de frente para o outro, mostram torcedores de Corinthians e Palmeiras num jogo do Paulistão de 2015, quando o Verdão venceu o Timão nos pênaltis. “O Tadeu diz que se inspirou numa tela de Tarsila do Amaral, ‘Os operários’, para criar este espaço. A câmera foi instalada num local fixo da arquibancada e acompanha as reações, os cantos, o desespero de cada pessoa durante 120 minutos”, explica. Observando bem, é possível, por leitura labial, identificar os impropérios ditos durante uma partida.

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SERVIÇO

Museu Futebol na área - Centro Cultural Banco do Brasil (R. primeiro de março, 66 - Centro; Tel.: 3808-2020). Qua. a seg., das 9h às 21h. Até 30/7. Entrada franca.                                  



Tags: ccbb, cultura, esporte, futebol, museu do futebol

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