Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Cultura

'O dilema da criação', destaca crítica sobre 'Paris 8'

Jornal do Brasil ANA RODRIGUES*, Especial para o JB

O jovem Etienne vai a estudar cinema na prestigiada universidade Paris 8. Ele terá que encarar o maior desafio de um criador: a incerteza. Ao encontrar colegas que compartilham sentimentos contraditórios, Etienne ficará numa encruzilhada e é esse dilema que faz de “Paris 8” (original “Mes provinciales”) um filme que merece atenção. O título tem referência na obra “As provinciais”, de Blaise Pascal, coletânea de cartas anônimas de oposição aos jesuítas. Uma obra de ironia sutil, como o ?lme também propõe e o destino mostrará. 

Professor em escolas de cinema, o diretor Jean-Paul Civeyrac partiu da experiência profissional, para apresentar Etienne, que tem dificuldade de encontrar o caminho na criação de um filme. O jovem tem medo do julgamento de sua obra. E arte só se faz com liberdade e coragem. Entre uma namorada e outra, ele busca a inspiração. Uma delas, ativista, contesta o papel da arte, em contraste com a realidade.

Drama de Civeyrac é inspirada em obra de Blaise Pascal

Relacionamentos com extremos criam mais dilemas. Um amigo, Mathias, é contestador. Para ele, a arte cinematográ fica tem que ser sempre ousada. Um pasoliniano, eternamente contrário. Outro, Jean-Noël, é colaborativo. Logo, o fascínio pelas ideias do outsider Mathias, criará uma dependência criativa. O elenco formado por atores pouco conhecidos tem um estilo naturalista, com destaque para Corentin Fila, como Mathias, e Andranic Manet, com o olhar perdido de Etienne, na busca pela beleza que Visconti magistramente revelou em “Morte em Veneza”, citada por Civeyrac , através do Adagietto da “5ª Sinfonia” de Mahler.

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PARIS 8: *** (Bom)

Cotaçõeso Péssimo; * Ruim; ** Regular; *** Bom; **** Muito Bom

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Tags: cinema, critica, cultura, filme, regular

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