Jornal do Brasil

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Cultura

Estreia peça em homenagem a Martinho da Vila

“Martinho da Vila 8.0– Uma filosofia de vida” aborda a ligação do músico com o movimento negro

Jornal do Brasil MÔNICA LOUREIRO, monica.loureiro@jb.com.b

Com estreia marcada para as 21h, no Teatro Clara Nunes, na Gávea, “Martinho da Vila 8.0 – Uma filosofia a de vida” enriquece as homenagens às oito décadas de vida do sambista e compositor. O espetáculo prioriza um lado menos conhecido do grande público, que é o do envolvimento no movimento negro e o comprometimento com a cultura lusófona. “Por isso é uma peça musicada, com espaço para dramaturgia, projeções e trechos de músicas”, explica Ana Ferguson, autora e roteirista ao lado de Solange Bighetti. 

Os atores VitorHugo, NillMarcondes eJunior Vieiracom Martinhoda Vila

A ideia surgiu quando Martinho recebeu o título de Doutor Honoris Causa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em outubro de 2017. “Conversei com a Cléo Ferreira, mulher dele, que achou a ideia ótima, e logo depois ele autorizou. O texto é baseado no ‘Memórias póstumas de Teresa de Jesus’, livro emocionante que ele escreveu sobre a mãe”, conta Ana, destacando que Cléo fez a curadoria do espetáculo.

Com direção de William Vitta e direção de produção de Luiz Marcelo Legey, a peça tem três atores que interpretam Martinho em diferentes fases de sua vida: Victor Hugo, Junior Vieira e Nill Marcondes. Ana Miranda (Dona Teresa de Jesus, mãe), Babi Xavier (Cléo Ferreira, mulher), William Vita (Marcus Pereira, empresário) e Esther Delamare (professora Ida) completam o elenco.

Os oito filhos, dos quais seis são ligados à música, e as ex-mulheres também são citados na peça. “Pedimos para Martinho apontar pessoas importantes na sua vida e ele lembrou da professora que o ajudou muito no aprendizado e o acolheu em sua casa. O seu primeiro empresário também teve papel fundamental, pois foi quem o incentivou a sair do Exército para seguir a carreira artística, época em que teve o primeiro grande sucesso, ‘Casa de bamba’, em 1968”, cita. 

A peça tem uma linha do tempo que começa com o nascimento de Martinho em Duas Barras e sua vinda para o Rio aos quatro anos. “Mostramos ele como arrimo de família, passando pelo festival da Record e chegando aos dias atuais com as homenagens que vem recebendo, inclusive de escolas de samba de São Paulo e Rio”, enumera. Mas é no ativismo social e político que a peça ultrapassa um simples registro musical cronológico. “Ele foi o primeiro artista a viajar para a África para promover intercâmbio entre os músicos de lá e cá. Participou de showmícios pela libertação de Mandela e compôs a linda ‘Meu homem’ (lançada por Beth Carvalho em 1988 e em seu disco ‘Martinho da Vida’ em 1990), dedicada a Winnie Mandela”, exemplifica Ana.

Martinho diz que gostou do que leu no roteiro, mesmo sabendo que muita coisa pode ter mudado no projeto desde o início, pois não ficou acompanhando a produção. “A ansiedade é grande, mas acho que vou me emocionar, porque, com certeza, durante a apresentação, vai passar um filme na minha cabeça de tudo o que aconteceu comigo até os dias de hoje”, diz o sambista. “Durante o processo do roteiro, ele mandou áudios contando várias histórias. Além de enriquecer o texto, muito dessas informações inspiraram os cenários e figurinos”, detalha Ana.

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SERVIÇO

Martinho da Vila 8.0 – Uma filosofia de vida - Teatro Clara Nunes/Shopping da Gávea (R. Marquês de São Vicente, 52, 3° piso - Gávea; Tel.: 2274-9696). Sex. e sáb., às 21h, e dom., às 20h. Sex. e sáb.: R$ 100 e R$ 50 (meia). Dom.: R$ 80 e R$ 40 (meia). Classificação: Livre. Até 15/7



Tags: b, martinho da vila, movimento negro, peça, samba

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