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Cultura

Comemorando 20 anos de carreira, Álamo Facó reestreia “Mamãe” no Gláucio Gill e lança livro

Jornal do Brasil MÔNICA RIANI (monica.riani@jb.com.br)

Ator, autor, poeta e performer dos mais importantes de sua geração, Álamo Facó está em vários trânsitos este ano, o 20º de sua carreira entre TV, teatro e cinema. Na próxima sexta-feira, às 21h, ele volta ao ponto de partida de sua história, o Teatro Gláucio Gill, em Copacabana, onde estreou sob a direção do saudoso Cico Caseira na peça “Os piratas descobrem o Brasil”. Ali, inicia nova temporada do celebrado solo “Mamãe”. Na mesma noite, lança o livro da peça, com 65 páginas, editado pela Cândido e com apresentação do artista Gilberto Gawronski (R$ 40). 

No segundo semestre deste ano, “Mamãe” será apresentado no Festival de Teatro de Shenzhen, na China. Em 2019, o solo estará na programação dos festivais de Avignon (França) e Edimburgo (Escócia). No mesmo período, o ator lançará outro espetáculo, “Trajetória sexual”, completando assim “A Trilogia da Perda”. Simultaneamente, o artista desenvolve com o cineasta João Amorim a série documental “Break on through”, sobre expansores de consciência. “Serei o performer, o que arrisca a própria consciência, seja tomando substâncias como ayuahasca ou fazendo experiências, como a respiração holotrópica”, adianta. Produzida pela LC Barreto e a Amorim Filmes, começa na fronteira do Brasil com a Venezuela, a Serra do Benini, na Amazônia. Para este trabalho, ele vai tomar Yakoana, composto da erva soprado no nariz por outra pessoa, com um canudo comprido, e o entrevistado será o xamã Davi Kopenawa Yanomami.    

Ator lança livro da peça e inicia nova temporada do premiado espetáculo “Mamãe”, que será apresentado na China no segundo semestre

O livro  “Mamãe” resulta de um processo de criação, marcado por uma dor visceral: a morte da arquiteta Marpe Facó, sua mãe, cem dias depois de ter recebido o diagnóstico de um câncer no cérebro. Influenciado por artistas como Hélio Oiticica, Lygia Clark e Bruce Nauman, escreveu a peça “priorizando o encontro com o espectador sem investir nas tintas dramáticas que a abordagem do assunto poderia suscitar”. Três anos em cartaz e muitas temporadas depois, Álamo diz que o trabalho o ajudou a organizar internamente o choque. 

“A trajetória da peça nesses três anos me tira um peso do passado. O teatro me ajudou muito a resolver as coisas dentro de mim. O principal é sentir que estou na batalha por um pouco de justiça, todos nós temos direito ao nosso corpo. Quando se descobre uma doença terminal, você é colocado como um número dentro do hospital. Tentar tratamento alternativo no hospital não é uma alternativa no nosso sistema. A reação do público mostra que estou exercendo um trabalho que ecoa como parte da minha contemporaneidade. É uma peça pró-vida”, avalia.  

Por este solo, Álamo recebeu o prêmio de melhor dramaturgo pelo prêmio Questão de Crítica. Foi indicado ao prêmios da Associação dos Produtores de Teatro (APTR ), de “melhor dramaturgia”,  o Prêmio Cenym de Teatro Nacional, de “melhor monólogo” e de “preparação corporal”, e ainda o Cesgranrio nas categorias “melhor autor”, “melhor ator” e “melhor espetáculo do ano”.

"Mamãe” dá voz à personagem Marta que, ao perder as faculdades cerebrais, começa a expandir sua consciência a limites inesperados. “Eu sou o cérebro dela. Aqui a dramaturgia é usada como limite entre o ato e o teatro”. O monólogo traz à cena os tabus que permeiam a morte, as variações do consciente e os limites do amor entre mãe e filho. 

A montagem foi construída através de parcerias entre Álamo e pessoas pelas quais cultiva respeito e admiração. “Este é um espetáculo híbrido. Eu o dirijo, mas ao mesmo tempo, convido o César Augusto, que é um artista que eu admiro muito, para colaborar na direção. Com a Bia Junqueira, que é uma artista plástica em quem confio e admiro, a mesma coisa, chamei para criar uma instalação/cenário comigo. E isso se estendeu ao figurino, iluminação, som, tudo!”. Depois do Teatro Gláucio Gill, a peça segue para o Teatro Cesgranrio, no Rio Comprido, em abril. 

A capa do livro reproduz anotações com lápis coloridos feitas por Álamo, durante o período em que decorava o texto do filme “Sob pressão”, dirigido por Andrucha Waddington. “Cada cor tem um significado intrínseco para a atuação e isso me ajudava a elaborar o processo das cenas”, conta. 

A parceria profissional entre Álamo Facó e César Augusto teve início no primeiro trabalho que levou a assinatura de Álamo, o solo “Talvez”. Com este solo e outros trabalhos, Álamo se apresentou em sete países, pela Europa e América Latina (Inglaterra, Escócia, Alemanha, Holanda, Chile, Argentina e Portugal). 

Ainda em fase de desenvolvimento, a série documental “Break on through”, se detém na pesquisa sobre extensores de consciência e estão previstas entrevistas sobre a ayahuasca, respiração alotrópica, por exemplo. O primeiro episódio será filmado na fronteira entre Brasil e Venezuela, na Serra do Benini, mostrando os efeitos da Yakoana.

Serviço

“Mamãe” - Com Álamo Facó. 

Direção: César Augusto. 

Teatro Gláucio Gill (Praça Cardeal Arcoverde, s/n) - Copacabana.  

Estreia 23 de março, às 21h. Sex a dom, às 21h. Seg., às 20h.

Ingresso: R$ 40 (inteira; R$ 20 (meia) 

Duração: 70 min. 

Lotação: 150 lugares 

Classificação etária: 14 anos



Tags: 20 anos, alamo faco, ator, autor, carreira, performer

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