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Segunda-feira, 25 de Junho de 2018 Fundado em 1891

Cultura

Inspirado em Jacqueline Kennedy Onassis, solo de dança "Jackie" é realizado no Teatro Glaucio Gill 

Pela primeira vez biografia é representada através da dança

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Coreografado e dirigido pelo português André Mesquita e interpretado pela bailarina brasileira Fabiana Nunes, o solo de dança "Jackie" chega ao Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, apresentado pelo Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura, Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro como parte do projeto Paradigma, produzido pela KBMK, que une outras três apresentações de dança contemporânea.

O espetáculo reflete a força de uma mulher que carregou o fardo de um assassinato amplamente midiático e a perda de diversos familiares, mantendo-se visivelmente altiva e aparentemente resiliente.

A apresentação é livremente inspirada no monólogo homônimo da autora austríaca Elfriede Jelinek, que compõe a obra “Dramas de princesas”, juntamente com outros 4 monólogos que retratam a vida de princesas, fictícias, reais ou denominadas como tal por conta do papel que exerceram no mundo, como é o caso de Jackie.

Num texto que transita entre ficção e realidade, utilizando neologismos e constantes referências à filosofia e à música, Jelinek evidencia a personalidade da eterna primeira dama da América, fazendo uma retrospectiva abstrata da vida e do casamento com John Kennedy, bem como dos momentos vividos após o assassinato do marido.

O palco é ocupado principalmente pela figura da intérprete, minimalista e reflexiva, e o espaço composto por mesa, cadeira e luminária, como em uma prisão norte-americana, e conta ainda uma mala, uma bolsa Chanel, um microfone com fio e tripé e uma peruca loira.

"Em dado momento da minha preparação, percebi minha identificação com a vida dela, não em acontecimentos, mas em sentimentos. Aprofundando, entendi que são sentimentos do universo feminino de uma forma geral", comenta a bailarina Fabiana Nunes.

Passados mais de 20 anos de sua morte, Jackie segue sendo uma referência feminina que transcende questões de roupagem e moda, inspirando comportamentos e ressoando um modelo peculiar da posição da mulher no mundo. Sua história inspirou escritores, artistas, mais de 30 biografias, peças teatrais, filmes e, pela primeira vez, um solo de dança. No Brasil, o espetáculo estreou em 12 de novembro de 2016, na Cidade das Artes no Rio de Janeiro. 



Tags: andré mesquita, coreografia, jackie, jacqueline kennedy, morte, teatro

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