Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

Cultura

Superprodução infantil 'Alice no País do Iêiêiê' estreia no Theatro Bangu Shopping

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Para embalar com categoria sua nova produção teatral destinada a crianças e suas famílias, Frederico Reder convidou a premiada atriz e diretora Carla Candiotto, nome de destaque no cenário de teatro infantil, para escrever o texto e dirigir Alice no País do IêIêIê. O espetáculo musical, livremente inspirado no clássico do escritor britânico Lewis Carroll, está em cartaz no Theatro Bangu Shopping até o dia 29 de outubro aos sábados e domingos em dois horários, 15h e 17h.

Espetáculo está em cartaz no Theatro Bangu Shopping até o dia 29 de outubro aos sábados e domingos em dois horários, 15h e 17h
Espetáculo está em cartaz no Theatro Bangu Shopping até o dia 29 de outubro aos sábados e domingos em dois horários, 15h e 17h

Prêmio Governador do Estado para a Cultura em 2015, na categoria Arte para Crianças, pelas peças Simbad o Navegante, Canção dos Direitos da Criança e Cinderela lá lá lá, Carla Candiotto tratou logo de arregimentar sua equipe de criativos, formada pelo light designer Wagner Freire, o diretor musical Daniel Rocha, o cenógrafo e figurinista Marco Lima, que ao lado de Bebel Ribeiro também assina colaboração dramatúrgica.

Fernando Escrich ocupa a cadeira de diretor assistente e preparador de atores. A eles, junta-se o coreógrafo Victor Maia, responsável pela área em 60! Década de Arromba -  Doc. Musical, que também integra o elenco ao lado de Amanda Doring, Deborah Marins, Giu Mallen, Leandro Massaferri, Leo Araujo, Pedro Arrais, Rodrigo Naice, Rosana Chayn e Victor Maia.

Para a encenação, a experiente Carla precisava de uma trama para encantar os pequenos sem deixar de envolver os mais velhos, uma das marcas registradas do trabalho da atriz e diretora. Assim, criou o enredo costurando a história ao redor de canções que foram sucessos de Roberto Carlos e Erasmo Carlos (O Calhambeque, Ele é o Bom, Meu Bem, Não Quero Ver Você Triste Assim, Negro Gato, Quero que Vá Tudo para o Inferno, Festa de Arromba), Rita Lee (Esse Tal de Rock'n'roll Sucesso Aqui Vou Eu) e Ronnie Von(Meu Bem, versão para Girl de Lennon e McCartney).

Na Alice de Carla Candiotto, a sonhadora personagem-título é uma menina deslocada, que foge aos padrões e sofre bullying na escola. Graças ao avô, dono de lojinha de discos e amante da Jovem Guarda, ela vai ganhar uma força e ir ao encontro do que sabe fazer de melhor: cantar. Estimulada e inspirada pelo avô, Alice descobre sua coragem para cantar.

Ela embarca, então, num mundo de fantasias, quando é engolida pela radio vitrola portátil e transportada para a década de 60. Vai parar no auditório de um programa de TV, encontra o Coelho/Produtor, os personagens Boyzão, Boyzinho, boyzudo e boyzeco e a Cantora Diva até chegar ao Rei. Em suas aventuras, Alice enfrenta muitos perigos até conseguir voltar para o mundo real. “Com a força e o empurrãozinho do avô, que sempre acreditou na neta, Alice se enche de coragem e determinação para ir atrás de seu desejo de cantar", diz a diretora, completando que a peça, além de homenagear os anos 60, mostra o quanto é importante a criança receber o incentivo da família para se desenvolver.

Sobre Produção, Cenografia e Figurino

"Nossa proposta com a encenação de Alice no País do Iê Iê Iê é a junção de dois mundos transgressores, mágicos e românticos", conta Frederico Reder. De um lado, o clássico Alice no País das Maravilhas, um dos contos mais célebres do gênero nonsense, escrito por Lewis Carroll, em 1865. De outro lado, a Jovem Guarda, movimento que deu origem a uma nova linguagem musical, ajudando a mudar o comportamento de uma geração nos anos 60. "Influenciada pela música dos Beatles e de outros músicos britânicos e americanos, sua alegria e descontração transformaram-na em um dos maiores fenômenos nacionais do século 20", afirma Fred.

São 70 figurinos, 10 trocas de cenários e 11 movimentos de projeção, recurso usado para dar suporte à cenografia e induzir ar plateia a entrar nos delírios de Alice. A projeção também faz a ligação das cenas e aponta os caminhos da personagem. Para a criação das peças – confeccionadas em tecidos como malha, lãs e brilhos –, o cenógrafo e figurinista Marco Lima buscou referências na década de 60, inspirando-se na estética dos programas de TV e dos discos de vinil, entre outras informações. "Pesquisei Courrèges, Dior e Pierre Cardin, estilistas significativos daquele tempo", conta ele, que usou muito glitter e formas geométricas. "Tem o figurino espacial do Pierre Cardim, quando o homem estava pisando na Lua", exemplifica.

Para conceber os cenários, Marco buscou informações na memória afetiva de sua infância, quando assistia ao desenho animado Os Jetsons. "Tem uma pitada de cada coisa nesse liquidificador de estilos, coisas identificáveis, outras nem tanto. Vamos fazer um mergulhão psicodélico para induzir o público a esse universo que todos têm no imaginário, vai ser um grande barato", diz, guardando segredo sobre a cena da Diva/Lagarta, recheada de cogumelos.

Sobre Coreografia e Direção Musical

A direção musical é feita a quatro mãos por Daniel Rocha e Daneil Tauszig, responsáveis pela adaptação das canções selecionadas para o espetáculo, de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, Rita Lee e Ronnie Von, todas criações compreendidas entre os anos 1960 e 1972. Na pesquisa estão as referências que supostamente influenciaram os compositores da Jovem Guarda e incluem adaptações de Chuck Berry, Beach Boys, Elvis Presley e Beatles. No caldeirão de influências da dupla de criadores há espaço, ainda, para  outras homenagens e brincadeiras que o público ouvirá. "Como na citação da música Eu Não Quero Ver Você Triste Assim, de Roberto Carlos, com arranjo inspirado no Noturno Sereias, de Claude Debussy", informa Daniel Rocha.

Sobre o trabalho de coreografar o espetáculo, Victor Maia aborda o desafio de conquistar o coração das crianças. "Ao contrário do público adulto, que precisa ser hipnotizado por meio do show, da surpresa, dos movimentos e passos mirabolantes, as crianças querem ouvir uma boa história, principalmente. Mais que provocar efeitos, a dança na peça tem a função de ajudar a contar uma história", diz. Maia ressalta, também, a ponte com o universo dos anos 60, com o rock'n'roll e o iê iê iê que requer uma característica bem específica de movimentos. "É muito gostoso tentar transformar os passos dessa década numa história para criança, o público mais difícil de ser conquistado."

Tags: apresentação, arte, cultura, musical, rio de janeiro, teatro

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