Jornal do Brasil

Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

Cultura

Última semana da exposição ‘O percurso dos planetas’ no Parque das Ruínas, em Santa Teresa

Mostra tem entrada gratuita e vai até domingo, 24 desetembro

Jornal do Brasil

Chega em sua última semana a exposição sobre o sistema solar que marcou a estreia da artista Renata Adler no Rio de Janeiro.

A mostra na Galeria do Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas, apresenta 26 obras da exposição 'O percurso dos planetas'. O trabalho propõe um diálogo entre a terra e os planetas, faz uso de técnicas que provocam reações químicas na matéria, utiliza luzes de led, vidros e diversos elementos inusitados.

Renata costuma trabalhar sobre formas que foram previamente desenhadas e sobre as quais acrescenta as cores, observando o seu efeito e sua interação na sua própria alquimia
Renata costuma trabalhar sobre formas que foram previamente desenhadas e sobre as quais acrescenta as cores, observando o seu efeito e sua interação na sua própria alquimia

O trabalho de Renata remete a uma frase famosa do químico e filósofo francês Lavoisier: “Nada se perde, tudo se transforma”, ao lembrar que uma das mais importantes pesquisas do químico foi determinar a natureza do fenômeno de combustão ou de oxidação rápida.

 O trabalho propõe um diálogo entre a terra e os planetas, faz uso de técnicas que provocam reações químicas na matéria
 O trabalho propõe um diálogo entre a terra e os planetas, faz uso de técnicas que provocam reações químicas na matéria

“O que me interessa é justamente a energia da reação das matérias. Nas minhas esculturas em ferro ou outros materiais tento provocar o estado da matéria e suas contribuições às revoluções químicas – por vezes técnicas experimentais e epistemológicas. Sem hesitar costumo utilizar elementos incomuns, como por exemplo, o café, que assim acrescentam outra dimensão sensorial”, explica Adler. 

“A palavra cosmos vem do Latim ‘cosmos’ (mundo) e que por sua vez vem do grego antigo ‘kósmos’ (ordem, ordenado). E por extensão significa ordem do universo. Os planetas, as galáxias, e as estrelas de minhas obras, não falam apenas de tudo que existe. Tentam propor na verdade uma filosofia que evoca um universo como um sistema bem organizado. Numa época na qual as novas gerações estão curvadas com os olhos colados nas telas, eu gostaria de convidá-las a erguerem a cabeça e olhar para um céu que muitos de nós negligenciamos a existência”, explica.

Renata costuma trabalhar sobre formas que foram previamente desenhadas e sobre as quais acrescenta as cores, observando o seu efeito e sua interação na sua própria alquimia. Segundo o crítico de arte Marc Pottier, que passou a se interessar pelo trabalho da artista após uma visita ao seu ateliê, as formas e as cores em seu trabalho não são o resultado de simples associações de ideias arbitrárias, mas sim de uma experiência interior nas quais as pinturas abstratas remetem aos sentidos.

“Se na obra 'Mundo Entrelaçado' ela optou por não agir nos materiais utilizados, deixando-os se transformar sem nenhuma interferência, já nos 'Planetas', ao contrário, pinta sobre eles delicadas paisagens coloridas que irão evoluir ao longo do tempo. Existe a vontade de falar de ‘impressões’ mesmo que suas obras não sejam impressionistas no sentido da palavra. Isto porque, além deste diálogo entre a matéria e a pintura, ela ama também a luz. Ela está presente nos “Planetas” através de leds discretamente colocados atrás das placas trabalhadas”, comenta.

O trabalho de Renata remete a uma frase famosa do químico e filósofo francês Lavoisier: 'Nada se perde, tudo se transforma'
O trabalho de Renata remete a uma frase famosa do químico e filósofo francês Lavoisier: 'Nada se perde, tudo se transforma'

Renata Adler é jornalista e atuou em grandes veículos por mais de 10 anos, assim como, formou-se bacharel em artes pela universidade em Boston, Massachusetts, Estados Unidos, e também em artes visuais pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, tendo como mentor o professor João Carlos Goldberg. A carioca flerta com o mundo da arte desde a infância. Sempre amou pintar, fotografar, inclusive revelando ela mesma as fotos, mas acabou sendo atraída pela escultura. E sua fascinação pelo sistema solar foi o que a levou a exposição 'O Percurso dos Planetas'.

Em paralelo a exposição no Parque das Ruínas, 11 obras exclusivas da artista poderão ser visitadas nos jardins e no restaurante do Hotel Santa Teresa Rio MGallery by Sofitel (Rua Almirante Alexandrino, 660) até o dia 16 de outubro, com entrada gratuita.

Serviço: Exposições 'O percurso dos planetas', com coordenação Geral: Katia d’Avillez

Visitação: de 02 a 24 de setembro, de terça a domingo, das 08h às 18h

Local: Galeria do Centro cultural Municipal Parque das Ruínas - Rua Murtinho Nobre, 169

Entrada gratuita

Mais ifnromações: (21) 2215-0621

Tags: artes plásticas, diálogo, esculturas, lavoisier, led, luzes, planetas, reações químicas, terra, transformação, vidros

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