Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Cultura

Z42 Arte Contemporânea e Projeto FOZ apresentam a exposição “Circularidade Vã”

Jornal do Brasil

Como primeira ação do projeto FOZ, a Z42 Arte Contemporânea inaugura, no dia 12 de setembro, a exposição “Circularidade Vã”. Com curadoria de Guilherme Marcondes e João Paulo Quintella, e assistência de Ana Bourdagohe, a coletiva reúne pinturas, esculturas, objetos, vídeos e performances, de onze artistas que quebram os paradigmas de percepção, direção e confrontamento com o estado de coisas.

O ponto de partida conceitual foram obras que traziam uma questão da circularidade aparente. “O símbolo, a forma, o movimento circular, traz repetições, mas também alterações para a sociedade de uma forma geral (no movimento político, no movimento estético). Fomos desenvolvendo o fio condutor da mostra pensando nesta expansão: não tanto numa questão formalista, mas sim neste círculo que se expande tanto para o corpo, quanto nas telas e em outros suportes. Como o afeto, essa circularidade que vai permeando em vários sentidos”, explicam os curadores.

Participam os artistas: Andre Terayama, Bia Martins, Daniel Albuquerque, Davi Pontes, Felipe Barsuglia, Gabriela Mureb, Iabah Bahia, João Modé, Maria Laet, Nike Arnold e Pablo Ferreti
Participam os artistas: Andre Terayama, Bia Martins, Daniel Albuquerque, Davi Pontes, Felipe Barsuglia, Gabriela Mureb, Iabah Bahia, João Modé, Maria Laet, Nike Arnold e Pablo Ferreti

Participam os artistas: Andre Terayama, Bia Martins, Daniel Albuquerque, Davi Pontes, Felipe Barsuglia, Gabriela Mureb, Iabah Bahia, João Modé, Maria Laet, Nike Arnold e Pablo Ferreti. 

Sobre as obras

Andre Terayama apresenta os vídeos: “Fúria Centrípeta” e “Fúria Centrífuga”. Em um, ele desenha um círculo com giz no chão, reforçando as linhas, para depois apagar com o próprio corpo, em um exercício vão. Ele vai girando, ficando tonto e isso também reverbera no corpo, no senso de equilíbrio e percepção. Isso reverbera em várias questões da História da Arte como o De Kooning apagado pelo Rauchenberg; até outras performances dos anos 1960. 

Em uma ação gestual, Bia Martins quebra uma escultura clássica, que ela produziu durante seu curso na Escola de Belas Artes. Ela jogou a peça do alto da instituição e apresenta na mostra o vídeo do ato e seus resultados em um embate com a academia, este grande cânone. No dia do evento, a artista também fará uma ação intitulada “Queimada”, na qual ela prepara uma bebida lendo um texto junto com o público, aglutinando pessoas dentro deste círculo comum.

Daniel Albuquerque apresenta trabalhos que podem ser entendidos tanto quanto pintura como escultura através de tricôs e esculturas feitas com gesso, cimento e tinta spray. As obras são gestos que transcendem o objeto, mas ao mesmo tempo são extremamente materiais. 

Na abertura da coletiva, Davi Pontes realiza a performance “Descolonizando o corpo”, feita a partir de fumaça e ventiladores. Ele pesquisa sua relação com o espaço ao movimentar o corpo enquanto a máquina defuma o espaço através de um processo ritualístico. De maneira espectral, ele infla uma forma de vulto.  

Felipe Barsuglia expõe obras pequenos formatos com tom irônico, que desafiam a pintura como a grande arte clássica. Ele leva isso ao limite, como, por exemplo, quando utiliza uma flanela como tela, quebrando processos históricos. O artista ao mesmo tempo reivindica, cancela o estatuto da pintura. 

Uma máquina que tensiona a circularidade é o trabalho de Gabriela Mureb. A máquina e o motor têm uma função a cumprir, e ela tira essas características de utilitário, restando apenas um valor estético da correia girando. Suas obras fazem barulho e permeiam o espaço do cubo branco de uma forma diferente. “Se estamos pensando outros usos de um material que é industrial, que pressupõe um uso específico, e aqui estamos falando de outros usos possíveis das coisas do mundo”, dizem os curadores.

Já o artista Iabah Bahia apresenta sua pesquisa sobre o corpo. Ao longo da montagem da exposição, ele produziu dispositivos de cimento e areia, esculturas que molda em seu corpo. É um processo de pensar no cimento, concreto, que é tão sólido e oprime, mas também expande e o sujeito é capaz de tensioná-lo. 

Importante artista carioca, João Modé apresenta uma instalação/escultura que tem a leveza de encontrar nos materiais outras formas de percebê-los. 

Uma instalação de Maria Laet ocupa um quarto escuro da Z42 e o público vai entrar e se mover reverberando o som de bolinhas de terapia chinesa, propagando sons e sensações.

Em sua obra, a artista alemã Nike Arnold está preocupada em encontrar em movimentos que estão ligados à energia (como por exemplo a eólica), maneiras de como o mundo está revertendo movimentos naturais em processos industriais de consumo, através de um vídeo de uma visualidade contemplativa. Um segundo trabalho, ela mostra um processo de cremação, onde não aparecem pessoas, trazendo questões sobre o ciclo de vida e morte na cultura alemã. 

Pablo Ferreti trabalha com pinturas em médio formato à óleo, a partir de apagamentos. Ele começa com um processo figurativo, e depois com o uso de solventes e tintas, ele vai transformando em algo mais abstrato. Ele cria para retirar, desfazer. As formas indicam que elas não surgiram do nada, elas ainda guardam alguns dados e resquícios dessa origem na figuração.

Durante a abertura os artistas residentes da Z42 estarão com ateliês abertos para visitação. São eles: Jorge Barata, Katia Wille, Maria Lúcia Fontainha, Marcio Atherino e Rona Neves.

Sobre o FOZ 

Projeto voltado para programação e conteúdo em arte contemporânea na Z42 Arte Contemporânea; um espaço de produção e disseminação de conhecimento e pesquisas em arte stricto senso bem como em seus cruzamentos com a arquitetura, filosofia, psicanálise e correlatos. É uma ideia da FOZ de desaguar, deixar práticas artísticas contemporâneas virem à tona, testando diversos formatos possíveis dentro da arquitetura da casa. 

Sobre a Z42

Localizada numa casa de arquitetura eclética dos anos 1930 com 1.500 m2, a poucos minutos da Estrada de Ferro do Corcovado, a Z42 Arte se apresenta como um espaço de interação artística a fim de promover através de debates, workshops e cursos especializados, um mergulho na contemporaneidade e atemporalidade da arte. Atualmente a Z42 Arte abriga ateliês de seus artistas residentes, um auditório e cinco espaços expositivos com projeto arquitetônico de Ivan Pascarelli e projeto de iluminação assinado por Rogério Emerson.

Serviço: 

Exposição “Circularidade Vã”

12 de setembro a 21 de outubro de 2017

Curadoria:  Guilherme Marcondes e João Paulo Quintella, e assistência de Ana Bourdagohe

Z42 Arte Contemporânea

Rua Filinto de Almeida, 42 – Cosme Velho

Funcionamento: de terça a sexta, de 11h a 19h. Sábados e domingos, de 12h a 18h. 

Entrada gratuita

Telefone: (21) 3269-3227Insira o corpo da noticia aqui.

Tags: cultura, direita, igreja, juventude, papa francisco, religião

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