Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

Cultura

Ensaios de Tamsin Spargo chegam ao Brasil pela Autêntica Editora

Coleção mostra ideias de Foucault sobre sexualidade e as relaciona com teoria queer

Jornal do Brasil

O uso da palavra “queer” tem se tornado cada vez mais comum. A origem do movimento remonta a fins dos anos 1980 nos Estados Unidos, como uma resposta ao padrão binário de gênero, às normas e à opressão social a tudo que diverge, que é “excêntrico”, “esquisito”, “diferente”. Mas onde se assentam as bases filosóficas e culturais que deram origem ao que hoje chamamos de teoria queer?

Para Foucault, gênero e sexualidade são categorias construídas pelo discurso, pela história, pela cultura e pela sociedade. Em Foucault e a teoria queer – seguido de Ágape e êxtase: orientações pós-seculares, lançamento da coleção Argos, Tamsin Spargo oferece uma introdução das principais ideias do filósofo presentes em História da sexualidade, e as relaciona com o desenvolvimento da teoria queer.

No ensaio que dá título ao livro, a escritora analisa os principais pontos apresentados por Foucault para definir a teoria queer e utiliza ideias de autoras como Eve K. Sedgwick, Gayle Rubin, Judith Butler e Teresa de Lauretis como suporte para discutir conceitos de heteronormatividade, performatividade, transgeneridade, libertação sexual e o impacto da aids nas teorias da sexualidade.

Tamsin Spargo oferece livro essencial para entender bases da teoria queer 
Tamsin Spargo oferece livro essencial para entender bases da teoria queer 

No segundo ensaio, Spargo questiona o desenvolvimento da teoria até o momento e a relaciona com os estudos pós-estruturalistas e pós-seculares. Ao tratar das ideias de filósofos, teólogos e teóricos do queer tão diversos quanto Sara Ahmed, Marcella Althaus-Reid e Slavoj Žižek, Spargo sugere que os conceitos de ágape e êxtase podem sinalizar modos de pensar que transcendam os fundamentalismos, tanto na ciência quanto na religião.

Traduzida pela jornalista e cientista social Heci Regina Candiani, a edição conta com posfácio do sociólogo Richard Miskolci, que contextualiza amplamente a História da sexualidade, de Foucault, e apresenta novos caminhos para a discussão da teoria queer.

Por meio de uma narrativa clara e objetiva, Tamsin Spargo oferece um livro essencial para entender as bases da teoria queer e como a cultura LGBTQ mundial se apropriou de uma palavra ofensiva e a ressignificou em defesa das identidades individuais.

Lançada em 2017 pela Autêntica Editora, a coleção Argos reúne obras clássicas e contemporâneas que fomentam o debate sobre estudos de gênero e teoria queer. Alinhada à evolução dessas discussões nos últimos anos, a coleção se propõe a contribuir com um referencial que convide ao diálogo. Entre os títulos já lançados, estão: Argonautas, de Maggie Nelson; Flor de açafrão, de Guacira Lopes Louro; e Desejos digitais, de Richard Miskolci.

Tamsin Spargo é escritora e historiadora cultural. Sua carreira acadêmica perpassa instituições como a Universidade John Moores, em Liverpool, Reino Unido, onde foi professora adjunta de História Cultural e diretora da Escola de Artes, Crítica e Mídia; e a Universidade de Malaya, na Malásia, onde lecionou Literatura Inglesa. Entre seus livros estão Reading the Past (Palgrave), Wanted Man: The Forgotten Story of an American Outlaw (Bloomsbury) e John Bunyan (Northcote House). Spargo mora na Cornualha, Sul da Inglaterra, onde trabalha como escritora e realiza atividades comunitárias.

A tradutora, Heci Regina Candiani, é cientista social e jornalista. Atualmente, realiza seu doutorado em Estudos de Gênero pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com uma pesquisa sobre a obra de Simone de Beauvoir. Traduziu Mulheres, raça e classe e Mulheres, cultura e política, de Angela Davis, e Conversas com Elizabeth Bishop, organizado por George Monteiro.

Tags: foucault, gênero, livro, queer, sexualidade, tradução

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