Jornal do Brasil

Sábado, 27 de Maio de 2017

Cultura

Livro revela cotidiano de violência, crime e corrupção no sistema penitenciário do Rio

Atormentado pelas drogas e pela paixão turbulenta, jovem empresário relata podridão das cadeias

Jornal do Brasil

Em uma viagem ao submundo das cadeias do Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro, Quando a liberdade vira pó (Babilonia Cultura Editorial) relata a falência do sistema penitenciário do estado. As memórias de Pedro Madsen Andrade, empresário de classe média preso por envolvimento com drogas, são o fio condutor do livro, que evidencia o cotidiano de violência, crime e corrupção atrás das grades. O livro será lançado hoje (19), às 19h, na Livraria Travessa do Shopping Leblon

Pedro permaneceu 498 dias em Gericinó, onde passou por três unidades. Numa delas, em celas imundas, sem qualquer manutenção e superlotadas de homens em total ociosidade, ele viu o tráfico de cocaína e maconha funcionar a pleno vapor. Em outra, testemunhou e constatou na própria pele a truculência com que guardas tratam os detentos. E, ainda, conviveu de perto com “personagens” da crônica policial do Rio, como o polêmico pastor Marcos Pereira, o enfermeiro do Quinta D’Or acusado de violentar uma paciente, o braço direito do chefão dos caça-níqueis Fernando Ignácio, ente outros.

Obra está sendo lançada pela editora Babilônia
Obra está sendo lançada pela editora Babilônia

Foi nesse ambiente hostil, porém, que Pedro encontrou forças para se livrar da dependência química e a encontrar novos significados para a própria vida. Antes entregue à cocaína e à paixão por uma mulher, após sua prisão redescobriu a religiosidade, perdida na adolescência, e passou a ter o desejo de ajudar os companheiros de cela.

Páginas com cheiro de cadeia

Por ter uma história que destoa da grande maioria dos presidiários, o autor narra sua experiência de forma detalhada e sem papas na língua. Em diálogo com esse depoimento – além de outros, como o do jornalista investigativo João Antônio Barros e da advogada Maíra Fernandes, ex-presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro –, a jornalista Fernanda Portugal compõe a reportagem com apuração sobre o sistema carcerário brasileiro, deixando o cheiro de cadeia ainda mais forte ao olfato do leitor.

Tal cheiro vem de celas imundas e sem qualquer manutenção, superlotadas de homens em total ociosidade, acusados de estupro, assassinato e tráfico de entorpecentes, em que o autor – um jovem de classe média em tratamento contra a dependência química – viu circularem livremente cocaína, maconha e celulares

Reportagem, romance, denúncia

Quando a liberdade vira pó é resultado das memórias do autor, em depoimento a Fernanda Portugal, complementadas por apuração jornalística.

Para Técio Lins e Silva, advogado criminal e presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), que assina um dos textos de capa do livro: “Nada é mais atual do que a realidade das prisões, relatada sem nenhum exagero e, por isso mesmo, matéria-prima para mudar o que jamais deveria existir. Este livro deveria ser leitura obrigatória para o ingresso na magistratura e no Ministério Público. Só poderia tomar posse nessas funções o candidato que tivesse lido esta reportagem/romance/denúncia e revelasse o seu grau de emoção diante dos fatos descritos de forma limpa e delicada", afirma.

Pedro Madsen Andrade foi criado com amor e conforto em uma família de classe média carioca. Deu trabalho aos pais, mas quase nada que fugisse ao script da adolescência. Aos 27 anos, viu-se arrebatado pela paixão por uma mulher. Com o coração numa gangorra, logo começou outro relacionamento sério – desta vez, com a cocaína. Passou a cheirar sem freios, mesmo ao volante. De empresário se tornou presidiário. Hoje, Pedro trabalha com aconselhamento em dependência química e palestra sobre sua experiência transformadora na prisão, além de ser graduando em psicologia e teologia, e se dedicar ao estudo de filosofia e antropologia.

Fernanda Portugal decidiu ser jornalista por gostar de escrever. No último ano na UFRJ, em um estágio no Jornal do Brasil, se apaixonou pela reportagem policial. Foi repórter e editora de O Dia, nas editorias de Cidade, Saúde, Internacional e Meio Ambiente. Com reportagens ligadas a segurança pública e direitos humanos, ganhou três vezes o prêmio SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa).

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS

Quando a liberdade vira pó

Editora: Babilonia Cultura Editorial

Lançamento: Maio 2017

Autores: Pedro Madsen Andrade e Fernanda Portugal

Formato: 15,5 x 23 cm

Páginas: 208

Peso: 572g

Acabamento: Brochura

ISBN: 978-85-66317-16-9

Preço de capa: R$ 52,90

Tags: cultura, lançamento, livro, prisional, Rio, Sistema

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