Jornal do Brasil

Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

Cultura

Tom Zé comemora 80 anos com 'Canções eróticas de ninar'

Show rememora como os assuntos de sexo (não) eram tratados na infância e juventude do cantor 

Jornal do Brasil

A Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe, nos dias 25, 26 e 27 de maio (quinta, sexta e sábado), às 19h, o cantor e compositor baiano Tom Zé na turnê comemorativa de seus 80 anos.

Serão três apresentações do show 'Canções eróticas de ninar', com ingressos a preços populares.

O show leva o mesmo nome do álbum mais recente do artista, que revisita suas mais tenras memórias sobre a descoberta do sexo, quando ainda era um garoto e pouco se falava no assunto na Bahia dos anos 1940/1950.

“Na minha infância, a sabedoria popular, a intuição aguda do mundo folclórico, criou, com sua ‘urgência didática’, uma escola à nossa volta para salvar aquela geração, evitando que chegássemos à idade adulta completamente ignorantes quanto à sexualidade”, explica Tom Zé. “O fato é que só agora, aos 80 anos, encontrei forças para mergulhar na questão, embora ela seja sempre presente, como o ar; é mote onde se contêm: curiosidade, brincadeira, segregação, blasfêmia, oração. E principalmente envolve vida e morte, sendo algumas vezes metáfora desta e (alô, Courbet!) a própria origem da primeira”, complementa. 

Em 'Canções eróticas de ninar', Tom Zé revisita suas memórias sobre a descoberta do sexo, quando ainda era um garoto e pouco se falava no assunto na Bahia dos anos 1940/1950
Em 'Canções eróticas de ninar', Tom Zé revisita suas memórias sobre a descoberta do sexo, quando ainda era um garoto e pouco se falava no assunto na Bahia dos anos 1940/1950

A mesma banda que gravou o disco 'Canções eróticas de ninar' acompanha Tom Zé no show, sendo formada por músicos que trabalham com ele há mais de vinte anos: Cristina Carneiro (teclado/vocal), Jarbas Mariz (percussão, bandolim, viola 12 cordas e vocal), Daniel Maia (guitarra/vocal), Felipe Alves (nos instrumentos experimentais Berimblanck, buzinório e vocais) e Rogério Bastos (bateria).

No repertório, canções dançantes e inventivas temperadas pelo afiado humor de Tom Zé. Novos hits como Sobe ni mim, No tempo em que havia moça feia e Por baixo se mesclam a sucessos sempre lembrados por seus fãs, a exemplo de Made in Brasil; Augusta, Angélica, Consolação; e 2001.

O artista

Nascido em 11 de outubro de 1936, em Irará/Bahia, Tom Zé foi criado em uma família de classe média, economicamente favorecida pela “sorte grande” de seu pai na loteria federal. 

Em Salvador, no curso secundário, se interessou por música e cursou, por seis anos, a Universidade de Música da Bahia. Já em São Paulo, participou de Arena Canta Bahia, musical dirigido por Augusto Boal, e da gravação do disco definidor do Tropicalismo, Tropicália ou panis et circensis, em 1968. No mesmo ano, levou o primeiro lugar no IV Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com a canção São São Paulo, meu amor e gravou seu primeiro disco, Tom Zé – Grande liquidação, que tematiza a vida urbana brasileira em música e texto renovadores.

Um artista de projeção internacional, Tom Zé possui, hoje, 80 anos e 28 álbuns de estúdio lançados até o momento. Premiado, entre seus maiores destaques encontram-se o Prêmio Shell pelo conjunto da obra, em 2003; o prêmio de Artista do Ano pela Revista Bravo, em 2006, e o Prêmio Governador do Estado – Destaque em Música, dado pelo Governo do Estado de São Paulo, em 2010.

O cantor ainda foi tema de três documentários, também premiados: Tom Zé, ou quem irá colocar uma dinamite na cabeça do século? (2000), de Carla Gallo; Fabricando Tom Zé (2006), de Décio Matos Júnior e Tom Zé – Astronauta libertado (2009), do cineasta espanhol Igor Iglesias.

Ficha técnica

Voz: Tom Zé

Teclado e voz: Cristina Carneiro

Percussão, bandolim, viola de 12 cordas e voz: Jarbas Mariz

Guitarra e voz: Daniel Maia

Instrumentos experimentais Berimblack, buzinório e voz: Felipe Alves

Bateria: Rogério Bastos

Serviço: Show Tom Zé em 'Canções eróticas de ninar'

Data: 25 a 27 de maio (quinta, sexta e sábado), às 19h

Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro (Teatro de Arena) - Av. Almirante Barroso, 25 – Centro

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Lotação: 226 lugares (mais 4 para cadeirantes)

Classificação indicativa: 16 anos

Mais informações: (21) 3980-3815

Tags: #80anos, Bahia, compositor, mpb, música, tropicalismo

Compartilhe: