Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Novembro de 2017

Cultura

Tom Zé comemora 80 anos com 'Canções eróticas de ninar'

Show rememora como os assuntos de sexo (não) eram tratados na infância e juventude do cantor 

Jornal do Brasil

A Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe, nos dias 25, 26 e 27 de maio (quinta, sexta e sábado), às 19h, o cantor e compositor baiano Tom Zé na turnê comemorativa de seus 80 anos.

Serão três apresentações do show 'Canções eróticas de ninar', com ingressos a preços populares.

O show leva o mesmo nome do álbum mais recente do artista, que revisita suas mais tenras memórias sobre a descoberta do sexo, quando ainda era um garoto e pouco se falava no assunto na Bahia dos anos 1940/1950.

“Na minha infância, a sabedoria popular, a intuição aguda do mundo folclórico, criou, com sua ‘urgência didática’, uma escola à nossa volta para salvar aquela geração, evitando que chegássemos à idade adulta completamente ignorantes quanto à sexualidade”, explica Tom Zé. “O fato é que só agora, aos 80 anos, encontrei forças para mergulhar na questão, embora ela seja sempre presente, como o ar; é mote onde se contêm: curiosidade, brincadeira, segregação, blasfêmia, oração. E principalmente envolve vida e morte, sendo algumas vezes metáfora desta e (alô, Courbet!) a própria origem da primeira”, complementa. 

Em 'Canções eróticas de ninar', Tom Zé revisita suas memórias sobre a descoberta do sexo, quando ainda era um garoto e pouco se falava no assunto na Bahia dos anos 1940/1950
Em 'Canções eróticas de ninar', Tom Zé revisita suas memórias sobre a descoberta do sexo, quando ainda era um garoto e pouco se falava no assunto na Bahia dos anos 1940/1950

A mesma banda que gravou o disco 'Canções eróticas de ninar' acompanha Tom Zé no show, sendo formada por músicos que trabalham com ele há mais de vinte anos: Cristina Carneiro (teclado/vocal), Jarbas Mariz (percussão, bandolim, viola 12 cordas e vocal), Daniel Maia (guitarra/vocal), Felipe Alves (nos instrumentos experimentais Berimblanck, buzinório e vocais) e Rogério Bastos (bateria).

No repertório, canções dançantes e inventivas temperadas pelo afiado humor de Tom Zé. Novos hits como Sobe ni mim, No tempo em que havia moça feia e Por baixo se mesclam a sucessos sempre lembrados por seus fãs, a exemplo de Made in Brasil; Augusta, Angélica, Consolação; e 2001.

O artista

Nascido em 11 de outubro de 1936, em Irará/Bahia, Tom Zé foi criado em uma família de classe média, economicamente favorecida pela “sorte grande” de seu pai na loteria federal. 

Em Salvador, no curso secundário, se interessou por música e cursou, por seis anos, a Universidade de Música da Bahia. Já em São Paulo, participou de Arena Canta Bahia, musical dirigido por Augusto Boal, e da gravação do disco definidor do Tropicalismo, Tropicália ou panis et circensis, em 1968. No mesmo ano, levou o primeiro lugar no IV Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, com a canção São São Paulo, meu amor e gravou seu primeiro disco, Tom Zé – Grande liquidação, que tematiza a vida urbana brasileira em música e texto renovadores.

Um artista de projeção internacional, Tom Zé possui, hoje, 80 anos e 28 álbuns de estúdio lançados até o momento. Premiado, entre seus maiores destaques encontram-se o Prêmio Shell pelo conjunto da obra, em 2003; o prêmio de Artista do Ano pela Revista Bravo, em 2006, e o Prêmio Governador do Estado – Destaque em Música, dado pelo Governo do Estado de São Paulo, em 2010.

O cantor ainda foi tema de três documentários, também premiados: Tom Zé, ou quem irá colocar uma dinamite na cabeça do século? (2000), de Carla Gallo; Fabricando Tom Zé (2006), de Décio Matos Júnior e Tom Zé – Astronauta libertado (2009), do cineasta espanhol Igor Iglesias.

Ficha técnica

Voz: Tom Zé

Teclado e voz: Cristina Carneiro

Percussão, bandolim, viola de 12 cordas e voz: Jarbas Mariz

Guitarra e voz: Daniel Maia

Instrumentos experimentais Berimblack, buzinório e voz: Felipe Alves

Bateria: Rogério Bastos

Serviço: Show Tom Zé em 'Canções eróticas de ninar'

Data: 25 a 27 de maio (quinta, sexta e sábado), às 19h

Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro (Teatro de Arena) - Av. Almirante Barroso, 25 – Centro

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

Lotação: 226 lugares (mais 4 para cadeirantes)

Classificação indicativa: 16 anos

Mais informações: (21) 3980-3815

Tags: #80anos, Bahia, compositor, mpb, música, tropicalismo

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