Jornal do Brasil

Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Cultura

Corpo de Bárbara Heliodora é cremado no Rio de Janeiro

Amigos e parentes se despedem da crítica teatral, que morreu aos 91 anos

Jornal do Brasil

O corpo da crítica teatral e ensaísta Barbara Heliodora foi cremado às 15 horas deste sábado (11/04) no Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio de Janeiro. Ela morreu nesta sexta (10) no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul, aos 91 anos. A saúde da crítica teatral já vinha debilitada e ela estava internada desde março.

Barbara Heliodora deixou três filhas, de dois casamentos, e quatro netos. Ela era considerada a maior tradutora e divulgadora da obra do dramaturgo inglês William Shakespeare no Brasil. Barbara Heliodora trabalhou de 1958 a 1964 no Jornal do Brasil, onde assinou uma coluna especializada em teatro, no suplemento dominical.

Amigos e parentes foram ao Memorial do Carmo se despedir de Barbara. Patricia Bueno, atriz e filha da crítica e ensaísta, se emocionou diversas vezes e relembrou sua mãe: “Ela era rigorosa porque amava o teatro de uma maneira tão veemente, tão ardorosa que tinha uma exigência muito grande em tudo que via. E nada melhor para ela do que assistir um super espetáculo. Patrícia disse que Bárbara sabia respeitar e honrar o ator como ninguém. "E acima de tudo era minha mãe, uma pessoa fantástica", acrescentou ela, que foi a única entre três irmãs a seguir carreira no teatro.

A atriz Marília Pêra foi uma das primeiras a chegar ao velório e falou sobre sua relação com a crítica e ensaísta, que ia além do trabalho: “Eu primeiro conheci a Bárbara através das criticas ia lendo sobre meus espetáculos, e de colegas. Muitas vezes li coisas lindas que ela escreveu, muitas vezes fiquei assombrada com a coragem dela de falar tão mal. Mas com o correr do tempo fomos ficando mais próximas. Fui a aulas sobre Shakespeare que ela dava na casa dela, li livros dela, aprendi muito. E ficamos amigas”.

O ator Otávio Augusto lembrou da longa amizade: “Eu conhecia a Barbara há muitos anos. Convivi com ela desde que estava no Teatro Oficina em São Paulo e fazíamos temporadas de verão. Sempre ficamos amigos a vida inteira. Era uma pessoa da maior importância para o teatro brasileiro, embora muitos achem que o crítico é contra o teatro. Mas não. A irritabilidade era muito mais para ajudar do que para condenar".

O ator lamentou o recente desaparecimento de ícones da dramaturgia brasileira: "É uma pena. Esses dois últimos anos foram muito terríveis para nós. Estamos perdendo as pessoas de maior talento e são espaços que a gente vê que não estão sendo preenchidos. Infelizmente”.

A atriz Beth Goulart também falou da importância de Bárbara Heliodora: “Perdemos uma grande mãe. Ela tinha essa coisa da mãe rigorosa e amorosa do teatro. Uma mulher que nos ensinou a beleza de amar o teatro. E cada crítica era uma aula,  era um pouco da sabedoria que ela tanto teve com a arte que ela escolheu. Uma grande perda. Estamos mais pobres, menos lúcidos. Perdemos uma grande mulher no teatro”.Outro ator que também compareceu ao velório foi Marco Nanini. Ele falou sobre a amiga: “A Bárbara foi uma pessoa que contribuiu muito com as artes cênicas, fazendo as crônicas dos espetáculos, as críticas. Ela que sempre dizia que o teatro era a forma mais eficiente de retratar a realidade. É triste”, desabafou ele. “Fica uma saudade muito grande dessa mulher que fez um relato todo de uma época do teatro, que é uma arte efêmera e que ela considerava ser o meio de expressão mais direto e mais efetivo do cotidiano humano. E no entanto ela se dedicou a fazer a crítica e a crônica desses espetáculos”.

O ator Edwin Luisi, conta que sua amizade com Bárbara aconteceu de forma natural: "Eu vim de São Paulo e fiquei muito amigo da filha dela, a Patrícia Bueno. Para mim a Bárbara era uma mulher normal. É claro que ela vai fazer falta no panorama teatral, intelectual. Mas para mim quem está indo embora hoje é a amiga, que me recebia muito em casa.

Edwin também falou dos textos de Bárbara Heliodora: “Eu tenho coisas dela que guardo até hoje. Se eu for ler uma crítica da Bárbara fatalmente vou chorar, porque os adjetivos eram muito bonitos”.

A atriz Stella Freitas lembrou com saudades da amiga: “Era uma pessoa com um humor maravilhoso, inteligente demais. Eu adorava isso, porque ela sempre tinha uma coisa engraçada para dizer. Então é isso que eu levo”, lembrou ela. Sobre a crítica teatral, Stella exaltou sua importância: “A Bárbara foi muito temida mas ao mesmo tempo era interessante ter uma pessoa com um olhar tão aguçado por teatro. A gente sente falta disso. Ela teve esse significado para uma geração enorme”.As atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, além do ator Herson Capri também compareceram ao velório e se despediram da amiga e crítica de teatro.  

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Tags: atores, barbara heliodora, morte, teatro, velório

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