Jornal do Brasil

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Cultura

Funk Brasil – 40 Anos de Baile

Musical completa dois anos em cartaz e faz chamada para Rio Parada Funk

Jornal do Brasil

Foram necessários quarenta anos para o funk chegar ao teatro. E ele chega, depois de muita luta, para ficar. Após duas temporadas, apresentação em São Paulo, Goiás, e espirito Santo e quatro prêmios (Prêmio Montagem Cênica, Prêmio Funarte Myriam Muniz, Sesi Cultural, e Governo do Estado 2014), o musical “Funk Brasil Brasil – 40 Anos de Baile” chega, aos Teatros do SESI no RJ, de 08 a 23 de agosto. Na sequência, a história do pancadão e de personagens como Big Boy, Claudinho e Buchecha, Hermano Vianna, DJ Marlboro, Latino, Gerson King Combo e Tati Quebra-Barraco chega a outros municípios do estado em três únicas apresentações no mês de setembro.

Ao longo de sua trajetória, este inédito musical tem conquistado o apoio dos integrantes do funk, como DJ Marlboro, MC Leonardo, MC Júnior, Tati Quebra-Barraco, Grandmaster Raphael, Rômulo Costa, MC Sabrina e tantos outros – que destacam a importância de trazer ao público os detalhes dessa bela história. Só assim para deixar para trás o preconceito que ainda assola o gênero e reativar a cena de bailes cada vez mais escassa. "O funk hoje sofre a maior perseguição de seus 40 anos. De  todos os bailes citados na peça, nenhum está funcionando”, denuncia MC Leonardo. “O sucesso do funk não se mede com música em novela”, completa.

Musical completa dois anos em cartaz e faz chamada para Rio Parada Funk
Musical completa dois anos em cartaz e faz chamada para Rio Parada Funk

Baseado no livro “Batidão – Uma História do Funk”, de Silvio Essinger, “Funk Brasil – 40 anos de Baile” desafia o público a permanecer sentado enquanto, no palco, seis atores revivem esta expressão enérgica e polêmica da cultura nacional. Com direção de Joana Lebreiro (dos musicais "Meu Caro Amigo" e "Aquarelas do Ary", do infantil “Coisas que a Gente Não Vê” e em cartaz com “Jumbo – Eu Visito a Tua Ausência”), a peça começa no Baile da Pesada, anos 70, Canecão, no soul de Big Boy, Dom Filó e Gerson King Combo. Mas é quando Hermano Vianna presenteia DJ Marlboro com uma bateria eletrônica que o gênero transforma-se para sempre. Depois, Latino, Claudinho & Buchecha e o "Rap da Felicidade" tomam o Brasil, de Norte a Sul, das crianças às vovós, e o país chora a perda de Claudinho. Entre a comoção e o riso, a dança e o canto, estes seis atores desdobram-se entre 64 músicas e personagens como Rômulo Costa, Caetano Veloso e a impagável Tati Quebra-Barraco. 

"Apesar de todas as alegrias que já deu para a cidade, o Brasil e o mundo, o funk carioca ainda vive basicamente isolado no mundo dos bailes. Que bom que agora a história desse estilo musical é celebrada também no teatro. O melhor da cultura do Rio tem sido resultado da colaboração entre várias artes. Sempre foi assim e assim será: a mistura inventa aquilo que temos de mais original e enriquece todo nosso panorama artístico. Com 'Funk Brasil - 40 anos de Baile', o funk sai ganhando e o teatro também”. Hermano Vianna, antropólogo e autor de "O Mundo Funk Carioca".

Em uma inédita “peça-baile”, seis funkeiros cantam, dançam e contam a história e os sucessos do funk carioca, desde a febre do soul, nos anos 70, até os dias de hoje. Em cena, Tati Quebra-Barraco, DJ Marlboro, Claudinho & Buchecha, Gerson King Combo, D´Eddy, Latino, William & Duda, Big Boy, Cidinho & Doca, Hermano Vianna e muitos outros.

40 ANOS DE FUNK

No início da década de 70, surge, no Rio de Janeiro, o Baile da Pesada, comandado pelo lendário disc-jockey Big Boy. Era apenas o início de uma trajetória ainda baseada nas influências da música negra americana e na valorização da autoestima black sob a filosofia “Black is Beautiful”, uma revolução de costumes e contestação social. Abalado pelo sucesso da disco, o funk ressurge incorporando a bateria eletrônica, os talentos das próprias comunidades e as primeiras letras em português. Com o sucesso de mídia, por meio de nomes como Claudinho & Buchecha, DJ Marlboro e Tati Quebra-Barraco, o gênero deixa o gueto e passa a  atrair também as classes média e alta do Rio  de  Janeiro  e,  logo,  também o resto do Brasil e do mundo. O fenômeno de massa passa a ser alvo também da observação de estudiosos, como Hermano Vianna e Macael Herschmann, ou de nomes da música como Fernanda Abreu, Caetano Veloso, Lulu Santos e Roberto Carlos. Não importa cor, opção sexual, classe ou nacionalidade, o “batidão” hoje é amado por todos porque funk é ritmo, diversão, movimento, funk é espontâneo, é quadril, alegria, brasilidade, funk é “apenas” música, que quando toca ninguém fica parado.

SERVIÇO: 

Horário: 19:30h | Ingressos: R$ 20,00 | Censura: 10 anos

Temporada: de 08 a 23 de agosto

Dia 08/08 - SESI Petrópolis (Teatro Dom Pedro): Praça Expedicionários, s/n - Centro

Dia 13/08 - SESI Centro: Av. Graça Aranha, n° 1 - Centro

Dia 14/08 - SESI de Macaé: Alameda Etelvino Gomes, 155 - Riviera Fluminense

Dia 15/08 - SESI Campos: Av. Deputado Bartolomeu Lysandro, 862 - Guarus

Dia 16/08 - SESI/SENAI de Itaperuna: Av. Deputado José de Cerqueira Garcia, 883 - Bairro Presidente Costa e Silva

Dia 22/08 - SESI Duque de Caxias: Rua Artur Neiva, 100 - Bairro 25 de Agosto

Dia 23/08 - SESI Jacarepaguá: Av. Getemário Dantas, 940

FICHA TÉCNICA:

Idealizado por Pedro Monteiro e baseado no livro “Batidão - Uma História do Funk”, de Silvio Essinger, espetáculo tem texto de João Bernardo Caldeira e Pedro Monteiro, direção artística de Joana Lebreiro e direção musical de Marcelo Rezende. No elenco estão Alex Gomes, Dérik Machado, Luiza Mayall, Marcelo Cavalcanti, Marcelo Dias, Michelly Campos e Pedro Monteiro.

Tags: batidão, espetáculo, funk, movimento musical, musical

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