Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Cultura

Comédia musical com canções de Rita Lee reestreia na Sala Baden Powell

Jornal do Brasil

Tendo como fio condutor as canções de Rita Lee, Rita, o Musical, reestreia no Teatro Municipal Sala Baden Powell, na próxima quinta-feira (19/6). A comédia musical com texto e direção geral de Flávia Faria Lima trata da juventude e seus dilemas e trás uma proposta inovadora que possibilita a participação do público durante o espetáculo através de um painel interativo.

Rita é uma jovem de família de classe C repleta de dúvidas quanto ao seu futuro e dividida entre dois amores. Apaixonada pelo céu e a sabedoria ancestral, quer cursar astrofísica a contragosto da mãe, que não vê futuro na escolha. Idealista e sonhadora, com um mundo próprio rodeado de livros de mitologia e distante da cultura de massa ao redor, sente-se uma outsider no colégio, mas, como qualquer jovem, não deixa de se sentir seduzida quando Mauricio, o garoto mais cobiçado da escola, se aproxima. De outro lado está Luis, um jovem misterioso, que ninguém sabe bem de onde veio. Participante de manifestações, grafiteiro e repetente, é considerado o bad boy da classe, mas, ainda sim, alguém que consegue enxergar e admirar Rita como ela é.

Comédia musical conta trajetória profissional da cantora e compositora Rita Lee
Comédia musical conta trajetória profissional da cantora e compositora Rita Lee

Ao longo da peça, o que há de verdade em cada um vem à tona. “Gosto de me debruçar sobre as questões humanas e, de um tempo para cá, tenho me ocupado com os ideais e a resiliência dos sonhos dos jovens ao meu redor. Observei que a nossa juventude vacila diante dos sacrifícios que são necessários para sustentar um ideal. Ela brada por muitas bandeiras, mas quantos permanecem no front, quando precisa oferecer mais que um hashtag ou um post de consternação?”, comenta a diretora e autora.

E Flávia completa: “percebo que a maioria dos jovens, e até muitos adultos, estão cansados e sedentos por mudança, mas confusos entre teorias vazias que lhes foram passadas como certas e absolutas e o desejo de um mundo melhor. Tudo muito lindo, mas muito intelectualizado; e me pergunto onde estão os sentimentos cujas raízes têm força motora. As pessoas sabem o que não querem para si e para o mundo, mas quantos têm o que propor? Quero levantar esta discussão e, quem sabe, reinserir no diálogo valores como honra, ideal, palavra e ação.” 

No elenco estão Lívia Dabarian (Rita), Miguel Arraes (Miguez, irmão de Rita), Ana Luisa Leite (mãe de Rita), Marcelo Ferrari (Maurício), Cleiton Morais (grafiteiro), Laura Lobo (a amiga Manu) e Luiza Vitória Maia (Eva). A direção de dramaturgia é assinada por Cleiton Morais, figurinos por Marcello Borges e a iluminação por Ricardo Formiga. Os arranjos vocais são de Wladmir Pinheiro e a direção musical é de Marco Campos, que também está na banda que compõe no espetáculo (violão de 10 cordas) ao lado de Marcello Guimarães (teclado) e Tamir Case (bateria). 

As canções de Rita Lee conduzem e costuram as cenas, com funções intrínsecas, num espetáculo alegre e divertido, assim como Rita Lee. "Só de você", por exemplo, é cantada duas vezes, em contextos opostos, mostrando que o amor, tanto o verdadeiro como o ilusório, podem ter o mesmo discurso, e o que os diferenciará são as atitudes que acompanham as palavras. Entre os hits da cantora/compositora estão no espetáculo “Panis et Circenses”, “Nem Luxo nem Lixo”, “Cor de Rosa Choque”, “Baila Comigo”, “Balada do Louco”, “Caso Sério”, “Mania de Você” e “Ovelha Negra”, entre outros.

A escolha de Rita Lee é uma homenagem da autora e diretora à ex-integrante dos Mutantes. “Sua escolha como trilha sonora condutora do espetáculo foi fundamental para o processo de criação. Ela, que esteve sempre à frente do seu tempo, hoje, estaria ambientada. Acho que nenhuma cantora brasileira refletiria melhor as questões existenciais dos jovens”. “Dói em mim”, composição inédita de Marco Campos com letra de Flavia Faria Lima, completa o repertório.

Música e dramaturgia dialogam com outro elemento da cultura jovem: o grafite. Nas telas que formam o cenário o público verá obras de Marcelo Melo - artista urbano escolhido no concurso Grafite o Mundo da Rita, feito entre os grafiteiros do Rio de Janeiro. O mesmo acontecerá em cada cidade por onde a temporada passar, resultando, ao final, em uma exposição itinerante formando um painel da arte urbana brasileira, com todas as similaridades e peculiaridades da cada região do País.

Em uma das cenas, uma jornalista pergunta a Luis, o grafiteiro, agora um arquiteto bem-sucedido. “Como seus dois lados, de arquiteto e artista visual, dialogam?” Ao que ele responde - “Muito simples. Quando faço meus projetos arquitetônicos não deixo quem eu sou de lado. Meus ideais e a minha arte entram em cada traço”.

“Se me perguntassem qual a mensagem principal que quero passar com a peça”, finaliza Flavia, “eu diria: ‘Respeite os seus sentimentos e sonhos, mas não menospreze a razão. Se a cabeça está acima do coração, é para orientar nossas emoções. Então, a receita é esta, cuide do que põe na cabeça e viva intensamente o que você traz no coração".

SERVIÇO

EspetáculoRita, o Musical

Local: Teatro Sala Baden Powell, (Av. Nossa Senhora de Copacabana 360, Copacabana/RJ – 2548-0421)

Reestreia: dia 19 de junho, quinta – temporada até 20 de julho

Horários: quinta a sábado: 20hs e domingo: 19hs

Preços: R$ 40,00 e meia entrada de R$ 20,00

Capacidade: 496 lugares

Duração: 1h30

Classificação: 14 anos - menores somente acompanhados dos pais

Tags: dilema, espetáculo, juventude, lee, mutantes

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