Jornal do Brasil

Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Cultura

Salvador Dalí terá sua maior retrospectiva no Brasil

Exposição do mestre do surrealismo comemora o aniversário de 25 anos do CCBB Rio

Jornal do Brasil

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB Rio) apresenta, a partir de 30 de maio, a exposição Salvador Dalí. A mostra convida o público a mergulhar por um universo onírico, provocante e fantasioso, formado por 150 peças – 29 pinturas, 80 desenhos e gravuras, além de documentos e fotografias – vindas das principais instituições colecionadoras do artista, a Fundação Gala-Salvador Dalí (Figueres), o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía (Madri) e o Museu Salvador Dalí (Flórida). Organizada pelo Instituto Tomie Ohtake, a exposição apresenta a produção de Dalí desde os anos 1920 até seus últimos trabalhos, proporcionando ao visitante uma clara percepção de sua evolução, não só técnica, mas de suas influências, recursos temáticos, referências ideológicas e simbolismos.

Para o gerente-geral do CCBB Rio, Marcelo Mendonça, não haveria maneira melhor de comemorar o aniversário da instituição. "Em 2001, o CCBB Rio exibiu uma das maiores mostras sobre o Surrealismo já realizadas no país. Foi um marco na história do Centro Cultural, tanto pelo acervo apresentado quanto pelo interesse do público. Em 2014, ano em que celebramos 25 anos de existência do CCBB, trazer para o Brasil o ícone do movimento surrealista é uma oportunidade para festejarmos o quanto o público das artes plásticas cresceu nos últimos tempos e como o Rio de Janeiro adquiriu uma nova imagem ao ser reconhecido como mais uma das grandes cidades do mundo a bater recordes de visitação em exposições de arte", conta. 

A mostra ocupará cerca de 1.000 m² do primeiro andar do CCBB e vai traçar a trajetória do artista passando pelas diversas fases de sua produção. Será possível ver as telas do período de sua formação como pintor – “Retrato del padre y casa de Es Llaner”, de 1920, e o “Autorretrato cubista”, de 23. A fase surrealista, que deu fama mundial ao catalão, será retratada em telas que apresentam seu método paranoico-crítico de interpretação da realidade, com obras muito significativas como “El sentimiento de velocidad” (1931), “Monumento imperial a la mujer-niña” (1929), “Figura y drapeado en un paisaje” (1935) e “Paisaje pagano medio” (1937).

O público poderá conferir ainda a contribuição de Dalí para a sétima arte. Os filmes O cão andaluz (Le chien andalou, 1929) e A idade do ouro (L’age d’Or, 1930), codirigidos por Salvador Dalí e Luís Buñel, e Quando fala o coração (Spellbound, 1945), de Alfred Hitchcock, cujas cenas do sonho foram desenhadas pelo artista, serão exibidos dentro do espaço expositivo, apresentando um pouco mais da diversidade e da linguagem adotada por  Dalí.  O acervo conta também com documentos e livros da biblioteca particular do artista, provenientes do arquivo do Centro de Estudos Dalilianos, que dialogam com as pinturas proporcionando ao visitante uma viagem biográfica e artística pela carreira do pintor.  

É o caso dos títulos Imaculada Conceição (1930), de André Breton e Paul Eluard, e Onan (1934), de Georges Hugnet. As raridades tiveram seus frontispícios assinados por Salvador Dalí e retratam as bases do surrealismo na literatura. O conjunto conta com os desenhos criados para ilustrar o livro Cantos de Maldoror (1869), que inspirou muitos artistas do período, tanto por seu tema quanto por sua descrição de um mundo onírico, tornando o seu autor – Isisdore Ducasse, conhecido como Conde de Lautrémont – um dos precursores do movimento. As ilustrações feitas para os clássicos da literatura mundial Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes, e Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, completam a mostra.

“Queremos mostrar o Dalí surrealista, mas também aquele que se antecipa ao seu tempo, que é audacioso, que defende a liberdade de imaginação do artista em sua própria criação. Ao mesmo tempo, a mostra passeia pela trajetória artística e pessoal de Salvador Dalí”, explica Montse Aguer, curadora da exposição e diretora do Centro de Estudos Dalinianos da Fundação Gala-Salvador Dalí, que fará uma palestra aberta ao público no auditório do quarto andar do CCBB Rio, dia 30, às 18h30.  “Após a visita, todos entenderão sua importância como artista, não só no surrealismo, mas na história da arte. Isso significa uma importante ligação com a arte contemporânea, enquanto Dalí parte de uma profunda compreensão e respeito pela tradição”, conclui.

Para trazer o acervo ao Brasil o Instituto Tomie Ohtake participou de uma longa negociação com os museus envolvidos. “Foram cinco anos de muitas tentativas e conversas com os detentores das grandes coleções de Dalí, para se concretizar as exposições do artista no Brasil, pela primeira vez com pinturas, e com maior concentração na fase Surrealista”, revela Ricardo Ohtake, presidente da instituição.

A exposição é organizada pelo Instituto Tomie Ohtake em parceria do Centro Cultural Banco do Brasil, a Fundação Gala-Salvador Dalí, o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, e o Museu Salvador Dalí. Salvador Dalí ficará em cartaz no CCBB Rio até o dia 22 de setembro e depois segue para São Paulo, onde será realizada no Instituto Tomie Ohtake entre outubro e dezembro. A mostra no Rio de Janeiro é patrocinada e apresentada pelo Banco do Brasil e pelo Grupo Segurador BB e Mapfre, com o patrocínio da Arteris  e o apoio da Brasilcap.

 

Salvador Dalí

Inauguração: 29 de maio.

Exposição: de 30 de maio a 22 de setembro.

Palestra com Montse Aguer, curadora da exposição e diretora do Centro de Estudos Dalinianos da Fundação Gala-Salvador Dalí, no dia 30, às 18h30. Capacidade: 80 lugares.

CCBB Rio de Janeiro

De quarta a segunda, das 9h às 21h.

Rua Primeiro de Março, 66. Centro, Rio de Janeiro, RJ. 20010-000

Telefone: (21) 3808-2020

Tags: Arte, dali, exposição, pintura, quadros

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