Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Cultura

Fãs do One Direction sofrem ameaças e tomam banho por R$ 10

Portal Terra

Que Harry Styles, Zayn Malik, Louis Tomlinson, Niall Horan e Liam Payne atraem multidões por onde passam, não é uma novidade. One Direction é uma das boybands mais bem sucedidas da atualidade e, frequentemente, os garotos são comparados aos meninos de Liverpool - é, os Beatles -, quando o assunto é fama, histeria e milhares de fãs. Mas "acampamento/fila" formado desde março em frente ao estádio, com direito a pulseira de cores diferentes para organizar a ordem das barracas, capaz que seja só no Brasil mesmo.

Desde março deste ano, o Estádio do Morumbi vem recebendo hóspedes que fazem de tudo para ficar mais perto do quinteto. A maioria dos adolescentes tem ingresso comprado para os dois dias de show, sábado (10) e domingo (11). Para ficar tantos dias na fila, eles montaram um esquema de revezamento, para que não seja necessário dormir todo dia no local. Além disso, comem, tomam banho - com toalha o preço é R$ 15, sem é R$ 10 - e vão ao banheiro (R$ 2) em uma pensão próxima ao local do show. 

"Muita gente passa aqui e xinga, diz que somos vagabundos. As pessoas não entendem que temos um revezamento, uma organização. Ninguém aqui está deixando de comer, de tomar banho. Eu como todo dia e muito bem. Tem a pensão aqui do lado. Não é do jeito que as pessoas pensam", explicou Denise Pinheiro, 25 anos, responsável por ajudar a organizar a fila junto com um jovem, que é o primeiro da longa linha de barracas para a entrada do setor branco e está no estádio desde março.

A jovem estudante de Arquitetura mora e trabalha em Itatiba e chegou ao local com uma grande mala nas mãos. Para chegar ao estádio, ela demora cinco horas e, por isso, costuma vir para fila mais os finais de semana.  Já são 47 dias tendo a casa do São Paulo F.C como segundo lar. "Eu acabei virando um pouco mãe da galera que está por aqui por ser mais velha. Então, todos os problemas que surgem acabam falando comigo. As mães, quando sabem que eu tenho 25, vem falar também. É divertido, mas se eu tivesse uma filha, ela jamais estaria aqui sozinha, como muitas estão. É muito perigoso. Só viria se eu estivesse junto", opinou.

Segurança

Para quem está acampado no local, uma das maiores preocupações é a segurança. Depois de muita conversa, os grupos conseguiram grades de proteção para a fila. Os agentes de segurança do Morumbi também acabam ajudando os adolescentes. Em conversa com as jovens Denise, Suany Yamazaki, 16 anos, e Amanda Polônio, 18, reclamaram dos xingamentos diários. "Eles passam por aqui gritando, chamando de 'vagabundos', mostram a bunda, passam batendo ferro nas grades para fazer barulho", contaram.

Denise Pinheiro ressaltou que os problemas não ficam apenas nas agressões verbais. "Tem uns caras que passam aqui abrindo as barracas para ver se tem gente dentro, querem roubar. É bastante perigoso. Um dos dias foi complicado, porque um carro passou xingando e uma das meninas respondeu. Ele parou o carro mais para frente e falou com os seguranças, que ia jogar um coquetel molotov para botar fogo em todas as barracas", contou.

"Conseguimos as grades, o que já ajuda bastante. Agora, a polícia tem passado por aqui também. Mas isso foi nesses últimos dias só. Antes, quando tinha pouca gente, não tinha ninguém por aqui. Dava muito medo, porque é muito perigoso mesmo", completou.

Amor de mãe

Ao lado das adolescentes, um grupo de mães, bem mais tímidas do que as falantes adolescentes, dizia que não dá para deixar as jovens sozinhas. "Eu não deixaria ela vir sozinha. A gente ficaria em casa, preocupada com elas aqui? Tem que acompanhar", disse a mãe de Nathaly, 15 anos. As duas vieram de Porto Alegre (RS) para acompanhar o show de domingo, quando se comemora o Dia das Mães.

"Eu não queria que ela viesse. Chegamos na quarta-feira e até domingo não podemos pensar em sair daqui, não tem como. Eu nunca faria isso, faço por ela, que é fã. Ela perdeu cinco provas, trabalhos. Eu já disse que vai ter que recuperar. Não tem opção. Ela quis vir e eu resolvi acompanhá-la. Mas não é nada fácil", completou.

Um pouco mais atrás na fila, Sandra Lins contou que veio acompanhar a sobrinha de 15 anos. "Está sendo divertido, mas eu cheguei ontem. Sempre gostei de vir a shows. Eu também costumava ficar em filas, como dos Menudos. Gostava de boybands também", contou.

Fortaleza 

Muitos dos adolescentes acampados ao redor do estádio do Morumbi se conheceram pelo Twitter e vieram de lugares distantes para conferir o show do One Direction. Esse é caso de Susana Frota, 20 anos, que veio de Fortaleza (CE) responsável por duas primas menores, de 15 e 16 anos. "É muito divertido, porque já formamos uma família aqui. Todo mundo se ajuda", disse a jovem, que chegou esta semana na fila. 

"Já até pedimos dinheiro no sinal. Primeiro, foi para comprar esfiha para a gente comer e depois para comprar o ingresso de uma das meninas para domingo, conseguimos R$ 270 reais. Teve um cara que deu R$ 20 reais", contou orgulhosa.

"Estou perdendo aula na faculdade. Perdi um seminário. Faço Design de Interiores. Vou ter que correr atrás depois. Compramos os ingressos no dia que anunciaram, nos primeiros 23 minutos que a venda começou. Passei o ano esperando por isso", afirmou.

"É. Uma loucura. Eu também passei o ano esperando pelo show. A vida não tem sentido mais depois que passar o show. Depois que acabar, eu não sei mais como vai ser a vida", completou Gabriella Frota, 15 anos.

Tags: boyband, FILAS, morumbi, show, SP

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