Jornal do Brasil

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

Cultura

Festival de Circo vai transformar o Rio no maior picadeiro do mundo

De 8 a 18 de maio o evento vai receber mais de 300 artistas do Brasil e de outros países

Jornal do Brasil

O Rio de Janeiro vai se transformar no maior e mais concorrido picadeiro do mundo entre os dias 8 e 18 de maio. Nesse período, a cidade vai reunir mais de 50 renomadas atrações de circo contemporâneo, nacionais e internacionais, em cerca de 200 apresentações gratuitas, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Os espetáculos integram a programação do 2º Festival Internacional de Circo do Rio de Janeiro, uma parceria entre Circo Crescer e Viver, Estúdio M’Baraká, a Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de Cultura e o Instituto Pereira Passos/UPP Social. 

Mais de 300 artistas de diferentes regiões brasileiras e de países como Israel, República Tcheca, Holanda, Espanha, Argentina, Colômbia, Portugal, Bélgica, Inglaterra, França, Itália, Peru e Chile vão apresentar espetáculos que mostram um amplo movimento de atualização das artes do circo em todo o mundo. São montagens que evidenciam novas possibilidades narrativas para o espetáculo circense e criam relações inovadoras entre os artistas e instrumentos clássicos como as acrobacias em trampolim, lira, trapézio,corda, báscula, entre outras técnicas.

“Trouxemos para o festival espetáculos nos quais a emoção é gerada pelo jogo com o risco e as tensões entre o luminoso e o sombrio, o belo e o sinistro.  Queremos levar ao espectador a sensação conflituosa do desejo e o temor de ver determinadas cenas. A maior parte desses trabalhos foi criada por uma nova geração de companhias e artistas já consagrados no mundo inteiro que estarão pela primeira vez no Brasil. Vamos dar a oportunidade para que o cidadão carioca assista gratuitamente ao que há de melhor na produção contemporânea do circo”, descreve o curador e diretor geral do festival, Junior Perim. 

Para o secretario municipal de cultura Sérgio Sá Leitão, o circo é uma das expressões culturais mais intensas e marcantes do país. “Há na cidade uma cena forte, que o 2º Festival Internacional de Circo do Rio evidencia e valoriza. Os cariocas poderão conhecer em maio alguns dos mais importantes artistas e coletivos de circo do Brasil e do mundo. Será uma ótima oportunidade para constatar a potência criativa da arte circense e seu impacto transformador sobre quem faz e sobre quem vê”, diz o secretario.

A presidente do Instituto Pereira Passos, Eduarda La Rocque, que coordena o programa UPP Social, reforça o caráter inclusivo e democrático do festival nas favelas pacificadas. "Em 2012, colaboramos para que os espetáculos chegassem ao público das favelas, de um jeito que a troca de saberes e conhecimento fosse mútua. Em 2014, a preocupação foi além. Os organizadores pediram ajuda para captar a vivência, a capacidade de vencer e inventar de quem vive nos territórios com UPPs para dar-lhes uma oportunidade de trabalho. Com isso, profissionais de comunidades com várias especialidades têm oportunidade de fazes deste um festival que também é deles e não só para eles", afirma. 

Festival Internacional de Circo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Festival Internacional de Circo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

O 2º Festival Internacional de Circo do Rio de Janeiro é uma parceria entre Circo Crescer e Viver, Estúdio M’Baraká e Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de Cultura. O evento conta com patrocínio da Petrobras e o copatrocínios de empresas como Outback Steakhouse, Rede Globo, CCR (Ponte), Multiplan, Consórcio Construtor Rio Barra S.A. e Governo do Estado do Rio de Janeiro, através da Secretaria Estadual de Cultura; e com o apoio de Firjan, Sebrae e Iberescena.

O circo chega pela primeira vez ao Theatro Municipal

Entre os grupos inéditos na cidade, está a companhia da República Tcheca Cirk La Putyka, que já passou por mais de 10 países e vai trazer ao Rio de Janeiro o espetáculo “Risk”, abrindo a programação do festival no palco do Theatro Municipal. Será a primeira vez, em mais de 100 anos de história, que o Municipal recebe um espetáculo totalmente circense. Outra novidade que está de malas prontas para desembarcar na cidade, vinda de Tel Aviv, é a cia israelense ON – Orit Nevo Contemporary Circus Company (On Company), que mistura técnicas de circo e recursos audiovisuais. Também estarão presentes a companhia belga Cie Pol & Freddy, a francesa Sôltao chileno El Circo Del Mundoa italiana Cie Sarabandaa inglesa Mattress Circusas espanholas Psirc e Organización Efímera, entre outros grupos.

 Imagine circo em todo o canto da cidade

 Sob o tema “imagine circo em todo canto da cidade”, o festival vai ocupar mais de 60 espaços e territórios. Bairros de todas as regiões do Rio de Janeiro e todas as favelas pacificadas vão receber as atrações do festival em diferentes palcos. Entre os espaços, estão o Circo Crescer e Viver (Cidade Nova), a Escola Nacional de Circo (Praça da Bandeira) e outras duas lonas de circo (no Park Shopping Campo Grande e na Cidade de Deus); o Parque Madureira, Parque Lage e Parque das Ruínas, duas Arenas Cariocas (Pavuna e Penha); as Bibliotecas Parques (Maguinhos e Rocinha),e a Cidade das Artes.

“Nossa expectativa é de mobilizar um público de mais de 250 mil espectadores durante o festival. Tivemos o cuidado de nos debruçar sobre cartografia da cidade, para montar um circuito que vai da Paciência à Paquetá. Assim, cumprimos a missão que nos motivou a criar o tema desta edição: estar em todo canto do Rio de Janeiro”, declara a diretora executiva do festival, Isabel Seixas.

Serão mais de 45 apresentações e intervenções em cerca de ?30 comunidades pacificadas. Para que estas apresentações e oficinas chegassem às comunidades, o auxílio e o trabalho de articulação da UPP Social foi crucial. “A Prefeitura do Rio é uma grande parceira deste festival e as equipes da UPP Social participaram de perto da seleção de todos os locais nas favelas que receberão o evento. De forma participativa e criteriosa, foram indicadas mais de 30 comunidades para receber o festival. Será uma grande oportunidade para todos os moradores terem acesso e contato direto com grupos nacionais e internacionais e a possibilidade de troca e interação nas mais diversas áreas do Rio, seja na favela ou no asfalto”, acredita a assessora de Mobilização e Parcerias da UPP Social, Cristiana Tepedino.

Um dos destaques da grade de programação do festival será o grupo Pallasos en Rebeldía, com o FestiClown Favela, que se dedicará à estética do clown dentro do festival por meio de espetáculos e oficinas. Nascido na Espanha, o Pallasos en Rebeldía trabalha em países que são assolados por guerra e violência, como Palestina, o México e o Líbano. O clown é utilizado pela trupe espanhola como um instrumento de inclusão sociocultural e de mediação em conflito.

Mostras, competições e parcerias

Além das apresentações, o festival vai fomentar a produção do circo na cidade ao organizar a mostra “Clássicos do Tradicional”, em comemoração aos 32 anos da Escola Nacional de Circo (13/05), o FestiClown Favela, com o cortejo ‘Invasão da Alegria’, na Favela da Rocinha. Haverá ainda uma mostra competitiva de números circenses internacional (Mostra Ibero-Americana de Números Circenses); um laboratório de criação de circo contemporâneo, com 14 jovens de escolas de circo de diversas partes do mundo, que dará origem à um espetáculo original do Festival (Crece Sur 2014 apresentando Urb); seminários, palestras e diálogos sobre formação, produção e criação em circo. Uma parceria especial foi formada para evento: o diretor artístico do Circo Crescer e Viver, Vinícius Daumas, e a codiretora da cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de 2012, Jenny Sealey, criaram o espetáculo Belonging, unindo o Circo Crescer e Viver e a Graeae Theatre Company, de Londres  (leia detalhes sobre cada ação abaixo).

Com o objetivo de reconhecer e mobilizar a força criativa e produtiva de favelas e periferias da Cidade do Rio de Janeiro, o festival contratou uma série de serviços necessários à sua cadeia produtiva de organizações e empresas sediadas em favelas pacificadas. Dois destaques são a agência de comunicação “A Voz da Comunidade”, fundada pelo jovem empreendedor Rene Silva, do Complexo do Alemão, que vai responder por todo o plano de comunicação em favelas e periferias do Rio de Janeiro e, o projeto “Imagens do Povo”, do Observatório de Favelas, organização com sede no Complexo da Maré, que será responsável por todo o registro fotográfico do Festival com jovens que frequentam as aulas de fotografia que já formou nomes como Rattão Diniz e Naldinho Lourenço – fotógrafos premiados e moradores da comunidade. “Há organizações e projetos que vêm preparando, nestes territórios, uma geração enorme de jovens com um repertório diverso para apropriar as oportunidades que os grandes eventos oferecem no Rio de Janeiro. A inclusão socioprodutiva destes territórios e sujeitos é o passo decisivo para a construção de uma cidade integrada”, explica o diretor geral do festival, Junior Perim.

Outra novidade foi a criação do “Vem Trampar com a Gente”, uma seleção pública de mão de obra e serviços para atender as demandas do festival, prioritariamente nas favelas pacificadas do Rio de Janeiro. A estimativa é gerar 600 postos de trabalho (diretos e indiretos). “A decisão de buscar mão de obra e em favelas e periferias é um gesto para mostrar que Rio de Janeiro têm profissionais bastante qualificados para atuar de maneira competente em grandes eventos”, afirma Perim.   

 

6ª MOSTRA COMPETITIVA DE MALABARES     

6 ª Mostra Competitiva de Malabares, coordenada por JrMalabares, é uma competição artística de Malabarismo aberta ao público, que será realizada no Parque das Ruínas, em Santa Teresa, no dia 18 de maio, das 10h às 17h. Os selecionados apresentam números de até cinco minutos em solo, dupla e grupos, nas várias técnicas de malabares (contato, claves, aros, bolas, entre outros) que poderão ser conferidos pelo público de todas as idades.

 Os artistas serão avaliados por uma comissão que apreciará sua Técnica em Malabares, criatividade e Excelência Artística (Interpretação e Presença de Palco, Trilha Sonora, Efeito Plástico e Cênico, Figurino, outros). Serão no mínimo 8 e no máximo 10 selecionados e 3 ganhadores que receberão prêmios em dinheiro, equipamentos e troféu. Além de assistir aos números selecionados, a plateia terá ainda uma vivência de malabares e sorteio de equipamentos de malabares.  

 Programação completa: www.festivaldecirco.com.br

Tags: artistas, circo, malabares, mostra, Mundo, theatro

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