Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

Cultura

Dani Calazans lança CD de estreia, 'Hard Bolero', em show com clima de cabaré

Jornal do Brasil

Durante os preparativos do seu CD de estreia, uma pergunta ouvida dos amigos perseguiu Dani Calazans: qual seria o estilo do disco? Conhecendo bem a amiga, sabiam que a resposta era complexa. O nome do CD começou a indicar mais do que uma resposta: um caminho. Diante de um arranjo abolerado sugerido pelos músicos, a cantora propôs deixar aquele bolero um ar mais hard. “Enquanto o bolero é dramático e remete a meu lado teatral, o hard mantém meu elo com o rock, estilo que sempre gostei. Quero barulho”, explica a cantora. Surgiu ali a resposta para a pergunta dos amigos. E esse estilo híbrido poderá ser conferido, dia 7, no Espaço Sérgio Porto, onde lança seu “Hard bolero”, cuja produção é assinada pela artista juntamente com o guitarrista André Poyart. 

E Dani reuniu uma gama de autores de sua geração, que lhe presentearam com canções que vão do supracitado bolero, passando por valsa, xote e blues. A artista é autora também de duas canções com Poyart (“Valsa traída” e “Gare de Lyon”).  A exceção é “Non, je ne regrette rien”, gravada em homenagem a seu irmão, fã de Edith Piaf, morto em 2005. E o rock acaba sendo o elo entre todos esses estilos. Tal liga não surgiu por acaso. Conhecendo o estilo da artista de longa data, Poyart pediu que ela não perdesse sua porção roqueira. E o pedido não foi nenhum suplício para quem teve banda punk na adolescência (“Pintava meu cabelo de azul e tudo”, diverte-se) e, indo mais longe, viu seu interesse pela música aguçado por artistas como Ney Matogrosso e Elton John.

Dani Calazans
Dani Calazans

Foi no carro dos pais, advogados, onde ouvia esses e outros artistas. Mais exatamente no trajeto Rio-São Paulo, onde a família passava férias. No porta-luvas, um arsenal de fitas de gêneros e artistas díspares como Queen e Sílvio Caldas. Esse ecletismo acaba reverberando hoje na personalidade artística de Dani.  O gosto pelo canto foi incentivado nas aulas de violão. Surgia também na adolescência o gosto pelos palcos. Sem se enquadrar na realidade aristocrática de suas colegas no Gimk, busca abrigo nas aulas de teatro do colégio. E o fato de saber tocar violão chamou a atenção do diretor Ricardo Steele, que deu à aluna a possibilidade de cantar nos espetáculos.

Ao mesmo tempo em que se envolvia com o teatro, a relação com a música foi ficando séria. Mordida pela mosca azul do canto, se matricula na escola de música do renomado Antonio Adolfo. E o domínio técnico levou-a a integrar, aos 19 anos, o time de professores da instituição. Fazer da vocação uma profissão exigiu mais ponderação. Na época do vestibular, optou por estudar publicidade. Mas a música falou mais alto. Tempos depois, era admitida na escola de Música da Uni-Rio, de onde saiu formada. Em sua passagem acadêmica, fez mais do que botar bebop no samba. Bebeu de autores clássicos e defendeu bandeiras do rock e do Mangue Beat.  

Do primeiro trabalho profissional com “O jardim das borboletas”, para o qual foi convidada por Luís Salém, Dani Calazans fez de um tudo. Integrou a primeira formação de garçons-cantores do  “Eclético”  e participou das montagens de “Enlace” e, mais recentemente, do elogiado “Emilinha e Marlene, Rainhas do rádio”. Mesmo que não estivesse sob os refletores, Dani estava envolvida com o que era visto em cena. Professora de canto há 14 anos, assinou a preparação vocal de espetáculos como “Muita mulher para pouco musical” e “Novelas, o musical”, entre outros. Dani Calazans é irrequieta. Múltipla sem ser errática. Coisa de quem sabe onde pisa. 

Serviço:

Data: 7/5 (quarta)

Hora: 20h

Local: Espaço Sérgio Porto (Rua Humaitá, 163. Tel: (21) 2535-3846)

Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia) e R$ 30 (inteira + CD)

Tags: apresentação, CD, dani calazans, música, show

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