Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Cultura

Economista francês tem livro mais vendido nos EUA

Agência ANSA

O novo livro do economista francês Thomas Picketty, "Capital no século XXI", se tornou o livro mais vendido na Amazon e está completamente esgotado em muitas livrarias norte-americanas. O best-seller, que apesar de ter mais de 700 páginas cheias de estatísticas e gráficos, alcançou muito sucesso por abordar a questão da desigualdade, foco da atenção do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e do papa Francisco.    

Em plena "Picketty-Mania", afirmou o jornal Financial Times, a Casa Branca e o Departamento do Tesouro norte-americano disputam o autor para trabalhar para eles. E, há poucos dias, quando o economista falou em um seminário na City University, em Nova York, com outros três colegas, ele foi destaque. Quem fez companhia a Picketty eram dois vencedores do Nobel de economia, Paul Krugman e Joseph Stiglitz. O sucesso do encontro em Nova York foi tão grande que a universidade teve que abrir outras três sessões para poder acomodar todos que queriam ouvir Picketty.    

Semanas depois do lançamento do livro, as definições sobre o autor são abundantes: Picketty é o "novo De Toqueville", escreveu o jornal Guardian, enquanto o Financial Times o chamava de "um economista rockstar". Também surgiram muitas críticas ao trabalho do economista. O colunista do jornal The New York Times, David Brooks, acusou o autor de ser "anti-progressivista". Mas, qual é a teoria de Picketty? No livro "Capital no século XXI", o autor usa gráficos e estatísticas para mostrar que a meritocracia do capitalismo é uma grande mentira e o sonho americano é um fracasso. Segundo ele, o crescimento econômico será sempre inferior a todo benefício derivado de qualquer capital que seja invertido.    

E, mesmo que todos se beneficiem com o crescimento econômico, somente os ricos que já são ricos enriquecem ainda mais com o dinheiro invertido. Para Picketty, as consequências são claras: ganha quem já é rico por sua família e todos os demais tem poucas possibilidades, salvo os que herdam ou se casem com quem tenha uma fortuna.    

O economista acrescenta que não é somente a desigualdade de riquezas que caracteriza o capitalismo do século XXI, mas também a desigualdade das oportunidades. A riqueza, que para os ricos está assegurada, para a classe média do capitalismo em nosso século se converte em algo tão difícil de conseguir como acertar os números da loteria. 

Tags: economia, Estados Unidos, francês, literatura, livro, vendas

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