Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Cultura

Morte de García Márquez é lamentada na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura

Autor de Cem Anos de Solidão morreu nesta quinta-feira (17)

Agência Brasil

Na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, a notícia da morte do escritor colombiano Gabriel García Márquez foi recebida com tristeza. No meio de uma mesa de debates, foi o poeta Zé Carlos Vieira quem deu a notícia. A plateia lamentou. "Acabo de receber a notícia da morte de Gabriel García Márquez. Isso é muito triste para a gente, muito triste para a literatura".

Vieira foi preciso ao dizer que a notícia era muito triste "para a gente". Cada um dos debatedores tinha uma ligação com o escritor. "O primeiro livro que eu li do começo ao fim foi Cem Anos de Solidão. O primeiro livro que eu li numa sentada. E reli agora, depois de 30 anos, também numa sentada. Um livro que você não cansa, que pode ler de cinco em cinco anos e cada vez descobre mais alguma coisa", disse o também poeta Nicholas Behr.

O livro, um dos títulos mais conhecidos do autor, ao lado de O Amor nos Tempos do Cólera, também é admirado pelo poeta Ademir Assunção, vencedor do prêmio Jabuti de Poesia no ano passado. "Tenho certeza que a maioria dos leitores de 50, 60 anos se encantaram e se admiraram com Cem Anos de Solidão. Para quem costuma ler, gosta de ler, o livro encantou, assustou e pasmou grande parte dos leitores".

Assunção explica: "O livro surgiu numa literatura com uma voz muito diferente, tanto na literatura brasileira quanto na latino-americana", diz e acrescenta. "Para mim, o que me encanta [na obra] é como a realidade se desdobra em muitas realidades".

A morte do escritor foi uma surpresa para o poeta Wilson Pereira. "Sou leitor assíduo, já li quase todos os livros dele, sabia que ele estava adoentado, mas esperava que ele fosse viver um bom tempo ainda. O mundo perde um dos seus grandes escritores da modernidade, da atualidade".

Na plateia, a jornalista e escritora Theresa Hildar lamenta não ter conhecido García Márquez, não ter falado com o escritor. Ela conta que eles já estiveram no mesmo ambiente, em Nova York. Ela estava no Michael's Pub para escutar o cineasta norte-americano Woody Allen tocar. García Márquez também estava lá, em uma mesa próxima. "Eu tava tão louca para ver Woody Allen, que não vi o Gabriel García Márquez".

Para provar a história, Theresa guarda uma foto com o cineasta, na qual aparece também o escritor. "Eu não dormi a noite inteira, eu perdi a oportunidade de conhecer um ídolo. Nunca ia pensar que teria dois ídolos numa noite só. Eu ficava alimentando, um dia vou visitar a casa dele, agora não tem mais jeito. Agora é só história".

Gabriel García Márquez morreu na tarde de hoje (17), em casa, na Cidade do México, aos 87 anos. Ele nasceu em Aracataca, na Colômbia, no dia 7 de março de 1927. Além de escritor, era também jornalista. Entre seus livros mais conhecidos, estão Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera. Foi também ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982.

Tags: agência brasil, bienal, cultura, Gabriel García Márquez, morte

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