Jornal do Brasil

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Cultura

Metallica enfrenta chuva e atende 65 mil fãs no Morumbi

Setlist teve poucas surpresas, mas muita intensidade do quarteto

Portal Terra

A chuva que ameaçava cair sobre a cidade de São Paulo mostrou suas primeiras gotas por volta das 21h50, ao mesmo tempo em que as primeiras notas de Ecstasy of Gold, música de Ennio Morricone, soavam no Estádio do Morumbi, neste sábado (22). A água não foi suficiente para esfriar os ânimos das 65 mil pessoas que aguardavam o show do Metallica, que voltou ao Brasil com a turnê By Request. Nesta excursão, os compradores dos ingressos puderam escolher dezessete canções do repertório. 

A exemplo de outros locais pelos quais a turnê passou, a escolha dos fãs passou longe de obscuridades da carreira de mais de trinta anos dos norte-americanos e apostou em sucessos consolidados como Master of PuppetsOneEnter SandmanFade to Black e Seek and Destroy, estas as cinco mais votadas no site. Se a proposta do quarteto era atender os desejos de seus fãs, cumpriram a promessa plenamente depois de 2h15 de show.

Após a já tradicional introdução movida pelas cenas do faroeste Três Homens em Conflito, o Metallica surgiu diante de seus fãs para uma abertura intensa: BatteryMaster of Puppets eWelcome Home (Sanitarium). Após essa trinca inicial, a chuva apertou sobre o estádio e encharcou James Hetfield, Kirk Hammett, Lars Ulrich e Rob Trujillo. Enquanto a poças se formavam por toda a extensão do palco, os quatro pareciam não se importar com a chuva intensa. O performático baixista agitava seus cabelos molhados que jogavam gotas sobre os fãs que puderam assistir ao show a poucos metros dos músicos. James e Kirk deslizavam seus dedos sobre suas guitarras encharcadas fluindo os pesados riffs como se estivessem secos. Lars castigava seus pratos fazendo a água acumulada se espirrar por todos os lados.

A ideia fundamental do show By Request é que os fãs pudesse escolher qualquer canção do catálogo do Metallica para a apresentação. Na passagem pelo Peru, por exemplo, o grupo elogiou a escolha de seus seguidores votantes. "Tocamos pela segunda vezes e os fãs nos ajudaram a fazer um setlist único. Nada de Sad But True e Nothing Else Matters", escreveu a banda no Facebook. No Brasil, por sua vez, prevaleceram os hits clássicos e algumas canções que pouco a pouco foram ficando de fora do repertório da banda, como Fuel - cantada em coro - e The Unforgiven, que começou a ser executada com mais frequência nesta turnê.

O grupo ainda encaixou a pesada e trabalhada Lords of Summer, música nova que mostrou nesta turnê sul-americana. "Vocês estão lindos, São Paulo. Faz quatro anos que não tocamos aqui", disse James ao lembrar o show no mesmo estádio em 2010. Neste meio tempo a banda tocou no Brasil duas vezes, mas apenas no Rio de Janeiro, no Rock in Rio 2011 e 2013.

Sempre chamando seus seguidores de "família", James Hetfield seguiu com a apresentação "interativa" ao convidar alguns fãs para anunciar suas canções no palco ou para lembrar que a votação da música do dia ainda estava aberta via SMS. Depois de Wherever I May Roam,Mário, de Porto Alegre, chamou de forma entusiasmada a música Sad But True, da mesma forma que Thiago, de São Paulo, anunciou Creeping Death. O momento inusitado arrancava risos invariavelmente dos integrantes.

A sequência escolhida pelos paulistanos moldou de fato a apresentação como um desfile com cara de Greatest Hits. Na sequência vieram Fade to BlackAnd Justice for AllOneFor Whom the Bell TollsCreeping DeathNothing Else Matters e Enter Sandman.

"Ainda não acabou", disse James Hetfield após o curto intervalo que antecedeu o início do bis. O retorno se deu com outra canção "esquecida" do repertório do Metallica. Whiskey in the Jar, que está no álbum de covers Garage Inc. (1998), deu o pontapé no bloco final de músicas. The Day that Never Comes, escolhida por votos via SMS, foi executada na sequência até a despedida com Seek & Destroy, tradicionalmente tocada com as luzes do local acesas iluminando o público.

E os fogos?

Se a chuva deu um toque especial ao show, ela pode ter estragado parte dos efeitos visuais da banda. A sequência de fogos de artifício da abertura de One e diversas intervenções de pirotecnia entre as canções acabaram não acontecendo, provavelmente em função da tempestade que deu poucas tréguas ao quarteto.

Tags: banda, hits, morumbi, show, SP

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