Jornal do Brasil

Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Cultura

Coutinho ousou "ao falar de contrastes", diz diretora de escola de cinema

Agência Brasil

O cineasta Eduardo Coutinho, de 81 anos, foi encontrado morto neste domingo (2), dentro de casa, no bairro da Lagoa, na zona sul da cidade. A Divisão de Homicídios da Polícia Civil investiga o caso. Eduardo Coutinho estabeleceu uma nova forma de pensar e fazer documentário. A avaliação é da diretora da Escola de Cinema Darcy Riberiro, Irene Ferraz. Para ela, a obra de Coutinho é um marco na história do documentário mundial. "Ele teve uma reflexão mais profunda sobre nós mesmos, sobre o que acontecia nas cidades, sobre o povo brasileiro. Ele foi um pensador da antropologia social e ousou falar de contrastes. Ele colocou o povo para falar", disse.

Segundo Irene, Coutinho sempre participava de eventos na escola, mas recusou convites para ser professor. "Ele dizia que isso não era para ele".

“É um momento de muita tristeza para a cultura brasileira, para o cinema brasileiro. Sem dúvida ele era um de nossos grandes talentos. Nós só temos a lamentar”, disse o cineasta SilvioTendler. De acordo com Tendler, a morte de Eduardo Coutinho deixará “uma lacuna muito grande, ao mesmo tempo em que deixa uma obra que vai continuar sendo vista e discutida. Alguns de seus filmes estão entre os mais importantes do cinema brasileiro, do cinema como um todo. Ele é um dos artistas brasileiros mais importantes de todos os tempos”.

Para o também cineasta, Luiz Carlos Barreto, a "morte do Eduardo Coutinho não é uma perda apenas para o cinema brasileiro. É uma perda para o cinema mundial. Ele foi, no plano brasileiro e internacional, uma figura revolucionária na linguagem do documentário, porque ele soube introduzir, além do simples registro, a dramaturgia. Os documentários de Coutinho criaram uma escola dramatúrgica para os documentários. Isso sem contar sua contribuição nos pensamentos e no movimento político do Cinema Novo, para construir um cinema de produção permanente”, disse Barreto.

Pelo Twitter, a presidenta Dilma Rousseff disse que o Brasil e o cinema brasileiro perderam “seu maior documentarista”.

Paulistano, Coutinho começou sua carreira na ficção. Nos anos 70, iniciou uma trajetória de documentarista ao dirigir uma série de programas para o Globo Repórter, da TV Globo. Em 1984, concluiu Cabra Marcado para Morrer, filme que o consagrou internacionalmente. Dirigiu também Santa Marta: Duas Semanas no Morro (1987), O Fio da Memória (1991), Boca do Lixo (1992), Os Romeiros do Padre Cícero (1994), Santo Forte (1999),  Babilônia 2000 (2000), Edifício Master (2002) e Peões (2004).

Em junho passado, o cineasta foi convidado, junto com José Padilha, a integrar a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela premiação do Oscar.

O cineasta, de 81 anos, foi encontrado morto nesse domingo (2), dentro de casa, no bairro da Lagoa, na zona sul do Rio. O principal suspeito da morte é seu filho, Daniel, que está sob custódia da polícia, internado no Hospital Miguel Couto. Segundo a Polícia Civil, Daniel esfaqueou o pai e a mãe, Maria das Dores, e depois tentou se matar. O corpo do cineasta está sendo velado no Cemitério São João Batista e deve ser enterrado às 16h.

Tags: cineasta, documentários, enterro, Filho, morte

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