Jornal do Brasil

Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Cultura

'Ocupa-se' traz o artista urbano Zezão à galeria Athena Contemporânea

Obras se inspiram em circuitos internos de computadores, chips e placas eletrônicas.

Jornal do Brasil

Um espaço para o artista expor o intangível de sua obra, sua pesquisa, seu mundo. Esta é a proposta da Galeria Athena Contemporânea, do marchand Filipe Masini, com o projeto Ocupa-se, que abre 2014 em sua segunda edição. A partir do dia 30 de janeiro, o artista urbano paulista Zezão é o convidado para criar em site especific e ocupará a galeria inspirado pelos circuitos internos de computadores, chips e placas eletrônicas.

A obra de Zezão será feita de pinturas em três placas de mdf que vão compor suas “esculturas digitais” tridimensionais. A ideia é realizar uma ocupação arquitetônica da galeria, deixá-la repleta de formas retas e bifurcações. O novo trabalho remete aos flops azuis usuais no trabalho do artista, com movimentos orgânicos, mas serão apresentados monocromáticos, com um maior planejamento, precisão e rigor em sua confecção.

A proposta do Ocupa-se é difundir a arte contemporânea e transformar a Athena em um espaço de livre expressão, incentivando o movimento Art Free. “O foco da Athena é a pluralidade de criação, com espaço para o novo e, ao mesmo tempo, valorizando suas influências. Uma galeria que quer discutir o pensamento”, ressalta Masini.

Em sua primeira edição, em janeiro de 2013, foi Joana Cesar a artista que se apropriou da Athena, na mostra Voragem. 

Obras se inspiram em circuitos internos de computadores, chips e placas eletrônicas
Obras se inspiram em circuitos internos de computadores, chips e placas eletrônicas

Sobre o artista urbano Zezão

Ele veio da periferia de São Paulo e conquistou o circuito underground expondo sua arte em tampas de bueiro, escombros, prédios abandonados, becos e viadutos. Ao deixar ali seu flop, ou seja, sua marca registrada, uma assinatura abstrata em azul, chamou a atenção para um mundo urbano  que muitos não querem ver. Se o lixo pode ser luxo, Zezão alerta que o submundo que está embaixo das grandes cidades pode vir à tona não apenas plasticamente, mas, principalmente, tornando essa arte visível como objeto de discussão.

Zezão já ganhou a admiração nacional (conhecido em São Paulo, seguiu com seus flops Brasil afora, principalmente em lugares abandonados como sertões nordestinos) e internacional: Em outubro participou da Feira do Livro de Frankfurt, o maior encontro mundial do setor editorial, onde foi convidado junto aos principais grafiteiros do Brasil para realizar uma exposição de arte urbana no Instituto Schirn-Kunsthalle Frankfurt, além de assinar intervenções pela cidade. Zezão também pintou os canais de Londres, convidado pelo ex curador da Tate Modern, Cedar Lewisohn, cuja produção inclui uma série de livros sobre arte urbana onde o trabalho de Zezão compõe capa e contra capa . Participou ainda do Hamburgo Wash Festival, evento de música arte, e teve suas obras incluídas em uma coletiva na Opera Gallery, em Londres, e na Art Rio (uma enorme instalação de sucata). E o MASP – Museu de Arte de São Paulo - possui um trabalho do artista em seu acervo .

Zezão é representado no Brasil pelo galerista Filipe Masini, sócio da galeria Athena Contemporânea. No Rio de Janeiro, seus traços também podem ser vistos em favelas como a Rocinha, em bueiros em Copacabana, tapumes em São Conrado, Zona Portuária, Jardim Botânico. O texto da exposição é de Oscar D'Ambrosio. 

Serviço:

Abertura, dia 30 de janeiro, às 19 horas.

Galeria Athena Contemporânea

Av. Atlântica, 4240 – Loja 211 - Shopping Cassino Atlântico - Copacabana.

Data: 30 de janeiro a 22 de fevereiro – De segunda a sexta das 11 às 19 horas e sábado de 12 às 18 horas

Tags: Arte, athena, exposição, obra, ocupa

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