Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Cultura

'Neurótica' - Flávia Reis celebra maioridade artística com primeiro monólogo

Jornal do Brasil

A palavra de ordem é rir. E nada melhor do que rir das neuroses provocadas pela vida moderna. E Flávia Reis coloca uma lente de aumento nas figuras tipicamente neuróticas que encontramos no dia a dia em “Neurótica”, primeiro monólogo de sua carreira, que ocupa, a partir do dia 13, as segundas-feiras do Teatro dos 4. Num roteiro criado por ela juntamente com Henrique Tavares, a atriz se divide entre 11 mulheres no espetáculo, dirigido por Márcio Trigo.  “É impressionante o talento da Flávia para incorporar tipos tão diferentes. Mesmo sem maquiagem ou acessórios, vemos a personagem e não mais a atriz. Essa característica só vi em outro nome do humor: Chico Anysio”, comenta Trigo sem disfarçar o entusiasmo. 

A trama é conduzida pela Dra. Flávia, espécie de personagem-narrador que serve de elo entre as demais personagens. Convidada para uma palestra sobre neurose, ela apresenta os casos, fazendo com que essas mulheres ganhem vida aos olhos do público. São tipos como a mulher que não consegue encontrar o próprio carro num estacionamento, a cerimonialista que se divide no celular entre as demandas da profissão e do lar (até embaralhá-las) e a animadora de festas que sugere brincadeiras nada ortodoxas para distrair as crianças. “Elas não são pessoas desequilibradas emocionalmente, dependentes de remédios, essas coisas. São criaturas neurotizadas, mas críveis, nas quais o público pode se reconhecer ou identificar conhecidos”, defende ela.

Flávia Reis em 'Neurótica'
Flávia Reis em 'Neurótica'

 Nesse rol estão também a Vanda da Van -- que abre o espetáculo numa espécie de prólogo -- e Gina, tipos já experimentados pela atriz em “Hiperativo”, segundo espetáculo de Paulo Gustavo. A amizade entre os dois começou em 2008, ano em que Flávia esteve em cartaz com “Inventário”, espetáculo criado para comemorar os 15 anos do Doutores da Alegria. Paulo perdeu a conta das vezes em que assistiu à montagem. Começava a nascer ali uma admiração que levou o ator a apontar o nome de Flávia como sua aposta para 2009, numa enquete para a coluna Gente Boa, do jornal O Globo. Natural que admiração culminasse em novos voos. Vem dessa época o convite para Flávia participar da primeira temporada de “220 volts”, apresentado pelo ator no Multishow, e, posteriormente, participar de  “Hiperativo”, no qual Vanda e Gina ganharam vida. 

“Neurótica” é um desafio para Flávia Reis, sempre acostumada a fazer teatro em grupo. Esse fazer teatral foi moldado em 21 anos de uma carreira iniciada aos 14 anos, quando ingressou no hoje extinto Nósconosco (laureado com o Mambembe e o extinto Coca-Cola) e construída por passagens por companhias como a Teatro Portátil (da qual é integrante) e pelo Doutores da Alegria, cuja célula carioca proporcionou a criação de outro grupo, o Roda Gigante (do qual também é integrante). Ao longo desses 21 anos, Flávia mergulhou fundo nos mais variados estilos de interpretação. Perdeu a conta das vezes em que foi do drama à comédia e vice-versa. Tanta versatilidade fez com que ela desenvolvesse um talento do qual não se deu conta imediatamente: o de criar personagens cômicos. E a necessidade de reunir alguns desses personagens foi uma das molas propulsoras para encarar um monólogo. A outra foi o desejo de estar integrada à plateia. “Queria há algum tempo um contato mais direto com o público, sem a proteção da ‘quarta parede’. Queria estar com o público mais do que fazer algo para o público”, explica. 

E para comandar todas essas mulheres, Flávia convidou o diretor Márcio Trigo, nome consolidado na TV mas que tem a gênese de sua carreira amparada em dois pilares importantes: ajudou a criar o grupo teatral  “Manhas e Manias”’ e o Circo Voador, dois ícones da efervescência cultural dos anos 1980. Atriz e diretor se conheceram em um laboratório de humor coordenado por ele na TV Globo. Tendo no currículo humorísticos como “Casseta e Planeta” e “Os caras de pau”, Márcio tem, no entender de Flávia, “um olhar aguçado para trabalhar personagens cômicos”. Tal olhar é oportuno num espetáculo que tem nos tipos cômicos seu principal alicerce. “A direção do Márcio prioriza a irreverência, não é nada convencional. Mudamos as cenas inúmeras vezes, montando a peça com absoluta liberdade, até chegar ao formato que temos hoje”, comemora ela. 

Foi nessa mesma oficina em que a atriz também conheceu Henrique Tavares, que assina juntamente com ela o texto. “O Henrique foi fundamental para amarrar o texto, dar a ele a unidade que ele precisava. Não queria assinar o texto sozinha. Estou acostumada a trabalhar em grupo. Gosto de aglutinar gente. Rir junto é bem melhor do que rir sozinho”, arremata. No que faz ela muito bem. Contrariando o que imortalizou o poeta, pode-se até ser feliz sozinho, mas é impossível fazer teatro sozinho. Flávia Reis que o diga. 

Serviço:

Estreia: 13 janeiro de 2014

Temporada: 13 de janeiro a 17 de março

Horário: 21h

Todas as segundas (exceto 3 de março de Carnaval)

Preço: 50 (inteira) e 25 (meia)

Teatro dos Quatro - Shopping da Gávea – (R. Marquês de São Vicente, 52 – Gávea 

Tel.(21) 2239-1095

Tags: apresentação, entretenimento, estreia, peça, Rio

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