Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Cultura

Humor se renova com safra de comediantes que produz e atua

Portal Terra

O humor sempre teve lugar certo na TV. Por isso, de tempos em tempos, é normal que uma nova safra de profissionais seja revelada nesse segmento. E não apenas na atuação, mas também no texto. Na Globo, Marcelo Adnet se prepara para estrelar a série O Dentista Mascarado, enquanto Band segue apostando no humor adolescente do Pânico na Band e na irreverência do jornalismo bem humorado do CQC. MTV também mistura a comédia com as notícias no diário Furo MTV, sob o comando de Bento Ribeiro, com mais liberdade para ousar e sem qualquer comprometimento comercial. Enquanto outros atores exploram, na tevê fechada, suas criações, como Paulo Gustavo. "O humor é o gênero mais autoral de todos. A pessoa reproduz, a partir da comédia, o que ela tem de melhor e pior e suas observações sobre o mundo. Acho que isso tem chamado a atenção de novas gerações que poderiam se dedicar a outras áreas", avaliou Bento Ribeiro. 

De fato, ser considerado um gênero mais autoral parece ser mesmo o principal chamariz para atrair cada vez mais artistas. Em algum casos, nem mesmo o risco de ficar limitado a essa linha de interpretação diminui o interesse. "Sei que meu forte é a comédia. Não tenho receio em ficar tachado como um profissional essencialmente cômico. Deixe que pensem o que quiserem. O importante é eu estar feliz, trabalhando e fazendo novas amizades", afirmou Paulo Gustavo, sempre irreverente, que explora sua veia cômica na TV em 220 Volts, série exibida pelo Multishow. Um raciocínio que parece ser compartilhado por Paulinho Serra, que atua como um dos "repórteres" do novo Furo MTV, mas se tornou conhecido por fazer parte da equipe do Pânico na TV!, na época em que o programa era transmitido pela Rede TV!. "Se eu estivesse em uma novela, falaria o que o autor escrevesse. Na MTV, posso cutucar e criticar", atestou. 

Para exercer plenamente esse lado autoral, quase todos os humoristas decidem também escrever seus textos. A maioria já se aventurou com criações em esquetes e até peças inteiras para o teatro. Mas há também quem exerça essa função na própria televisão. Bruno Mazzeo, um dos nomes que inspirou vários novos talentos, começou ainda criança, redigindo textos para o humorístico Escolinha do Professor Raimundo. Gregório, com apenas 26 anos, já tem no currículo roteiros para programas como As CariocasAs Brasileiras e Louco por Elas, todos da Globo. E Fábio Porchat, que vive o afetado Júnior de A Grande Família, assinou trabalhos como o Zorra Total. "As pessoas acham que está na moda fazer graça. Mas o que lota espetáculos e dá bilheteria no cinema, normalmente, é o humor", analisou Porchat.

Mas há quem acredite que o humor que hoje se vê na TV  não tem a mesma qualidade que o praticado por nomes do passado, como Chico Anysio e o grupo Os Trapalhões. "Acho que a gente tende sempre a lembrar com saudosismo as coisas que foram bacanas. Como se aquele momento que já passou tivesse sido o melhor. Mas não sei se isso é real", disse Rodrigo Sant'anna, que colhe ainda o sucesso de sua personagem Valéria no humorísticoZorra Total, da Globo.     

Meninas em desvantagem

O número de mulheres que se destacam nessa nova geração do humor ainda é menor que o dos homens. Mônica Iozzi, por exemplo, brilhou sozinha um bom tempo na ala feminina doCQC, abrindo espaço, agora, para a colega Dani Calabresa, recém-saída da MTV, se juntar. Na Globo, Miá Mello dividia com a atriz e ex-BBB Maria Melilo o posto de "luluzinha" no recém-extinto Casseta & Planeta Vai Fundo, no meio de um grupo majoritariamente masculino. E, por mais que hoje seja conhecida por seus trabalhos no humor, depois de participar doLegendários, da Record, a atriz garante que nunca foi sua pretensão se tornar comediante. "Não busquei, fui levada para isso. Mas acho que me fez crescer muito como atriz. Fazer rir é desesperador, por mais que pareça uma coisa rasa e teoricamente mais fácil", contou. 

Para Mariana Armelini, que faz parte do elenco do grupo de humor As Olívias e participou do humorístico É Tudo Improviso, na Band, e As Olívias na TV, do Multishow, a vaidade pode ser um dos fatores que faz diminuir o número de mulheres que apostam no humor. Mesmo acreditando que elas têm muita facilidade para trabalhar esse gênero. "Mulheres são naturalmente engraçadas. Mas poucas têm coragem para dizer que são feias, estranhas, que estão ridículas", explicou.  

Instantâneas

Com o fim do Casseta & Planeta Vai Fundo, Miá Mello pode ser aproveitada em alguma novela da Globo. A atriz, inclusive, já demonstrou o desejo de experimentar atuar em um folhetim. # Paulinho Serra se prepara para estrear na MTV uma sátira ao Adnet Viaja, que Marcelo Adnet apresentava na emissora. Ao contrário do colega, que visitava lugares turísticos do mundo, Paulinho deve percorrer comunidades cariocas para mostrar características como a culinária, lazer e cultura desses locais. # Bento Ribeiro sonha apresentar um talk show na MTV. Segundo sua descrição, o formato lembra um pouco o Agora É Tarde, que Danilo Gentili comanda na Band. # Depois de se destacar no Zorra Total, Marcos Veras vem, desde junho, explorando o humor no matinal Encontro com Fátima Bernardes. Mas o ator não se desligou do humorístico de sábado, conciliando as gravações. "Normalmente, no Zorra, apareço caracterizado. Já no Encontro eu fico de cara limpa", falou. 

Tags: comédia, entretenimento, programas, Safra, TV

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