Jornal do Brasil

Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Cultura

Exposição com gravuras de Mário Gruber entra em cartaz em São Paulo

Agência Brasil

São Paulo - Pintor, escultor, muralista, desenhista, cenógrafo, professor. O artista plástico paulista Mário Gruber (1927 - 2011) desenvolveu várias facetas ao longo da carreira, mas todas elas tiveram origem na sua versão como gravador, arte que aprendeu como autodidata em 1943. É essa face artística que será apresentada a partir de hoje (16) na exposição "A Arte Fantástica de Mario Gruber". A mostra fica em cartaz na Caixa Cultural São Paulo, no centro da capital, até o dia 12 de maio e tem entrada gratuita.

Exposição fica em cartaz na Caixa Cultural de São Paulo até 12 de maio
Exposição fica em cartaz na Caixa Cultural de São Paulo até 12 de maio

"Ele trabalhou muitos anos nesse viés [gravura]. Até que, nos anos 1960, ele começa a trabalhar com um realismo fantástico por meio da pintura, mas ele continuou fazendo gravura. Ele nunca deixou de fazer. Gruber fazia uma comparação super bonita: a pintura é como uma orquestra e a gravura é como uma música de câmara", apontou Denise Mattar, curadora da exposição.

Serão apresentadas 50 gravuras e matrizes. A maior parte do acervo pertence à família de Gruber. "Ele gostava tanto de gravura, que ele praticamente guardou um exemplar de cada gravura e também parte das matrizes. Normalmente, os gravadores destroem as matrizes", destacou Mattar. A curadora explica que o artista passeou por diferentes materiais para produzir as gravuras, como pedra e madeira, mas "ele era acima de tudo um gravador de metal", informou.

Entre as técnicas utilizadas, estavam água-forte e água-tinta, processos em que os sulcos no metal são feitos com a utilização de produtos químicos. Gruber destacou-se, no entanto, pela utilização de uma técnica rara, chamada maneira negra. Nesse processo de gravação, diferentemente das outras técnicas, trabalha-se do escuro para o claro.

Segundo informações do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na maneira negra, a superfície da matriz é riscada, deixando-a uniformemente áspera. O instrumento chamado brunidor achata as asperezas, obtendo-se diferentes tonalidades, conforme a pressão exercida. "É uma coisa dificílima de fazer. Ele era um virtuoso. Tudo que fazia, ele desenvolvia a técnica ao extremo", destacou a curadora.

Essa será a primeira exposição póstuma do artista em São Paulo. "Depois da morte dele, houve uma exposição no Rio de Janeiro. Mas aqui em São Paulo, que foi a cidade onde ele morou, viveu e trabalhou toda a vida, é a primeira exposição. É uma mostra que vai abrir uma conversa sobre o trabalho do Gruber e uma possibilidade de, mais adiante, se fazer uma exposição que englobe as outras técnicas também", declarou Mattar.

Além das gravuras, Mário Gruber é conhecido pelo trabalho peculiar em pintura, no qual expõe imagens classificadas como "realismo fantástico". "Não tem ninguém que faça algo parecido. Ele é um artista muito difícil de encaixar nos ismos dos críticos", explica a curadora. Ela destaca ainda a contribuição para a questão da técnica. "Ele tinha uma técnica perfeita. Na pintura, ele foi pesquisar todas as técnicas dos grandes mestres. E conseguiu reproduzir, por exemplo, tintas que há muito tempo não eram produzidas", destacou.

Tags: artista, fantástico, gravuras, plástico, realismo

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