Curta brasileiro estreia na Berlinale
'O caminho do meu pai' concorre ao Urso de Cristal
Berlim - O caminho do meu pai, (Xe Tai Cua Bô) de Maurício Osaki. foi o destaque ontem da Mostra Geração, na 63ª edição do Festival de Berlim.
O filme é um projeto conjunto Brasil / Vietnã – no qual o diretor, fotógrafo, compositor e coprodutores são brasileiros.
Com elenco vietnamita, foi inteiramente rodado no país asiático e conta história de Mai Vy, uma menina de 10 anos que, após um dia ruim na escola, pede para passar o dia com o pai.
Ele, que transporta agricultores pelos campos de arroz do Vietnã, pede para a filha a ajudar a recolher o dinheiro dos passageiros. Tudo vai bem, até o momento em que a filha descobre as outras atividades do seu pai.
A decisão de rodar um filme no Vietnã surgiu da experiência que Osaki teve ao se mudar para a Ásia. Ele esteve no Vietnã pela primeira vez em meados de 2011 e sentiu vontade de conhecer melhor um universo que lhe lembrava muito o Brasil de sua infância.
“Quando criança, eu costumava viajar pelo interior do Brasil com meus pais. E me lembro de olhar pela janela dos carros, trens, ônibus e as histórias interessantes que me vinha à mente. Quando visitei o Vietnã pela primeira vez tive um sentimento parecido de encantamento”, diz o diretor.
Flavia Guerra, assistente de direção do filme – que está aqui em Berlim para as três sessões programadas do curta – vê a seleção no festival como algo muito gratificante.
“Inicialmente, porque é o reconhecimento do trabalho que fizemos. A Berlinale sempre esteve em nossos sonhos, entre outras razões, porque é um dos festivais mais importantes do mundo”, ressalta Flavia, informando que, após Berlim, a equipe pretende começar uma campanha para inscrição do filme em outros festivais.
O Caminho do meu pai concorre ao Prêmio Urso de Cristal, que e escolhido por um júri de jovens entre as idades de 11 e 14 anos.
Para a mostra, destinada justamente ao público juvenil, foi selecionado um total de 60 longas e curtas-metragens, vindos de 36 países.
Maryanne Redpath, diretora da Mostra, descreveu o sentido da seleção deste ano:
“As estruturas estão desmoronando, seja nas instituições familiares ou em toda a sociedade; no entanto, o desejo de comunidade ainda é forte e motiva os jovens a examinarem a si próprios e ao seus ambientes”, afirmou.
