Camille Claudel segundo o cineasta Bruno Dummont
Diretor e protagonista, a atriz Juliette Binoche, falam do filme no Festival de Berlim
Camille Claudel 1915, do cineasta francês Bruno Dumont, foi bem recebido na mostra oficial da 63ª edição do Festival de Berlim. Ambientado no inverno de 1915, o filme é uma crônica sobre a vida reclusa de Camille Claudel (1864-1943), confinada por sua família num asilo no sul da França, onde jamais voltaria a esculpir. Solitária e infeliz, espera pela visita do seu irmão, o escritor Paul Claudel.
Ela havia sido levada para o hospício por ele, após um esgotamento mental ligado a uma relação violenta com o também escultor Auguste Rodin (1840-1917). Toda a angústia da sofrida personagem é expressa, num excelente desempenho, pela atriz francesa Juliette Binoche.
Jean-Luc Vincent também está bastante convincente no papel de Paul, o irmão da protagonista. Dumont, por sinal, é um ótimo diretor de atores, descartando sequências muito trabalhadas em prol de passar a mensagem através de seus personagens. A sensível cinematografia de Guillaume Deffontaines consegue captar, com bastante eficiência, a atmosfera que permeia a trama.

Na concorrida coletiva com a imprensa, após a projeção, Dumont – que costuma ser comparado a Robert Bresson pelo rigor e por seus argumentos e roteiros que não fazem concessões – chegou acompanhado de Vincent e Binoche, que falou de sua satisfação de ter vivido Camille. “Fiquei muito feliz de ter feito o filme, principalmente por ser sobre uma mulher e também por abordar o tema da criação”, disse a atriz. Binoche revelou que, interessada no papel, ela mesma ligou para o diretor. “Dumont consegue captar a alma do personagem, essa foi a razão que decidi trabalhar com ele”, complementou.
Dumont disse que ficou muito tocado com o telefonema, pois há bastante tempo queria trabalhar com ela. “Acho que há muito de Camille em Juliette”, ressaltou Dumont, que resolveu fazer o filme depois que descobriu mais detalhes sobre a personagem.
“Vi que havia muito espaço inexplorado nessa história aparentemente simples, como por exemplo, o período de sua vida no hospital”, destacou, acrescentando que fez uma longa pesquisa para escrever o roteiro. “Falei com psiquiatras e vários profissionais sobre a loucura e outras desordens mentais tentando entender esse processo de colapso da mente”, disse. Dumont acrescentou ter ficado impressionado com o sofrimento daquele universo de doentes.
Afinal o que é normal? Qual a diferença entre o gênio e a loucura?”, indagou o diretor de A Vida de Jesus e A Humanidade, que com seu novo filme, mais uma vez, provoca uma grande perplexidade nos espectadores.
Binoche, por sua vez, disse que precisou penetrar fundo na alma de Camille para poder entendê-la. “Eu me aprofundei em tudo na vida dela, inclusive em suas cartas. Tudo que ela sentiu, eu já senti: o nada, as lágrimas, a espécie de felicidade que ela conseguia ter. Eu acho que se um ator diz sim para um filme, ele não pode se separar do personagem que vai viver”, ressaltou.
