Van Sant apresenta 'Terra prometida' no Festival de Berlim
Filme mostra comunidades que não podem competir com companhias de gás natural
O cineasta Gus van Sant foi indicado ao Urso de Ouro por Gênio Indomável (1998) e Encontrando Forrester (2000) e, em 1987, ganhou o Teddy, prêmio para o melhor filme gay, na categoria de curta-metragem com My new friend.
Ele agora está de volta à Berlinale com o drama Terra prometida (Promised land), destaque hoje das sessões de imprensa da mostra oficial.
O filme segue Matt Damon no papel de Steve Butler, vendedor de uma companhia de exploração de petróleo, tentando convencer o pessoal rural a alugar sua terra para perfuração de gás natural. Ele está acompanhado da também vendedora Sue Thomason, interpretada por Frances McDormand que, como ele, passa informalidade e confiabilidade.
Diferentemente, no entanto, da ajuda a uma cultura rural – uma vez assinados os contratos, a companhia de gás natural virá e todo mundo ficará rico – talvez a dura realidade seja que tudo isso poderá vir a ser um elemento para sua extinção.

Escrito, a partir de uma história de Dave Eggers, por Damon e John Krasinski, que interpreta um ambientalista, o elenco conta ainda com Rosemarie De Witt.
Damon está ótimo no papel, se entregando totalmente ao personagem de Steve Butler, como já aconteceu com outros que interpretou, entre eles, Jason Bourne (A identidade Bourne) ou Mr. Ripley (O talentoso Ripley).
É muita boa também a caracterização do cenário, tipicamente do campo e de uma cidade pequena, com amplos espaços, a quietude, apenas um armazém daquele tipo que vende de tudo, o bar onde todos se encontram para conversar e por aí vai.
Terra prometida é um filme comedido, cuidadoso e aborda um tema importante: as comunidades rurais não podem competir com as companhias de gás natural, com poderes na casa dos bilhões. Além disso, é muito pequena sua chance de obter informações verdadeiras que não sejam previamente filtradas.
Indagado sobre a origem do filme, na coletiva após a projeção, Damon disse que veio de uma séria discussão que está acontecendo agora sobre a identidade americana.
“É sobre nosso futuro e como estamos tomando decisões hoje em dia”, afirmou Damon, acrescentando que o plano original era que ele dirigisse o filme. “Mas não foi possível, devido a problemas de agenda e a primeira pessoa que pensei para me substituir foi o Gus”, declarou.
