Festival de Berlim abre nesta quinta em grande estilo
Kar-Wai e equipe falam de 'The grandmaster', que deu a largada ao Berlinale
Com a cidade já lotada para um dos eventos cinematográficos mais importantes do mundo, a 63ª edição do Festival de Berlim teve início nesta quinta-feira (07) hoje, com The grandmaster, de Wong Kar-wai. .

Exibido numa prévia para a imprensa, o filme é um épico de artes marciais ambientado na tumultuada época dos anos 30 da China e inspirado na vida de IP Man, (Tony Leung), o mestre de Bruce Lee.
A história segue dois mestres de kung fu: ele vem do sul da China; ela vem do norte. Seu nome é Ip Man; o dela é Gong Er. Seus caminhos se cruzam em Foshan, cidade natal de Ip Man, na véspera da invasão japonesa de 1936.
O pai de Gong Er, um renomado Grandmaster, também viaja para Foshan. O lendário prostíbulo O Pavilhão Dourado, frequentado pelos melhores artistas de artes marciais do país, será o local da sua cerimônia de aposentadoria.
A China está em tumulto e os donos do país do sul estão às vésperas de se separar do norte. Mas o conto de traição, desafio, honra e amor está acima do fundo caótico da ocupação e da guerra.
The grandmaster teve quase três anos de produção e mais de uma década de preparação. O diretor começou a explorar a ideia de fazer o filme em 1996.
O elenco de estrelas, liderado por Tony Leung Chiu Wai (Days of being wild, seleção oficial Berlim 1991, Amores expressos, Felizes juntos, Amor à flor da pele e 2046, todos dirigidos por Kar wai, também inclui Zhang Ziyi (O tigre e o dragão, de Ang Lee) e Chen Chang.
Kar-way deixou a extensa colaboração que tinha com o diretor de fotografia Cristopher Doyle – fluente em mandarim, que fez oito filmes com ele – e, desta vez, optou por Phillipe Le Sourd.
O coreógrafo das lutas é o célebre Yuen Wu Ping, função que ele desempenha tanto na China como em Hollywood, em filmes como O tigre e o dragão e Matrix.
Esta não é a primeira vez que o diretor faz um filme de artes marciais. Cinzas do passado (94), também abordou o tema, com um profundo senso de melancolia.
As ações externas do novo épico de Kar-way, como espadas se encontrando, lutas com punhos fechados e corpos acrobáticos, são similarmente inseparáveis das batalhas internas dos protagonistas, na medida em que os sentimentos são traduzidos em movimentos e emoção.
Arquivo do mestre
Na coletiva que se seguiu à projeção – da qual participou o Jornal do Brasil – o diretor falou de seu filme e da inspiração para realizá-lo.
“Tudo começou em 1999, quando eu vi o super 8 da família de um grandmaster: único arquivo desse mestre. Ele tinha a responsabilidade de passar o conhecimento de kung fu, o código de honra e a técnica da luta para as gerações que viriam depois dele”, explicou Kar-wai, dizendo que o maior desafio para fazer o filme foi o fato de ele nunca ter praticado artes marciais.
“Durante o filme, eu vi que os lutadores de kung fu são humildes, apesar de saberem que têm uma arma na mão. Eu admiro muito a seriedade deles”, ressaltou.
Segundo Tony Leung, este foi o primeiro papel em que teve o perfeito entendimento do personagem. “Mas para isso, precisei treinar três anos para interpretá-lo”, completou.
Kar-wai apresenta júri oficial
Pela manhã, o diretor chinês, também presidente do júri da mostra oficial, fez a apresentação dos jurados, que inclui a diretora dinamarquesa Susanne Bier, o diretor alemão Andreas Dresen, a diretora e fotógrafa americana Ellen Kuras, a artista e diretora iraniana Shirin Neshat, o ator americano Tim Robbins e o diretor e produtor grego Athina Rachel Tsangari.
