Estrelas já estão brilhando sob o céu de Berlim
O Brasil vai marcar presença nas paralelas do Festival com 'Flores raras', entre outros
Começa amanhã e vai até o dia 17 a 63ª edição do Festival de Berlim, um dos eventos cinematográficos mais importantes do mundo. Agendado estrategicamente para o mês em que saem as indicações do Oscar, o também chamado Berlinale se firma cada vez mais como a plataforma de lançamento europeia das grandes produções do cinema mundial.
A abertura será com The grandmaster, de Wong Kar-wai, que também preside o Júri da Mostra oficial.
O filme – exibido fora de competição – é um épico de artes marciais ambientado na tumultuada época dos anos 30 da China e inspirado na vida de IP Man (vivido por Tony Leung), mentor de Bruce Lee.
Brasileiros
Embora não tenha sido selecionado para a mostra oficial, o Brasil marca presença em mostras alternativas. Na Panorama, a paralela mais importante do evento, apresentará Flores raras, novo filme de Bruno Barreto, que retrata o romance entre a brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires) e a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto).

Na mesma mostra, a participação brasileira se dá na coprodução de Habi, la extranjera, da estreante argentina Maria Florencia, que traz no elenco Maria Luisa Mendonça. A diretora concorre ao Prêmio de Primeiro Longa.
Na Mostra Fórum, o Brasil participa com o documentário Hélio Oiticica, de Cesar Oiticica Filho sobre o artista plástico brasileiro, e na mostra Geração com três curtas-metragens: Destimação, do goiano Ricardo de Podestá; O pacote, de Rafael Aidar; e O Caminho de meu pai, de Maurício Osaki.
O Brasil integra ainda o programa de coproduções do festival (que contempla 37 projetos), com o filme Campo Grande, novo longa-metragem de Sandra Kogut
Mostra Oficial
A mostra mais importante do evento terá 24 filmes, 19 dos quais concorrem ao Urso de Ouro. São 11 títulos da Europa, 4 dos EUA, 2 da Ásia, 1 do Canadá e 1 da América do Sul.
Entre os títulos em competição se destacam: Nobody’s daughter Haewon, do sul coreano Hong Sang-soo; Camille Claudel 1915, do francês Bruno Dumont; Paradise: hope, que encerra a trilogia do austríaco Ulrich Seidl; Side effects, de Steven Soderbergh e Promised land, de Gus Van Sant, os dois últimos dos Estados Unidos.
Um dos mais aguardados, no entanto, é Closed curtain, de Jafar Panahi e Kambozia Partovi do Irã. Panahi, ao que consta, continua detido em seu país e a seleção parece ser mais uma tentativa de apoio da Berlinale ao cineasta iraniano. Em 2011, o festival o convidou para ser jurado e, quando ele foi impedido de deixar o Irã, manteve, durante todo o tempo, sua cadeira vazia no júri oficial.
O drama intimista Gloria, de Sebastián Lelio (Chile/Espanha) é o representante sul americano da seleção oficial.
Dos filmes fora de competição, os destaques são: Night train to Lisbon, de Bille August (Alemanha); e Antes da meia noite, de Richard Linklater, novo longa da série do diretor, depois de Antes do amanhecer e Antes do por do sol.
Na Berlinale Especial vários títulos serão exibidos em sessão de gala, trazendo filmes recentes de diretores contemporâneos. Entre os destaques estão: Les miserables, de Tom Hooper, candidato ao Oscar; The spirit of ‘45, do inglês Ken Loach, que traz um olhar sobre o pós-guerra britânico; Top of the lake, mini série para tevê realizada pela diretora Jane Campion, com 353 minutos; e os novos trabalhos de Giuseppe Tornatore (The best offer), Michael Winterbotton (The look of love), e Yoji Yamada (Tokyo family).
Panorama completa 27 anos
A mostra, destinada a filmes de cunho social e qualidade artística, apresentará um total de 52 filmes, vindos de 33 países (16 na Principal, 16 na Especial e 20 na Documenta). A Panorama Especial abrirá com o drama It’s all so quiet, de Nanouk Leopold (Holanda / Alemanha).
Além do filme de Barreto e Habi, la extranjera, a representação latina inclui: Deshora, coproduzido pela Argentina, Colômbia e Noruega, de Bárbara Sarasola-Day; La piscina, estreia do diretor cubano Carlos Machado Quintela; e Tanta água, (Uruguai), dirigido por Ana Guevara Pose e Letícia Jorge Romero.
São destaques ainda: Don Jon’s addiction, estreia em longas do renomado ator Joseph Gordon Levitt. Lovelace, de Rob Epsteins e Jeffrey Friedman, sobre os bastidores do clássico pornô Garganta profunda; Upstream color, de Shane Carruth, (Primer); e Frances Ha, de Noah Baumbach, que conquistou projeção internacional com o ótimo A lula e a baleia (2005).
Na Panorama Documenta os mais esperados são: La maison de la radio, do diretor francês Nicolas Philibert, que teve um sucesso mundial com o filme Ser e ter em 2002; Narco cultura, de Shaul Schwarz, (EUA) sobre a devastação social criada pelos cartéis da droga; e Salma, de Kim Longinotto, que volta ao festival onde apresentou Gaea girls em 2001.
Outras cinematografias nem sempre presentes em festivais internacionais também geram expectativa, tais como: A fold in my blanket, de Zaza Rusadze (Georgia); Kai po che, de Abhishek Kapoor (India); Burn it up Djassa, de Lonosome Solo (Costa do Marfim / França); e Cold, de Ugür Yücel (Turquia).
Homenagens e Retrospectivas
O Urso Honorário, tributo pelo conjunto da obra, será entregue ao produtor e documentarista francês Claude Lanzmann, acompanhado da exibição de Shoah (1985), sua obra prima sobre o Holocausto
A tradicional retrospectiva será dedicada ao cinema da República de Weimar (como o regime alemão foi chamado antes da guerra), que floresceu entre 1918 e 1933 com filmes de cineastas alemães ou de origem germânica fora do país.
A Mostra, intitulada Toque de Weimar, apresentará trinta e três filmes entre eles Quanto mais quente melhor, do austríaco Billy Wilder (EUA, 1959), Ciladas, de Robert Siodmak (França, 1939) e Casablanca, de Michael Curtiz (EUA, 1942), o mais popular de todos os filmes feitos por diretores pangermânicos.
Título da mostra oficial
A long and happy life, de Boris Khlebnikov – Rússia
Prince avalanche, de David Gordon Green – EUA
Harmony lessons, de Emir Baigazin – Cazaquistão / Alemanha
Vic + Flo saw a bear, de Denis Côté – Canadá
In the name of, de Malgoska Szumowska – Polônia
Gloria, de Sebastián Lelio – Chile/Espanha
Nobody’s daughter Haewon, de Hong Sang-soo – Coréia do Sul
Paradise: hope, de Ulrich Seidl – Austria / França / Alemanha
Child’s pose, de Calin Peter Netzer – Romênia
Promised land, de Gus Van Sant – EUA
Camille Claudel 1915, de Bruno Dumont – França
Elle s’en va, de Emmanuelle Bercot – França
An episode in the life of an iron picker, de Danis Tanovic – Bósnia / Herzegovina / França
Gold, de Thomas Arslan – Alemanha
La religieuse, de Guillaume Niclux – Bélgica
Layla Fourie, de Pia Marais – Alemanha / África do Sul / Holanda
The necessary death of Charlie Countryman, de Fredrik Bond – EUA
Closed curtain, de Jafar Panahi e Kambozia Partovi – Irã
Side effects, de Steven Soderbergh – EUA
Fora de competição
Before midnight, de Richard Linklater – EUA / Grécia
Dark blood, de George Sluizer – Holanda
Night train to Lisbon, de Bille August – Alemanha / Suíça / Portugal
The croods, de Kirk De Micco (EUA) – animação em 3-D
The grandmaster, de Wong Kar-wai – China
