Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Cultura

Estrelas já estão brilhando sob o céu de Berlim

O Brasil vai marcar presença nas paralelas do Festival com 'Flores raras', entre outros

Jornal do BrasilMyrna Silveira Brandão

Começa amanhã e vai até o dia 17 a 63ª edição do Festival de Berlim, um dos eventos cinematográficos  mais importantes do mundo. Agendado estrategicamente para o mês em que saem as indicações  do Oscar, o também chamado Berlinale se firma cada vez mais como a plataforma de lançamento europeia das grandes produções do cinema mundial. 

 A abertura será com The grandmaster, de Wong Kar-wai,  que também preside o Júri da Mostra oficial. 

O filme – exibido fora de competição –  é um épico de artes marciais ambientado na tumultuada época dos anos 30 da China e inspirado na vida de IP Man (vivido por Tony Leung), mentor de Bruce Lee.

Brasileiros 

Embora não tenha sido selecionado para a mostra oficial, o Brasil marca presença em  mostras alternativas. Na Panorama, a paralela mais importante do evento, apresentará Flores raras, novo filme de  Bruno Barreto, que retrata o romance entre a brasileira Lota de Macedo Soares (Glória Pires) e a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto).  

'Flores raras', de Bruno Barreto, traz Glória Pires no papel de Lota de Macedo Soares
'Flores raras', de Bruno Barreto, traz Glória Pires no papel de Lota de Macedo Soares

Na mesma mostra, a participação brasileira se dá na coprodução de Habi, la extranjera, da estreante argentina  Maria Florencia, que traz no elenco Maria Luisa Mendonça. A diretora concorre ao Prêmio de Primeiro Longa. 

Na Mostra Fórum, o Brasil participa com o documentário  Hélio Oiticica, de Cesar Oiticica Filho sobre o artista plástico brasileiro, e na mostra Geração com três curtas-metragens: Destimação, do goiano Ricardo de Podestá; O pacote, de Rafael Aidar; e O Caminho de meu pai, de Maurício Osaki. 

O Brasil integra ainda o programa de coproduções do festival (que contempla 37 projetos), com o filme Campo Grande, novo longa-metragem de Sandra Kogut 

Mostra Oficial

A mostra mais importante do evento terá 24 filmes, 19 dos quais concorrem ao Urso de Ouro. São 11 títulos da Europa, 4 dos EUA, 2 da Ásia, 1 do Canadá e 1 da América do Sul.

Entre os títulos em competição se destacam: Nobody’s daughter Haewon, do sul coreano Hong Sang-soo; Camille Claudel 1915, do francês Bruno Dumont;  Paradise: hope, que encerra a trilogia do austríaco Ulrich Seidl;  Side effects, de Steven Soderbergh e Promised land, de Gus Van Sant, os dois últimos dos Estados Unidos.

Um dos mais aguardados, no entanto, é Closed curtain, de Jafar Panahi e Kambozia Partovi do Irã. Panahi, ao que consta, continua detido em seu país e a seleção parece ser mais uma tentativa de apoio da Berlinale ao cineasta iraniano. Em 2011, o festival o convidou para ser jurado e, quando ele foi impedido de deixar o Irã, manteve, durante todo o tempo, sua cadeira vazia no júri oficial. 

O drama intimista Gloria, de Sebastián Lelio (Chile/Espanha)  é o representante sul americano da seleção oficial.  

Dos filmes fora de competição, os destaques são: Night train to Lisbon, de Bille August (Alemanha); e Antes da meia noite, de Richard Linklater, novo longa da série do diretor, depois de Antes do amanhecer e Antes do por do sol

Na Berlinale Especial vários títulos serão exibidos em sessão de gala, trazendo filmes recentes de diretores contemporâneos.  Entre os destaques estão: Les miserables, de Tom Hooper, candidato ao Oscar; The spirit of  ‘45, do inglês Ken Loach, que traz um olhar sobre o pós-guerra britânico; Top of the lake, mini série para tevê realizada pela diretora Jane Campion, com 353 minutos; e os novos trabalhos de Giuseppe Tornatore (The best offer), Michael Winterbotton (The look of love), e Yoji Yamada (Tokyo family). 

Panorama completa 27 anos 

A mostra, destinada a filmes de cunho social e qualidade artística, apresentará um total  de 52 filmes,  vindos de 33 países (16 na Principal, 16 na Especial e 20 na Documenta). A Panorama Especial abrirá com o drama It’s all so quiet, de Nanouk Leopold (Holanda / Alemanha).   

Além do filme de Barreto e  Habi, la extranjera, a representação latina inclui: Deshora, coproduzido pela Argentina, Colômbia e Noruega, de Bárbara Sarasola-Day;  La piscina, estreia do diretor cubano Carlos Machado Quintela; e Tanta água, (Uruguai), dirigido por Ana Guevara Pose e Letícia Jorge Romero.  

São destaques ainda:  Don Jon’s addiction, estreia em longas do renomado ator Joseph Gordon Levitt.  Lovelace, de Rob Epsteins e Jeffrey Friedman, sobre os bastidores do clássico pornô Garganta profunda; Upstream color, de Shane Carruth, (Primer); e Frances Ha, de Noah Baumbach, que conquistou projeção internacional com o ótimo A lula e a baleia (2005).  

Na Panorama Documenta os mais esperados são:  La maison de la radio, do diretor francês  Nicolas Philibert, que teve um sucesso mundial  com o filme Ser e ter em 2002;  Narco cultura, de Shaul Schwarz, (EUA) sobre a  devastação social  criada pelos cartéis da droga; e Salma, de Kim Longinotto, que volta ao festival onde apresentou Gaea girls em 2001. 

Outras cinematografias nem sempre presentes em festivais internacionais também geram expectativa, tais como: A fold in my blanket, de Zaza Rusadze (Georgia); Kai po che, de Abhishek Kapoor (India); Burn it up Djassa, de Lonosome Solo (Costa do Marfim / França); e Cold, de Ugür Yücel (Turquia).  

Homenagens e Retrospectivas  

O Urso Honorário, tributo pelo conjunto da obra,  será entregue ao produtor e documentarista francês Claude Lanzmann, acompanhado da exibição de Shoah (1985), sua obra prima sobre o Holocausto

A tradicional retrospectiva será dedicada ao cinema da República de Weimar (como o regime alemão foi chamado antes da guerra), que floresceu entre 1918 e 1933 com filmes de cineastas alemães ou de origem germânica fora do país. 

A Mostra, intitulada Toque de Weimar,  apresentará trinta  e três filmes entre eles Quanto mais quente melhor, do austríaco Billy Wilder (EUA, 1959), Ciladas, de Robert Siodmak (França, 1939) e Casablanca, de Michael Curtiz (EUA, 1942), o mais popular de todos os filmes feitos por diretores pangermânicos. 

Título da mostra oficial

A long and happy life, de Boris Khlebnikov – Rússia

Prince avalanche, de David Gordon Green – EUA 

Harmony lessons, de Emir Baigazin – Cazaquistão / Alemanha 

Vic + Flo saw a bear, de Denis Côté – Canadá 

In the name of, de Malgoska Szumowska – Polônia 

Gloria, de Sebastián Lelio – Chile/Espanha 

Nobody’s daughter Haewon, de Hong Sang-soo – Coréia do Sul 

Paradise: hope, de Ulrich Seidl – Austria / França / Alemanha

Child’s pose, de Calin Peter Netzer – Romênia 

Promised land, de Gus Van Sant – EUA

Camille Claudel 1915, de Bruno Dumont – França 

Elle s’en va, de Emmanuelle Bercot – França

An episode in the life of an iron picker, de Danis Tanovic – Bósnia / Herzegovina / França 

Gold, de Thomas Arslan – Alemanha

La religieuse, de Guillaume Niclux – Bélgica

Layla Fourie, de Pia Marais – Alemanha / África do Sul / Holanda 

The necessary death of Charlie Countryman, de Fredrik Bond – EUA 

Closed curtain, de Jafar Panahi e Kambozia Partovi – Irã 

Side effects, de Steven Soderbergh – EUA

Fora de competição 

Before midnight, de Richard Linklater – EUA / Grécia 

Dark blood, de George Sluizer – Holanda 

Night train to Lisbon, de Bille August – Alemanha / Suíça / Portugal 

The croods, de Kirk De Micco (EUA) – animação em 3-D 

The grandmaster, de Wong  Kar-wai – China 

Tags: croods, effects, JB, layla, train

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