Chiclete inova e faz retrospectiva no Festival de Verão
Salvador - Veterano no Festival de Salvador, o Chiclete com banana resolveu fazer diferente em 2013. Sem planejamentos exagerados, o vocalista e guitarrista Bell Marques resolveu levar os fãs que lotaram o Palco 2013 em uma viagem pelos 30 anos da banda e tocou, um a um, os maiores sucessos de todos os discos do grupo, ano após ano na noite dessa sexta-feira.
Por conta da ousadia e longevidade do sucesso do Chiclete, a apresentação se estendeu por muito mais tempo do que deveria, o que deixou os organizadores do evento de cabelos em pé. “Ô, produção. Tem mais tempo pra gente? Ainda estamos em 2007 aqui”, disse Bell em determinado momento da apresentação enquanto era pressionado a deixar o palco. Naquele momento, ainda faltavam muitas canções a serem tocadas para a galera, que aguentou firme pulando e gritando os clássicos da banda.
Aproveitando hinos imortais como Grito de Guerra, Ele Não Monta na Lambreta e Selva Branca, o grupo foi de sucesso em sucesso, como se tocasse uma coletânea ao vivo, com as faixas se intercalando e com poucos intervalos entre elas. No final, teve para todos, desde o fã das antigas, anterior à criação do samba-reggae, à parcela que viu o Chiclete virar um gigante de hits anuais que sempre marcam época.
Quando a música parava, Bell usava o tempo para comentar as situações da banda em cada período e citar em que disco cada uma delas estava registrada originalmente, um luxo à geração iPod, que baixa canções e esquece das obras. Mais à frente, sobrou confiança. “Vocês sabem que o Chiclete tem sempre essa opção de amar ou odiar, mas graças a Deus 99% ama”, disse o cantor.
A noite foi iniciada pela cantora Ana Carolina, que fez um show animado, bem humorado e recheado de participações especiais. As cantoras Ellen Oléria, Liah Soares, Luana Mallet, Almah Thomas e Maria Cristina, todas recém-saídas do reality show The Voice Brasil, foram convidadas para cantar juntas a canção Rosas.
Além das novatas, a cantora italiana Chiara Cuvello, parceira de composição na premiada canção Problemas também foi chamada para ajudar na execução do sucesso, que arrancou muitos aplausos dos entusiasmados fãs. A brasileira lembrou que a música foi recentemente eleita melhor canção no Prêmio Multishow 2012.
O Capital Inicial veio logo depois e, para tentar variar um pouco o show que costuma apresentar em Salvador no Festival de Verão, introduziu uma série de canções novas, todas provenientes do bom álbum Saturno. A recepção foi boa especialmente por causa do aumento do nervosismo das guitarras, comandadas por Ives Passarel. Mas foi nos clássicos que o grupo ganhou a plateia.
Primeiro com Fátima e depois com Música Urbana, a banda foi revisitando aos poucos seu cancioneiro em velocidade um pouco mais baixa que a normal. A histeria do público foi maior em Primeiros Erros, Natasha, Que País É Este? e Mulher de Fases, canção emprestada dos Raimundos que faz sucesso nos shows do Capital há anos. Mas também houve a oportunidade de resgatar outro clássico da fase em que a banda ainda se segurava na dificuldade de vender discos no fim dos anos 80, Independência.
Jorge e Mateus fizeram o quarto show da carreira no Festival de Verão e mostraram com muito carisma e interação com o público por que são chamados para repetir a dose ano após ano. Ajuda o fato de que a carreira do grupo já coleciona um número considerável de sucessos e clássicos, o suficiente para fazer com que os goianos invistam nas próprias composições e sejam acompanhados palavra por palavra pelos fãs histéricos – especialmente as fãs. Causaram euforia Amo Noite e Dia, Beija Flor, Seu Astral e Enquanto Houver Razões. Houve ainda a participação dos colegas Humberto e Ronaldo, que cantaram Só Vou Beber Mais Hoje.
Fechando a noite, o Harmonia do Samba teve o inicio do show prejudicado por conta da demora na transição dos instrumentos e teve de ver boa parte do público debandar por conta do horário e da chuva que começou a cair. Mas quando o primeiro acorde soou, quem ficou não se arrependeu e pôde curtir a banda de pagode baiano mais preocupada com a qualidade do seu som. Além disso, teve o privilégio de curtir a mistura entre ritmos com a presença do ídolo Armandinho Macedo, que disparou o canto estridente de sua guitarra com a percussão marcada do grupo, em um momento histórico.

