Jornal do Brasil

Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

Cultura

Banda Huaska: tem 'heavy metal' no samba

Elza Soares faz participação especial no último CD de grupo que tem samba em disputa na Mocidade

Jornal do BrasilHenrique de Almeida

Quem disse que riffs de guitarra não podem invadir o carnaval carioca? A banda paulista Huaska prova que a mistura entre rock e tamborim pode, e muito bem, dar samba. Dentre os seis sambas que estarão disputando uma das eliminatórias neste sábado (22) na quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, está o que os integrantes da banda escreveram. O samba, o 12º entre os 46 inscritos, tem chances reais de ganhar a avenida.

Segundo o vocalista do Huaska, Rafael Moromizato, o contato para criar o samba enredo ocorreu após o lançamento mais recente da banda, o CD Samba de preto, em janeiro deste ano, motivado pela decisão da escola de homenagear o Rock in Rio no Carnaval de 2013:

“ Fomos convidados por Ricardo Mendonça para fazer essa participação na composição e nos arranjos de rock. Ele conheceu a banda na internet e gostou de Samba de preto', faixa que dá nome ao CD). Encontramos os demais compositores da parceria, fizemos algumas reuniões e conversarmos bastante até que o samba fosse definido antes de entrarmos em estúdio”, explicou Moromizato, envolvido pela "paixão pelas escolas que o carnaval proporciona”, acrescenta o vocalista.

O Huaska mistura samba, bossa nova e Heavy Metal. Após três discos, empreitada é na Sapucaí
O Huaska mistura samba, bossa nova e Heavy Metal. Após três discos, empreitada é na Sapucaí

O samba é de autoria de Ricardo Mendonça, Beto Martins, Bira Fernandes, Rafael Barcelos, Anderson Viana e do próprio Rafael Moromizato. O intérprete é Wantuir Oliveira. A participação mais que especial fica por conta de Elza Soares, que também cantou a faixa título do último CD do Huaska, e faz a introdução da música: “ O mestre André sempre dizia, ninguém segura a nossa bateria. Abrem-se os portões, tribos de todo lugar. O show de luz e som vai começar. Benção, Padre Miguel”, brinca Rafael.

Madrinha e produtores comemoram

Elza Soares se auto-denomina madrinha do grupo, principalmente após sua participação no último álbum do grupo, quando cantou na faixa título, Samba de Preto. Ela conta como foi o início dessa parceria com o Huaska:

" O Rafael entrou em contato com o Bruno Lucide e mandou a música Foi-se. De cara, já gostei. Achei até que era ela que iríamos gravar. Mas o Rafael disse que estavam terminando uma música pra mim, e a surpresa foi Samba de preto. Nos encontramos em São Paulo. Rafael e Alessandro me mostraram como seria a música, fazendo isso só com o violão e a voz pra eu me acostumar com melodia e a métrica da canção. Depois já fomos pro estúdio e gravamos a música. Foi muito gostoso", lembrou Elza.

Para ela, não há melhor cenário do que a possível vitória do samba com a participação do Huaska para o carnaval de 2013 da Mocidade Independente de Padre Miguel:

" Na gravação de Samba de preto eu já disse que estarei lá. Quero iniciar o desfile cantando com eles, Mas também fui convidada para desfilar na Mocidade. Então acho que não vou puxar o samba durante todo o desfile, Faço o grito de guerra e vou desfilar, né? Ainda mais na minha escola", reforçou a cantora.

A boa performance do Huaska  também fez a felicidade de Eumir Deodato. Deodato, artista e produtor experiente no mercado fonográfico, que já produziu nomes como Bjork e fez arranjos para Frank Sinatra e Vinícius de Moraes. Há décadas radicado em Nova York, ele definiu assim a mistura entre samba e heavy metal do Huaska:

“ Essa colaboração é genial. Mantendo firme essa inovação, as pessoas em breve começarão a entender na alma e nas veias o que essa mistura pode significar para a música brasileira. Sempre há uma demora a entender quando as coisas são muito diferentes, mas em algum tempo nós veremos um resultado muito bom vindo disso tudo”, comemorou Deodato, que já garantiu presença na Marquês de Sapucaí em 2013, caso o samba enredo do Huaska vença a disputa na Mocidade Independente de Padre Miguel. “É só uma questão de definir se minha fantasia será algo diferente ou mais tradicional. Desde que não mostre muito os meus calcanhares, está bom”, divertiu-se.

Deodato fez o arranjo das músicas O mar e Ainda não acabou, além da releitura de Chega de saudade”, de Tom Jobim, no álbum Samba de preto.

Agora, é esperar para ver se o Huaska, como diz a letra do samba-enredo, vai “rocksambar” na Marquês de Sapucaí. Moromizato, apesar da cautela, lembra um detalhe numérico interessante:“ Nosso samba é o de número 12. Número ótimo, uma vez que o CD foi lançado no dia 12 de janeiro e estamos em 2012!”, finalizou Moromizato, entre risos. 

Tags: JB, deodato, inovação, performance, samba

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