Crítica: "O monge"
Um bebê, abandonado na frente de um mosteiro, cresce quase que exclusivamente dentro de seus muros e torna-se um dos mais famosos pregadores da fé de sua época. Acreditando-se imbuído de toda virtude e imunidade frente às tentações mundanas da vida carnal, Ambrósio (Vincent Cassel, de Um método perigoso e À deriva) vai contra os companheiros ao aceitar como novo membro da congregação Valério (vivido pela atriz Déborah François), vítima de um acidente que usa uma máscara para proteger o rosto mutilado. Após fazê-lo, episódios estranhos começam a se desenrolar em torno do monge.
A adaptação do conto homônimo de Matthew G. Lewis, realizada pelo diretor alemão Dominik Moll, certamente rendeu um filme estruturado em temas polêmicos - apesar de serem, de fato, tabus seculares -, como a rigidez (e até mesmo crueldade) dentro das instituições religiosas, a castidade, o desejo e o incesto. Constrói-se nele todo um simbolismo da luta entre as forças do Bem e do Mal - representado pelos personagens de Joséphine Japy, que vive a doce e inocente Antonia, e de Déborah, que traz consigo uma aura de intriga e desconfiança.

O clima de mistério se sustenta pela união da trilha sonora, das vestimentas sinistras dos monges Capuchinhos e dos aposentos do próprio monastério, que nos dão a dica de que algo ligado às “forças do mal” está por vir. O diabo é uma entidade quase tão presente nessa história quanto seus personagens humanos, tamanha é sua influência nos acontecimentos sinistros dessa comunidade da Espanha do século XVII.
Apesar dos clichês trazidos em seu desfecho e no próprio tema, O monge possui uma história bastante interessante, as atuações e roteiro são, de maneira geral, bem desenvolvidos e fluidos e mantém o suspense sempre na sugestão - não recorrendo à artifícios técnicos que comprovem a existência do Mal, como pode-se ver em outros filmes que tratam do tema “influência satânica” anteriormente feitos.
Cotação: *** (Ótimo)
