Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Cultura

Crítica: 'O vingador do futuro'

Jornal do BrasilJefferson Almeida

“A vida é sonho”, anunciava Calderón de la Barca, no século de ouro espanhol; no final do século XIX, Freud transpõe o sonho para outro patamar, com a publicação de “A interpretação dos sonhos”; em 1966, Philip K. Dick publica o conto “Lembramos para você a preço de atacado” e transforma um sonho no início de uma trajetória alucinante em busca do reconhecimento da identidade individual num ambiente onde as realidades virtuais e imaginárias são tão palpáveis quanto os objetos que dispomos à mão.

O conto de Dick chega às telas, em 1990, sob o título O Vingador do Futuro (Total Recall, no original), trazendo Arnold Schwarzenegger no papel título, dirigido pelo holandês Paul Verhoeven. Agora, o longa está sob a batuta de Len Wiseman (Anjos da noite) que confiou o protagonista ao ator Collin Farrel (A hora do espanto).

Cena de "O vingador do futuro", refilmagem do clássico da ficção cinetífica protagonizado por Collin Farrel
Cena de "O vingador do futuro", refilmagem do clássico da ficção cinetífica protagonizado por Collin Farrel

Na trama, o operário Douglas Quaid recebe uma proposta para sair de sua rotina maçante: nas férias, terá memórias implantadas em seu cérebro, através da Recall, e imaginará que é um agente secreto. A operação resulta em um pequeno desastre e tem que ser interrompida; a partir daí, mistura-se na cabeça do protagonista as esteiras da realidade e da imaginação ou, melhor dizendo, a realidade é acrescida de tamanha dose de fatos, até então, impossíveis ao trabalhador braçal, que se confunde com a fantasia e Quaid se vê perseguido pela polícia e lutando ao lado de rebeldes contra um estado opressor.

Esqueçamos Marte! A nova versão traz uma disputa entre as duas últimas regiões habitáveis da Terra: a Federação Unida da Bretanha e a Colônia (antiga Austrália). Essa nova ambientação consiste no grande trunfo do filme, levando em consideração os avanços das novas tecnologias e da expansão dos meios de comunicação, transporte e faturamento, as próprias descobertas da ciência acerca da vida em outros planetas e, sobretudo, as guerras detonadas pela ganância de domínio de territórios alheios. Inserir o filme neste ambiente, ao contrário do que se poderia pensar, não diminui suas possibilidades futuristas, muito ao contrário, cria um futuro possível e soma nova utilidade ao longa.

Bryan Cranston (Pequena Miss Sunshine) é Cohaagen, chanceler da Federação Unida da Bretanha que, secretamente, prepara a invasão do estado-nação do outro lado do planeta sob o pretexto de defender seu povo. Cranston é responsável por uma das melhores criações do filme ao lado do também veterano Bill Nighy (Fúria de Titãs 2) e de Bokeem Woodbine (Ray). Kate Beckinsale (Anjos da noite) disputa o protagonista com Jesica Biel (O ilusionista), ambas com interpretações frias.

Apesar da filosofia e da possibilidade da discussão política, O Vingador do Futuro é um filme de ação. Aliás, de uma ação frenética. Tiros, explosões, lutas coletivas e longas sequências de saltos em espaços urbanos superpopulosos (que propiciam jogos interessantíssimos nessas perseguições) dão o tom do contínuo deste filme.

Tags: cartaz, cinema, colllin farrel, estreia, nacional

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