Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Cultura

Crítica: 'Um método perigoso'

Jornal do BrasilFilipe Quintans

Raros são os cineastas cujos filmes podemos reconhecer num estalo. Assim é com os filmes de Scorsese, assim sempre foi e sempre será com os filmes de Hitchcock e Billy Wilder. Nesse nem tão vasto universo temos David Cronenberg, que com bem menos representatividade e apelo, faz por merecer integrá-lo. 

>> Confira a crítica de 'Heleno - O príncipe maldito'

>> Confira a crítica de 'A novela das 8'

>> Confira a crítica de 'Beleza adormecida'

O caso de Um Método Perigoso é exemplar. Nada do que se passa é por força do conflito, mas por força da vontade pura. A direção de arte é um personagem, a palavra é comedida, embora contundente. Se ainda é possível imprimir estilo pessoal no cinema, aí está, sem dúvidas.

Viggo Mortensen interpreta Freud no filme 'Um método perigoso'
Viggo Mortensen interpreta Freud no filme 'Um método perigoso'

Cronenberg talvez tenha dirigido o primeiro filme sobre um triângulo psicanalítico de que se tem notícia. Quando Carl Gustav Jung (Michael Fassbender) tem o primeiro contato com sua paciente Sabina Spielrein (Keira Knightley) sabemos que dali sairá um romance. Sairá a fórceps, mas sem maiores prejuízos, apenas deixando o gosto amargo do fim da paixão. O encontro com Sigmund Freud (Viggo Mortensen) faz Jung ficar entalado entre a interpretação de certas neuroses pelo viés sexual (teoria da qual não discorda, mas acha limitante) e o amor, cada vez mais latente, por sua paciente. 

O triângulo assim se estabelece e a partir dele o roteiro de Christopher Hampton, também autor do texto teatral no qual ele é baseado, tece conexões e conseqüências. O trabalho de Cronenberg é tirar a melhor foto. A beleza das locações e o delicado trabalho de cenografia conferem um certo encanto até.  A câmera é instrumento de observação - pelo reflexo do espelho, pela porta entreaberta do quarto onde Jung surra Sabina, única maneira de levá-la ao clímax. Eis o tema central do longa: o prazer não é simples, sobretudo entre quem estuda suas motivações.

Cotação: *** (Ótimo)

Tags: cinema, filme, freud, jung, psicologia

Compartilhe:

Tweet

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.