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Cultura

'John Carter', a ambiciosa superprodução sobre um herói humano em Marte 

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O diretor de "Procurando Nemo", Andrew Stanton, lança nesta sexta-feira nos cinemas "John Carter", uma milionária superprodução rica em efeitos especiais sobre um oficial do século XIX que vira herói entre os marcianos.

A obra respeita a visão de Marte escrita há um século pelo mesmo criador de Tarzan, o Edgar Rice Burroughs e é o primeiro filme que se arrisca a levar para a tela uma série de romances populares sobre um ex-capitão da Guerra de Secessão americana que é transportado para Marte.

O oficial Carter, interpretado por Taylor Kitsh, descobre que, graças a pouca gravidade de Marte, pode saltar a dezenas de metros de distância, um inesperado superpoder que os marcianos buscam capitalizar.

O personagem se vê em meio a uma guerra tribal e com a missão de salvar a princesa de Marte de um casamento forçado.

Para o protagonista canadense, que encarnaou o Gambit em "X-Men: Origens" (2009), transformar-se em um musculoso superherói humano em Marte foi o trabalho mais difícil de sua carreira.

"Foi extremadamente físico, absorveu-me completamente", contou Taylor à AFP. "Tive que trabalhar intensamente a parte estética. Comecei a treinar quatro meses antes de começar as filmagens, com dieta e musculação, que não parou durante os outros sete meses de filmagem".

As cenas externas foram filmadas no "marciano" lago Powell, entre os desertos de Utah e Arizona (sudoeste), e Taylor precisou roda a maioria das tomadas utilizando arnês (uma espécie de cinto de segurança para escalada), para simular os saltos de seu personagem.

"Quando abria a porta do ''trailer'' às sete da manhã, lá estava o arnês", contou o ator de 30 anos, relembrando sem nenhuma saudade dos momentos em que Carter teve que lutar contra "gorilas" brancos gigantes, saltando a 25 metros de altura.

"Você tem a impressão de que os cabos vão se romper, mas por sorte não aconteceu nada", assegurou, mas destacou algumas exceções. "Umas cem pequenas feridas, um entorse no tornozelo, danos em um tendão do ombro e muitos cortes, mas nada sério".

Ao que parece, Taylor não foi o único com problemas na filmagem. A produtora Disney teve que desembolsar 250 milhões de dólares para terminar esta superprodução tão ambiciosa quanto "Guerra nas Estrelas" e "Harry Potter".

"John Carter" baseia-se apenas no primeiro livro dos 11 que Rice Burroughs escreveu entre 1912 e 1948.

É o primeiro filme de Andrew Stanton que não é uma animação. Ele, um veterano da Pixar com dois Oscar nas mãos (por "Procurando Nemo" e "Wall-E"), precisou se dedicar à promoção do novo filme, acabar com o mau agouro causado pelo elevado orçamento e desmentir rumores sobre complicações nas filmagens.

Além disso, foi muito criticado por lançar uma superprodução baseada em um "pulp-fiction" cult no século passado, e que atualmente quase ninguém conhece.

"Se uma criança de 1976", afirmou Stanton à revista Variety, falando de si mesmo - "podia desfrutar a leitura de um livro publicado em 1912, acredito que alguém de 2012 pode desfrutar desta história pelas mesmas razões".

Por enquanto, antes de sua estreia, as opiniões estavam divididas. Os sites Rotten Tomatoes e Metacritic, que analisam os filmes, deram 60% e 48% de comentários positivos para este filme, respectivamente.

Mas será o grande público que decidirá se a Disney recuperará ou não o seu investimento.

Agência AFP


Tags: Critica, Produção, análise, carter, cinema, filme, john

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