Tears for Fears conquista paulistas e chega ao Rio para show no Citibank Hall
Tão cedo os anos 80 não sairão de moda. Ao menos na música. Que o diga o Tears for Fears. Armado de uma penca de hits, o grupo pop oitentista causou comoção na última quinta-feira, em São Paulo, em show que os cariocas veem na noite deste sábado, no Citibank Hall.
É verdade que o jogo já está ganho antes mesmo de o time entrar em campo, e que a entrega do público que lota os shows do grupo (em São Paulo foi aberto um show extra, dia 14, com ingressos também já esgotados) é total desde o primeiro acorde. Ainda assim, é sintomático que artistas como as “tias fofinhas” talvez experimentem mais sucesso agora, após idas e vindas, do que em sua época.
Roland Orzabal e Curt Smith, o duo central do TFF, surgiu na Inglaterra nos anos 80 emplacando logo de cara dois trabalhos (no bom sentido) mortais (The Hurting eSongs From the Big Chair), que renderam mais de 20 milhões de cópias vendidas e múltiplos discos de ouro e platina (em tempos em que gravadoras ainda “apitavam” o jogo do mercado).
Veja vídeo com trecho do show publicado no YouTube:
Numa época em que era cool ser niilista e “dark”, seu synth pop não exatamente ensolarado com influências tecno exibia monumental apelo radiofônico, que por sinal perdura até hoje. Anos depois, separaram-se litigiosamente – a reconciliação só viria em 2003, amparada, provavelmente, em fiascos musicais de ambas as partes. Assim, quando os primeiros acordes de “Everybody Wants to Rule the World” soaram no Credicard Hall (SP), foi a senha para um interminável coral durante os próximos 100 minutos.
Escudados por teclados, guitarra e bateria, Smith (que toca baixo) e Orzabal revezam-se nos vocais, mas fica evidente o maior destaque deste, quer pelo carisma, quer pelo registro vocal intacto, que de fato impressiona. Aqui e ali notam-se sutis influências jazzy nos arranjos, e a boa surpresa da noite veio com criativa versão-balada para “Billy Jean”, de Michael Jackson. E dá-lhe sucessos: “Sowing the Seeds os Love” (que Paul Macca acusou de “chupar” “All You Need Is Love”), “Advice For the Young at Heart”, “Pale Shelter”, “Head Over Hells”, “Woman in Chains” - até o inevitável pedido “toca Raul” fez sentido, solicitando, na verdade, “Raoul and the Kings os Spain”, música de 1995. com a luzes já acesas, o público berrou o megahit “Shout”. Um gran finale para uma noite memorável.
