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Tio Sam conhece o Brasil de Ivete Sangalo

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Eduardo Graça, Portal Terra

NOVA YORK - O maior mérito do mega-show de Ivete Sangalo na capital do planeta, uma produção de US$ 5 milhões para a gravação de um DVD ao vivo da estrela baiana, foi o de se revelar uma síntese do Brasil contemporâneo. O verde-e-amarelo, as mensagens ufanistas, o culto à brasilidade, deram o tom de um show muitas vezes confuso, repleto de exageros visuais, mas quase sempre empolgante. "Gente, o Brasil é respeitado no mundo, sim! As pessoas me trataram aqui com a maior educação e carinho", disse a baiana, no bis, enfatizando o que seria mais uma prova do reconhecimento do País em escala planetária.

Casa mais famosa da música popular norte-americana, o Madison Square Garden foi tomado desde o fim da tarde de sábado por uma galera de brasileiros oriundos de todos os cantos dos EUA e de gente que comprou passagem à prestação para sair do Brasil com o objetivo de ver Ivete conquistar Nova York. Havia poucos nova-iorquinos mas o número de latino-americanos e portugueses era grande. Gente como o fã Paulo Daniel, 19 anos, que atravessou o Atlântico para ver a diva. "Marquei as férias para coincidir com o show de Ivete. Ela é muito popular em Portugal", contava, entre uma rebolada e outra.

A mineira Dalila Schneider, 24, viajou duas horas de Hartford, a capital do estado de vizinho de Connecticut, só para ver Ivete. Queria sair antes do fim para não pegar muito trânsito na volta. Como os ingressos, a US$ 70, já estavam esgotados, ela conseguiu garantir o seu, na última hora, por US$ 100. Na porta do MSG, cambistas impressionados com a multidão brasileira que tomou Midtown de assalto ofereceram à reportagem do Terra tíquetes para a arquibancada por US$ 150, pouco antes do começo do espetáculo.

O Brasil de Ivete vem de Minas, São Paulo, Acre, Rio Grande do Sul, mas, principalmente, dos estados do nordeste do País. Chamava a atenção a quantidade de gente como Mike Silva, 24 anos, piauiense radicado em São Francisco, que atravessou a costa para ver Ivete. E a cantora que se sente bem como "representante da massa" se dirigiu a seu público sem meias palavras: "Eu só quero que vocês tenham orgulho de mim. Eu levo o Brasil para onde for, mas vocês também. Vocês, a comunidade brasileira no exterior, são o Brasil no mundo".

Um dos momentos mais impressionantes foi quando Ivete conduziu a multidão de 15 mil pessoas em coreografias ensaiadas "para ensinar aos gringos como se mexe", durante A Galera. Fez, com a precisão de um Wilson Simonal no auge, todo um lado da pista virar para a esquerda, o outro para a direita, em passos cadenciados. Depois, posicionou todos com as mãos nos ombros dos outros. "Na tranquilidade, porque somos brasileiros, e brasileiros são todos legais", pregou.

O Brasil de Ivete também não tem vergonha de sua vulgaridade. Em determinado momento a cantora faz voz de criança e brinca que "está perdida" no Central Park. É a deixa para entoar a marota versão do saudoso mestre Braguinha, um dos grandes compositores brasileiros da primeira metade do século XX, para Chapeuzinho Vermelho. Em seguida, a baiana emenda com a muito mais explícita Lobo Mau (Vou te comer), de Psirico. A passagem aparentemente natural de uma canção para a outra não diminuiu o impacto da constatação - a música popular produzida no Brasil, representada por uma de suas grandes estrelas, não tem medo de namorar o mau gosto. Ao contrário, o coopta para levantar poeira sem medo de ser feliz.

A falta de sofisticação, assumida e cultuada pela cantora, não diminuiu a capacidade de comunhão de Ivete com seu público. Ao contrário. Muitos se emocionaram quando a baiana se debulhou em lágrimas e interrompeu a execução de Me Abraça enquanto os fãs, em transe religioso, gritavam "I-ve-te! I-ve-te!". "Quero que tudo seja lindo e que vocês saiam daqui com o coração feliz e achando que valeu a pena ter vindo de tão longe para me ver", disse.

Não foram só os fãs que vieram prestigiar Ivete. Na área VIP, entre os convidados dos patrocinadores, Carlinhos Brown, Leonardo Miggorin, Ana Maria

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