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Cultura

Cannes: Versão de 'Cinco vezes favela' ganhará projeção especial

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Carlos Helí de Almeida, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - A organização do 63º Festival de Cannes (que ocorre de 12 a 23 de maio) divulgou quinta-feira uma lista parcial da seleção oficial de filmes deste ano. Dos 16 títulos que concorrerão a Palma de Ouro anunciados, apenas um tem raízes latino-americanas: Biutiful, de Alejandro González Iñarritu (Babel), coprodução entre o México e a Espanha. Os outros quatro (ou cinco) candidatos ao prêmio serão revelados nas próximas semanas.

O Brasil está representado por 5 X favela Agora por nós mesmos, longa-metragem dirigido por Luciana Bezerra, Cacau Amaral, Rodrigo Felha, Wavá Novais, Manaíra Carneiro, Cadu Barcellos e Luciano Vidigal, e produzido por Cacá Diegues, que integra o pacote de sessões especiais do festival. O cineasta alagoano também integra o júri de curtas-metragens do festival, categoria em que concorre Os minutos, as horas, da cearense Janaína Marques.

5 X favela é composto por cinco histórias filmadas em diferentes comunidades cariocas, totalmente concebido e realizado por jovens moradores de favelas da cidade do Rio. O projeto retoma o conceito do filme original, Cinco vezes favela, lançado em 1962 e codirigido por Miguel Borges, Joaquim Pedro de Andrade, Marcos Farias, Leon Hirszman e o próprio Diegues.

Estou felicíssimo com a seleção de 5 X favela em Cannes, porque coroa o trabalho dos meninos que o fizeram. Vamos levar todos os diretores para o festival e, se possível, alguns dos atores também. Esses artistas de nossas favelas vão desfilar na Croisette! anuncia Diegues. Aceitei correndo participar do júri da Cinéfondation pois, mais do que julgar e dar prêmios, vou poder me informar sobre o cinema jovem do mundo inteiro.

A seleção anunciada quinta-feira, em concorrida entrevista coletiva em Paris, antecipa uma maratona menos pop do que a do ano passado, que contou com os últimos trabalhos de diretores como Quentin Tarantino e Pedro Almodóvar. Velhos conhecidos do festival francês, no entanto, estarão de volta à competição, como o iraniano Abbas Kiarostami (Copie conforme), o britânico Mike Leigh (Another year), o japonês Takeshi Kitano (Outrage), e o francês Bertrand Tavernier (La princesse de Montpensier).

A presença americana na competição está, até o momento, reduzida ao thriller Fair game, de Doug Liman (Jumper, Sr. e Sra. Smith), protagonizado por Naomi Watts e Sean Penn. O brilho hollywoodiano está garantindo com o título de abertura, Robin Hood, de Ridley Scott, com Russell Crowe e Cate Blanchett, já anunciado anteriormente, Wall Street: O dinheiro nunca dorme, de Oliver Stone, com Michael Douglas e Shia LaBeouf, e You will meet a tall dark stranger, de Woody Allen, com Naomi Watts e Antonio Banderas, a serem exibidos fora de compeetição.

A disputa pela Palma envolve produções de 13 países, incluindo estreantes como o Chad e a Ucrânia.

Nossa seleção ressalta o fato de que a (atividade da) realização de grandes filmes está viva em todos os países. Não se trata de um mero diálogo entre a Europa e os Estados Unidos, mas um diálogo global resumiu Thierry Fremaux, diretor artístico do festival, durante a coletiva de quinta-feira.

Completam a lista de concorrentes Burnt by the sun 2, de Nikita Mikhalkov, Hors-la-loi, de Rachic Bouchareb, The housemaid , de Im Sang-soo, La nostra vida, de Daniele Luchetti, Of gods and men, de Xavier Beauvois, Poetry, de Lee Chang-dong, A screaming man, de Mahamat-Saleh Haroun, Tournee, de Mathieu Amalric, Uncle Boonmee who can recall his past lives, de Apichatpong Weerasethakul, e You, my joy, de Sergey Loznitsa. Lendas vivas do cinema mundial, o português Manoel de Oliveira (O estranho caso de Angélica, uma coprodução com a Mostra de São Paulo) e o francês Jean-Luc Godard (Film socialisme) são os grandes destaques da mostra Un Certain Regard.