Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Julho de 2017

Cultura

Artistas assumem papel de editores e lançam revista independente

Jornal do Brasil

Pedro de Luna, editor do jblog quadrinhos, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Tem publicação nova na parada. Ou melhor, nas livrarias. A primeira edição da revista Beleléu foi criada pelos cariocas Tiago Elcerdo, Daniel Lafayette e Eduardo Arruda, mais o brasiliense Stêvz. Nesta primeira edição foram convidados também Caio Gomes (da ótima revista Bongolê Bongoró), Danilo e os argentinos Berliac e Kioskerman, que pela primeira vez são publicados por aqui. Custeada pelo quarteto, ela tem como objetivo publicar o próprio trabalho dos artistas editores. Há também um blog com atualizações constantes (http://revistabeleleu.wordpress.com).

Revista ou livro, não importa. A iniciativa é louvável em tempos de exaltação tecnológica e antes de tudo é fruto da amizade de pessoas que gostam de histórias em quadrinhos. Tiago Elcerdo e Eduardo Arruda são amigos de longa data. Quando Stêvz se mudou de Brasília para o Rio, coincidentemente foi morar na rua de Eduardo, e sugeriu não só o projeto como também o nome Beleléu. Por sua vez, Daniel Lafayette já era amigo de Elcerdo. E assim a corrente estava formada.

A principal revelação nacional da revista é o ilustrador Eduardo Arruda, debutante no meio dos quadrinhos. Fã de pintores como Matisse, Edward Hopper, Andrew Wyeth e Grosz, teve aula com o pintor Lydio Bandeira de Mello e cursou a faculdade de publicidade imaginando que seria uma maneira de trabalhar com desenho.

Mas percebi que não erabem a minha praia reconhece.

Talvez por isso sua arte-final seja a mais elaborada.

Às vezes pinto no computador, às vezes à mão, e outras vezes misturo os dois. Geralmente, o desenho é feito no papel e depois escaneado. Vejo o computador apenas como mais uma ferramenta, como um outro tipo de lápis. Como uso tablet (tipo de computador portátil no qual pode-se desenhar diretamente na tela), mesmo no computador de certa forma também estou pintando à mão.

Sem a preocupação de ser sempre engraçado, Eduardo diz que o importante é ter o máximo de liberdade.

Às vezes quero apenas contar uma história que me pareceu interessante, ou expor um pensamento, ou uma impressão. Gosto também de experimentar novas composições e técnicas. Acho importante também não ter medo de errar.

Em seguida, cita uma frase de Ralph Steadman ( Não existe esse negócio de erro. Um erro é uma oportunidade de fazer algo diferente") e completa:

Mas é claro que nem todo erro é aproveitável.

No caso da nova publicação, Arruda enfatiza a possibilidade de trabalhar com pessoas cujo trabalho já admirava.

Lafayette tem facilidade para criar tiras como poucos. É incrível que ainda não tenha publicado um livro. Elcerdo tem um belo traço, meio europeu, e é um grande contador de histórias. Stêvz tem sacadas geniais e além de ótimo desenhista é um tremendo escritor.

Quem também se desdobra em elogios é Elcerdo.

Ainda não entendo como nenhuma editora propôs ao Lafayette publicar suas tiras. Ele tem muito material. Eu e Estevão brincamos que para qualquer situação da vida, existe uma tira do Lafayette relacionada. Eduardo Arruda realmente tem um trabalho muito bom. É um grande artista.

Por sua vez, Lafayette ganha a vida como taxista, mas já publicou suas tiras no Caderno B. Seus traços são simples e sua arte também. Mas ele justifica o porquê:

O importante é a ideia. Se você quiser, pode passar horas em frente ao computador pra fazer um degradê brega, ou pode usar esse tempo para pensar em novos trabalhos. Ou sair pra beber, o que também não deixa de ser uma escolha sensata.

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