Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Julho de 2017

Cultura

Os acreanos do Caldo de Piaba unem rock, ska, brega e guitarrada

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Taís Toti, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - No Acre, é comum dizer que algo é mais ralo que caldo de piaba , mas há controvérsias sobre a verdadeira consistência da refeição: muitos dizem que, na verdade, o prato é coisa fina. De qualquer forma, de fraco a banda acreana Caldo de Piaba não tem nada da receita, talvez, tenha em comum apenas a mistura, no caso deles de referências musicais, que poderão ser vistas e ouvidas nesta sexta-feira, na Caixa Cultural, na abertura da Mostra Instrumental Contemporânea (MIC), que vai até domingo.

Começamos a banda com a ideia de fazer um projeto instrumental. Íamos para o estúdio, improvisávamos bastante e percebemos que passávamos por ritmos diferentes, tanto nas nossas composições como nas versões explica Eduardo di Deus, baterista da banda.

As influências que Di Deus prefere ver como referências são tantas que é difícil listar: no baixo e na bateria, presença forte do brega e da lambada, além do ska e do rock, este também presente nas guitarras, que conduzem as músicas e representa fortemente a influência da guitarrada, estilo musical paraense. Apesar da grande inspiração nos ritmos amazônicos, o regionalismo não define a banda.

Esse rótulo gera compromisso com determinados padrões, e nós apenas incorporamos alguns elementos. Lidamos com o regionalismo mas não somos regionalistas destaca o baterista. Os ritmos vão se transformando, é sotaque de lambada no rock, com uma força de funk. São ritmos populares, que foram fortes na Amazônia nas décadas de 70 e 80, coisas que escutamos desde pequenos ou mesmo na rua.

Turnê de Kombi

A cada festival que participa, o Caldo de Piaba recebe mais e mais convites para tocar pelo Brasil. Eles já passaram pelo Varadouro (Rio Branco, AC), Calango (Cuiabá, MT), Recbeat (Recife, PE) , além de shows em outras cidades brasileiras. Investindo também na terra natal, eles criaram o Piaba no Kombão.

No primeiro show que fizemos, conseguimos uma Kombi emprestada, na qual cabe o equipamento inteiro e a gente dentro. Daí surgiu a ideia, que fomos amadurecendo. Fomos circulando, levando o show para espaços públicos nas cidades do interior do Acre, como em Brasiléia, que fica na fronteira com a Bolívia, e Xapuri recorda Di Deus. Sempre levando música instrumental para quem não está acostumado a ouvi-la. Em alguns lugares houve muita interação com as crianças, em outros, por conta releituras que fazemos de músicas antigas, pessoas mais velhas vinham conversar com a gente.

Sem letra

Junto com a Caldo de Piaba, a Mostra Instrumental Contemporânea traz nomes de diversas cidades brasileiras, fazendo um apanhado da música instrumental no Brasil. Na sexta-feira, os cariocas da Binário acompanham os acreanos; no sábado, se apresentam A banda de Joseph Tourton (PE) e Guizado (SP); e as bandas Fossil (CE) e Elma (SP) finalizam a mostra, no domingo. Todas as bandas se apresentam gratuitamente.

Hoje tem muita banda instrumental que gostamos bastante. No nosso caso a resposta sempre foi boa, fizemos pouquíssimos shows em que o público não estava no clima. Quando se faz uma coisa bem feita as pessoas aparecem opina Gabriel Izidoro, guitarrista d'A Banda de Joseph Tourton, que ganhou este nome por causa da rua em que ensaiavam e que acabou virando um personagem, um aviador sem rosto criado pelo grupo.

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