Jornal do Brasil

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Cultura

Diante de cariocas, Beyoncé se mostra frágil, poderosa e romântica

Jornal do Brasil

Taís Toti, Jornal do Brasil

RIO - Uma Beyoncé mais espontânea e cacheada surgiu no palco do HSBC Arena, às 20h30 de domingo, para o primeiro show no Rio da turnê brasileira que começou na quinta-feira em Florianópolis e passou por São Paulo no sábado. Abrindo brechas no (até então) estrito roteiro do espetáculo, a cantora não só conversou mais com o público como incluiu mais músicas (e consequentemente mais um figurino) no show carioca.

O pequeno trecho de Deja vù cantado a capella só serve para aumentar ainda mais o efeito cênico de Crazy in love, quando as cortinas se abrem revelando a banda, as dançarinas e o enorme telão com imagens em altíssima qualidade. A música fica ainda melhor ao vivo, com um trecho de Pass the peas, da banda de apoio de James Brown, tocada ao saxofone no lugar do rap do marido Jay-Z, comprovando mais uma vez ser uma das melhores canções da década que passou.

Nenhum lugar é como o Brasil

O show revela, parte a parte, a história de Beyoncé, com suas influências e caminhos. Não à toa a música de abertura é seu primeiro hit de carreira solo; as Destiny's Child ganham menção com medleys e Say my name; Michael Jackson ganha uma estranha homenagem em Halo e sua precocidade musical é revelada numvídeo em que aparece cantando, ainda criança, precedendo a música Radio. I am... tour é também uma síntese das várias facetas de Beyoncé: a mulher poderosa, a frágil, a romântica...

Seu lado dançante e sexy se revela na primeira parte, quando, de maiô dourado com um enorme laço no bumbum, canta Naughty girl, Freakum dress e Get me bodied.

Estou neste turnê há muito tempo, mas nenhum lugar é como o Brasil elogiou a diva.

Na primeira troca de roupa, de maiô branco e com ondas do mar no fundo, a cantora mostra seu lado virginal cantando Smash into you e Ave Maria, numa parte que cai no piegas. Na hora de mostrar sua potência vocal com baladas, Beyoncé se sai melhor cantando At last, música de Etta James (que ela interpretou em Cadillac Records) e Listen, incluída no filme Dreamgirls. De vestido longo e exibindo imagens de sua performance na Casa Branca para o presidente Barack Obama, a diva deu uma grata surpresa aos cariocas incluindo as músicas, que não estavam no setlist oficial.

A mulher forte aparece vestida de óculos de aviador e roupa de couro, cantando If I were a boy com recheio de You oughtta know, de Alanis Morissette, numa versão igualmente raivosa mas sem palavras chulas. Metade robô metade animal, ela mostra seu lado auto-confiante com Diva, numa sequência mais agitada. Em Hello, ela se comove com um fã e dá um autógrafo, sem parar de cantar. Sua simpatia também transparece quando ela diz conseguir ver todos ali presentes, inclusive apontando e descrevendo algumas pessoas.

Fenômeno viral

Já no palco redondo localizado na pista premier (novo nome para a área vip), Beyoncé faz a melhor parte do show, favorecida pela proximidade do público e músicas conhecidas. Em Irreplaceable, deixa o público cantar. Em Check on it faz graça mostrando a língua. Bootylicious, Bug a boo e Jumpin' jumpin' entram no medley de Destiny's Child, que no Rio também ganhou uma versão gravada com Bills, bills, bills e Survivor, entre outras. Grande hit de Beyoncé, Single ladies marca dupla presença: primeiro num recorte de vídeos com a coreografia, mostrando que, mais que música, o hino das solteiras já é um fenômeno viral. Capaz de dançar e cantar com perfeição, além de exibir a beleza descomunal, Beyoncé faz da canção o auge do espetáculo. O clima animado parece ideal para fechar, mas é com Halo, música mais tocada no Brasil em 2009, que Beyoncé se despede na primeira noite no Rio, num roteiro arquitetado para deixar o público extasiado.