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Cultura

Villa-Lobos em quatro tempos

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Rio de Janeiro, Jornal do Brasil

TAÍS TOTI - O violão, a música popular, as canções infantis. São as paixões de Villa-Lobos que inspiram uma série de quatro programas em homenagem ao compositor brasileiro. Com início amanhã no Centro Cultural do Banco do Brasil, Vil la-Lobos: Serestas, choros e crianças traz todas as terças-feiras récitas que demonstram a pluralidade e a influência popular em sua obra.

São três grandes vertentes da obra do Villa muito representativas justifica Turíbio Santos, diretor artístico do projeto.

O programa que inaugura a série é Violão O instrumento do coração, dedicado à produção de Villa-Lobos para o instrumento. Nele, Turíbio Santos toca 5 Prelúdios, o violonista Fábio Zanon interpreta Suíte popular brasileira e 12 estudos fica nas mãos de Paulo Pedrassoli.

O violão está representando os instrumentos básicos dele, junto ao o violoncelo e o piano frisa Turíbio. Essa ligação vai dos primeiros momentos da vida musical dele até sua a morte. Com 71 anos ele ainda se referia ao violão com o mesmo afeto do começo de sua vida artística.

Paulo Pedrassoli também destaca o papel importante do violão na obra do maestros, sendo o instrumento preferido nas suas composições. A princípio associado às camadas mais pobres da população, nas décadas de 10 e 20, o músico diz que o violão era o instrumento escondido de Villa-Lobos.

Mais tarde André Segóvia recolocou o violão nas salas de concertos, também revelando a importância de Villa para o repertório do instrumento, com estudos que introduzem o seu uso na estética moderna, com uma sonoridade de muito frescor comenta Pedrassoli.

A obra para violão é também um grande exemplo da influência da cultura popular na produção de Villa-Lobos:

A Suíte popular brasileira é como se Villa sintetizasse o procedimento da feitura musical popular de sua época. Era um jeito brasileiro de tocar o repertório europeu exemplifica Pedrassoli.

A convivência, desde os 12 anos, com os músicos populares também foi forte influência.

Em 1940 ele reedita o bloco Sôdade do Cordão, para mostrar como era o carnaval em 1900. Ele tinha essa preocupação mostrar a cultura popular diz Turíbio.

O segundo programa da série é inspirado nas rodas de choro frequentadas às escondidas pelo compositor.

Além de Villa-Lobos há peças de outros compositores, como Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, contemporâneos dele do início do século passado.

O penúltimo concerto também inclui obras de outros compositores, desta vez com foco na seresta, que, de acordo com Turíbio Santos, é parte primordial do trabalho do maestro. Além de temas de autores contemporâneos, a programação inclui peças do compositor de inspiração seresteira. Finalizando o evento, Villa-Lobos e as crianças faz homenagem ao lado educador do compositor, com peças apresentadas por 30 jovens do projeto social homônimo.

Ele sempre esteve ligado às músicas das crianças, os temas infantis seguiram toda a sua carreira ressalta Turíbio.