Memória: Anselmo Duarte ganha homenagens póstumas
Jornal do Brasil
DA REDAÇÃO - Holofotes se voltam para o legado artístico deixado por Anselmo Duarte: uma série de projetos foram anunciados, na tarde de domingo, quando o corpo do diretor de O pagador de promessas (1962), até hoje o único filme brasileiro a ganhar a prestigiosa Palma de Ouro, em Cannes, foi enterrado no Cemitério Municipal de Salto, cidade do interior paulista onde ele nasceu, com a presença de amigos como o ator Tarcísio Meira. Anselmo, que morreu na madrugada de sábado, aos 89 anos, após sofrer o terceiro acidente vascular cerebral e ficar 11 dias internado no Hospital das Clínicas de São Paulo, vai dar seu nome ao Centro de Educação e Cultura de Salto, que a partir de agora passa a se chamar Centro de Educação e Cultura Anselmo Duarte.
Além disso, um documentário sobre sua trajetória começa a ser preparado. De acordo com a produtora Magda Barbieri, o filme vai reunir uma série de depoimentos do cineasta (com histórias inéditas e episódios de bastidores), colhidos nos últimos cinco anos pelo escritor Guilherme Fiúza autor do livro Meu nome não é Johnny, que deu origem ao filme homônimo. O empresário Ricardo Duarte, filho do cineasta, também contou que organiza o Projeto Anselmo Duarte , em que vai restaurar 26 filmes do pai, incluindo O pagador de promessas, para que sejam lançados em DVD e distribuídos gratuitamente em 10 mil fundações culturais.
Anselmo Duarte somou mais de 40 produções em sua carreira, incluindo trabalhos como ator e diretor. O começo foi em 1947, quando integrou o elenco de Não digas Adeus, dirigido por Luis Moglia Barth. Logo depois, ele atuou em Querida Santana, ao lado de Tônia Carrero, e Inconfidência mineira e Terra violenta, de 1948. Nos anos 50, estrelou produções das companhias de cinema como Atlântida, Cinédia e Vera Cruz. A estreia de Duarte como diretor aconteceu na comédia Absolutamente certo, em que também assinava o roteiro e dividia o elenco com as atrizes Dercy Gonçalves e Odete Lara.
Intolerância religiosa
A grande consagração foi mesmo com o filme O pagador de promessas, baseado na obra de Dias Gomes e protagonizada por Leonardo Villar e Gloria Menezes. A história de Zé vivido por Villar um homem humilde que faz uma promessa à Santa Bárbara de que, se seu burro sarasse da doença que sofria, ele iria carregar uma cruz nas costas até a igreja da santa , além de vencer a Palma de Ouro, concorreu ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro. Depois, o cineasta assinou a direção de Vereda de Salvação (1964), drama estrelado por Raul Cortez, que foi indicado ao Leão de Ouro no Festival de Berlim e venceu o Candango de melhor fotografia no Festival de Brasília.
Seu último trabalho no cinema foi como ator no filme Brasa adormecida (1987), de Djalma Limongi Batista, que também tem no elenco Maitê Proença, Edson Celulari e Sérgio Mamberti.
